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MEIO AMBIENTE

Leis de proibição à venda de filtros solares geram controvérsia

Enquanto alguns cientistas afirmam que a proibição é necessária para preservar recifes de corais, outros dizem não haver dados suficientes que sustentem a medida

Leis de proibição à venda de filtros solares geram controvérsia
Havaí foi o primeiro estado norte-americano a proibir a venda de alguns protetores solares (Foto: Public Domain Pictures)

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Ambientalistas e parlamentares democratas estão cada vez mais decididos a proibir a venda de protetores solares que danificam os recifes de coral. Mas essas proibições estão causando controvérsia entre a comunidade de cientistas especializados no estudo de corais.

Em 2018, o Havaí foi o primeiro estado dos EUA a proibir a venda de protetores solares fabricados com oxibenzona e octinoxato, substâncias químicas encontradas em três quartos dos protetores solares vendidos nos EUA. Em seguida, a cidade de Key West, na Flórida, também proibiu a venda desses protetores solares.

As proibições são uma resposta ao esforço de preservação dos recifes de coral. Diversos fatores ambientais estão causando o branqueamento dos corais, um fenômeno que ocorre devido à morte das zooxantelas, algas unicelulares que fornecem alimento aos corais por meio da fotossíntese.

Para os cientistas o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática é o principal responsável pela deterioração dos corais, mas pesquisas mostram que as substâncias químicas oxibenzona e octinoxato usadas nos protetores solares também causam o branqueamento.

No entanto, não há consenso entre os cientistas se os protetores solares são tão danosos à preservação dos recifes de coral a ponto de proibi-los. Em fevereiro,  cientistas, professores e pesquisadores discutiram o assunto no Coral-List, um fórum online da National Oceanic and Atmospheric Administrations (NOAA).

Os que defendem com veemência o esforço de preservação dos recifes de coral criticam os fabricantes de protetores solares por não usarem substâncias menos agressivas ao meio ambiente.

Porém, outros discordam da ação agressiva de determinados produtos químicos nos corais, como C. Mark Eakin, oceanógrafo e coordenador do programa Coral Reef Watch da NOAA. Em sua opinião, os danos causados ​​pelos protetores solares aos corais são insignificantes em comparação com a mudança climática. “O aquecimento dos oceanos causado pela mudança climática tem tido o efeito de uma explosão nuclear nos habitats marinhos.”

Alguns cientistas dizem que ainda é muito cedo para avaliar os danos causados pelos protetores solares, em razão do número limitado de pesquisas e da metodologia usada.

Mas outros cientistas, com frequência os que defendem a proibição, alegam que esses estudos inserem-se em um amplo conjunto de pesquisas sobre o efeito prejudicial da oxibenzona e do octinoxato em corais e em outras espécies com sistema endócrino, entre as quais os seres humanos e os animais.

Em meio às discussões acadêmicas, alguns dermatologistas e fabricantes de protetores solares se opõem às proibições, com o argumento básico que a exposição ao sol sem proteção aumenta a incidência do câncer de pele.

Os projetos de lei aprovados no Havaí e em Key West inspiraram-se em um estudo realizado em 2015 por Craig Downs, um ecotoxicologista e diretor executivo do Laboratório Ambiental Haereticus, uma organização sem fins lucrativos, com sede na Virgínia, que se dedica a estudos sobre conservação e restauração de habitats.

O estudo, publicado na revista científica Archives of Environmental Contamination and Toxicology, foi um dos primeiros a descrever os danos causados pela oxibenzona em recifes de coral.

Segundo Downs, a oxibenzona é uma substância química que, associada a outros problemas locais, como poluição da rede de esgoto e erosão de terra no oceano, encerra um ciclo em que os corais podem se recuperar do branqueamento em um período de cinco a dez anos.

Nicole Crane, bióloga e professora da Cabrillo College, na Califórnia, atribui a morte dos recifes de coral a diversos fatores, como o aquecimento dos oceanos, a poluição e a contaminação da água por produtos químicos. Crane participou das discussões no Coral-List, nas quais apoiou a proibição de protetores solares que contêm oxibenzona e octinoxato.

Embora apoie a ideia de adotar uma abordagem preventiva em relação a produtos químicos na preservação de corais, Douglas Fenner, consultor da Conservation International e da NOAA, alertou para os perigos da exposição ao sol sem proteção, um dos principais fatores do câncer de pele, como o melanoma, um tipo dr câncer extremamente grave.

Na opinião de Kurt Reynertson, biólogo da Johnson & Johnson e diretor do departamento de análise dos efeitos de determinados produtos químicos na saúde dos seres humanos e no meio ambiente, não existem dados suficientes que justifiquem a proibição da oxibenzona e do octinoxato.”A mudança climática é a principal responsável pela deterioração e morte dos corais”, acrescentou.

As proibições de venda de protetores solares com oxibenzona e octinoxato no Havaí e em Key West ficarão restritas aos moradores locais. Os turistas poderão usar protetores com produtos químicos, que continuarão a poluir a água do mar. É, portanto, uma medida de efeito limitado para a proteção dos recifes de coral dessas regiões.

A política ambiental de proteção aos recifes de coral é uma questão muito complexa, que exigirá um trabalho multidisciplinar de longo prazo.

Leia também: Protetores solares colocam corais do Havaí em risco

Fontes:
The Washington Post-Sunscreen bans aimed at protecting coral reefs spark debate — among scientists

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