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Maremoto devastou o sul da China há mil anos

Estudo aponta que maremoto ocorrido há quase mil anos quase dizimou a população do sul da China, região que é hoje uma das mais densamente povoadas do mundo

Maremoto devastou o sul da China há mil anos
Descobertas indicam que futuros maremotos podem ter um efeito igualmente devastador (Foto: Flickr/Douglas Sprott)

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Segundo um estudo de pesquisadores chineses, um maremoto que atingiu o sul da China há cerca de mil anos quase destruiu uma das regiões mais densamente povoadas do mundo atual.

A devastação causada pelas ondas gigantescas suscitou novos questionamentos em relação à vulnerabilidade da região, sobretudo após o tsunami que atingiu a Indonésia em dezembro e a construção de novas usinas nucleares no sul da China.

Em um artigo publicado no início deste mês na revista científica Science Bulletin, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China (USTC) e da Universidade de East China Normal, disseram que evidências arqueológicas e sedimentares, apoiadas por registros históricos, indicam que o maremoto que atingiu a atual província de Guangdong em 1076 d.C., durante a dinastia Song, provocou  um “drástico declínio cultural”, só recuperado 500 anos mais tarde.

Em 2013, durante uma pesquisa na ilha Lincoln, no arquipélago de Paracel no mar da China Meridional, a equipe de pesquisadores, liderada por Sun Liguang e Xie Zhouqing da USTC, encontrou evidências sedimentares e biológicas, que comprovaram a ocorrência do maremoto na região.

Modelos computacionais indicaram que o tsunami foi provocado por um terremoto na fossa oceânica de Manila localizada na costa das ilhas Luzon e Mindoro nas Filipinas.

Em um estudo mais recente na ilha de Nan’ao, no sudeste de Guangdong, a equipe de pesquisadores também encontrou depósitos sedimentares, como conchas, corais e rochas transportados pelas ondas gigantescas do tsunami.

Além de sua importância arqueológica e histórica, as descobertas indicam que futuros maremotos podem ter um efeito tão devastador como o que atingiu a região sul da China há cerca de mil anos.

Hoje, mais de 68 milhões de pessoas vivem na Área da Grande Baía, um trecho de 56.500 kmque abrange Hong Kong, Macau, Zhuhai, Shenzhen, Guangzhou e seis grandes cidades na província de Guangdong. De acordo com a World Nuclear Association, além de densamente habitada, a costa sul da China tem sete usinas nucleares em atividade e mais quatro em construção.

Apesar de o governo afirmar que as usinas nucleares têm sistemas de proteção contra maremotos, artigos do jornal South China Morning Post mencionaram que o acidente ocorrido em 2011 na Central Nuclear de Fukushima no Japão, quando um tsunami derreteu três dos seis reatores nucleares da usina, é um alerta para desastres nucleares semelhantes nas usinas chinesas.

As autoridades chinesas suspenderam a construção de novas usinas após o desastre de Fukushima e exigiram uma revisão completa das normas de segurança. O estudo mostrou que diversos reatores não cumpriam os requisitos básicos de segurança no caso de tsunamis e terremotos.

Após a adoção de novas normas, o governo retomou a construção das usinas nucleares na região sul do país e no litoral das ilhas no mar da China Meridional.

Em 2007, um estudo de pesquisadores americanos e chineses sobre os riscos sísmicos no mar da China Meridional, revelou que a fossa oceânica de Manila era o principal fator de risco por causa do movimento das placas tectônicas.

A China está investindo no aperfeiçoamento de sistemas de detecção de maremotos em torno da fossa oceânica de Manila. Segundo especialistas, os novos sistemas emitem um aviso da chegada de um fenômeno sísmico com duas horas de antecedência.

“Os sistemas anteriores de detecção de riscos sísmicos baseavam-se na análise dos dados por sismólogos e, portanto, sujeita a erros. Os novos sistemas de detecção com instrumentos e boias que registram mudanças na pressão da água são muito mais precisos”, disse Shang Hongmei, um pesquisador do Centro Nacional de Tecnologia Oceânica.

No entanto, apesar desses progressos, a ameaça constante de maremotos e terremotos em uma região tão vulnerável preocupa sismólogos e autoridades locais.

Fontes:
CNN-Ancient tsunami almost wiped out civilization in southern China, study finds

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