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Controle da malária

Novo método para eliminar a malária é criado

Dois pesquisadores acham que descobriram uma maneira de impedir que fêmeas, transmissoras do parasita da malária, nasçam

Novo método para eliminar a malária é criado
Nova técnica visa criar uma zona livre da malária (Reprodução/Internet)

Mate o mosquito e a doença é eliminada. É essa a abordagem que se costuma dispensar ao controle da malária, e ela funciona caso seja feita da maneira apropriada. O problema é que os inseticidas empregados para promover a matança também destroem várias outras coisas. Um velho sonho daqueles que procuram eliminar a malária é, portanto, encontrar uma maneira de matar seletivamente apenas o que transmite o parasita: mosquitos do gênero Anophelen, especialmente o Anopheles gambiae.

E isso, mais ou menos, é o que está sendo proposto por Nikolai Windbichler e Andrea Crisanti do Imperial College,em Londres, em um estudo publicado no periódico Nature Communications. Eles acham que descobriram uma maneira de impedir que fêmeas A. gambiae nasçam. Isso interromperia a cadeia de transmissão de duas maneiras: imediatamente, porque são apenas as fêmeas que se alimentam de sangue e transmitem o parasita, e no longo prazo, porque sem fêmeas a população não pode se reproduzir.

O truque dos pesquisadores é implantar nos mosquitos um gene para uma proteína chamada endonuclease de homing. O Dr. Windbichler e a Dra. Crisanti encontraram uma endonuclease de homing em uma espécie de limo que, em uma estranha coincidência, corta uma sequência de DNA que pode ser encontrada diversas vezes no cromossomo X do Anopheles gambiae, destruindo o cromossomo completamente.

Assim como os humanos, os mosquitos com dois cromossomos X são fêmeas e aqueles com um X e um Y são machos. Ao transplantar o gene da endonuclease para os genomas de mosquitos machos, e fazer com que ele esteja ativo apenas durante o processo de espermatogênese (de modo que outras funções corpóreas não sejam afetadas), os pesquisadores criam machos que produzem predominantemente células de esperma “macho” – cerca de 95% deles portam o cromossomo Y. Muitos desses também portarão a endonuclease, de modo que a mesma coisa ocorrerá na próxima geração. A vantagem é que a população na qual os machos modificados são introduzidos deve se tornar cada vez mais dominada por machos, e também cada vez menor.

No longo prazo a seleção natural encontrará uma maneira de driblar a endonuclease, e o número de mosquitos voltará ao normal. Mas se o parasita tiver sido eliminado, e não for reintroduzido (como ocorreu em alguns lugares que eliminaram a malária por meio de inseticidas), então uma zona livre de malária terá sido criada sem muita perturbação à ecologia local.

Fontes:
The Economist - X marks the spot

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