Meio Ambiente

Os créditos de carbono e a importância das florestas para o equilíbrio ambiental

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Diminuir a emissão de gases causadores do efeito estufa é difícil. No entanto, uma forma de compensar a poluição do ar está se tornando possível a partir de iniciativas como a resolução do Protocolo de Quioto chamada de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ou MDL.

O mercado de carbono – que vem sendo bastante comentado, mas nem sempre bem compreendido – está ligado a esse mecanismo. E, por mais distante que todo esse processo pareça estar, ele na verdade está mais próximo de cada um do que se imagina.

Floresta de Mata Atlântica

De acordo com o Protocolo de Quioto, os países desenvolvidos têm metas a cumprir quanto à emissão de gases causadores do efeito estufa. Caso não consigam alcançar os níveis de redução necessários, podem comprar 1% dessa obrigação de redução dos países em desenvolvimento. É o que explica o biólogo Kenny Tanizaki Fonseca, doutor em Geoquímica Ambiental pela UFF, um dos criadores do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LARAMG/UERJ) e fundador da ONG Matlan. O especialista, que atua no mercado de carbono há dez anos, está envolvido em vários projetos relacionados ao assunto.

A partir da necessidade de não ultrapassar a meta de emissão de gases estufa e do compromisso de reduzi-la, países desenvolvidos estabelecem projetos em nações em desenvolvimento, através, por exemplo, do repasse de tecnologia, de ações de reflorestamento e do desenvolvimento de energias alternativas. Dessa forma, podem ficar "quites" com suas obrigações de redução, compensando parte do que emitem e ajudando a evitar que o efeito estufa se agrave.

Dentro desse panorama, o Brasil pode ser parceiro de outros países na realização de projetos do que se tem chamado de "seqüestro de carbono", e contar com o apoio econômico deles. Pode, também, ser o executor único dos projetos, arcando com seus custos de implementação e manutenção, para então ser vendedor de créditos de carbono – que são os certificados que autorizam o "direito de poluir" – no mercado internacional desenvolvido para isso.

A idéia inicial, conforme afirma Fonseca, era a criação de um fundo para a negociação dos créditos de carbono. Mas, como isso não aconteceu, estabeleceu-se um mercado de ações voltado para a negociação desses créditos. E as empresas, investindo em projetos por conta própria, deram início a um mercado paralelo.

Por essa razão, hoje há créditos mais "seguros", que valem mais, e outros menos "seguros", e conseqüentemente com valor mais baixo. Para que um projeto se encaixe dentro das regras do MDL, ele precisa absorver dióxido de carbono da atmosfera – o que é o caso dos reflorestamentos – ou evitar o lançamento de gases do efeito estufa – no caso de eficiência energética.

Além disso, o projeto precisa adicionar ao meio ambiente alguma vantagem que não existiria sem ele – dentro do critério da adicionalidade, que é justamente a comparação entre o cenário ambiental com e sem o projeto.

A certificação de uma área para que ela passe a fazer parte do mercado de carbono tem um custo alto, e só vale a pena em determinados casos. Segundo Fonseca, o órgão que regulamenta as ações de redução de emissões tem critérios muito rígidos.

No site da Convenção-Quadro das Nações Unidas relativa às Alterações Climáticas (UNFCCC) é possível conhecer os projetos que estão sendo avaliados.

Seqüestradores de carbono

Apesar do panorama positivo dessa medida, segundo Fonseca, a cada ano se acumulam na atmosfera nada menos que três gigatoneladas – ou três bilhões de toneladas – de CO2.

Para compensar isso, neutralizando o CO2 da atmosfera, seriam necessários aproximadamente dez milhões de quilômetros quadrados reflorestados – para se ter uma idéia do tamanho disso, a área do Brasil é de aproximadamente 8,5 milhões de km2. E, mesmo que houvesse um replantio imediato equivalente a uma área desse porte, há ainda um outro fator: enquanto a emissão se dá de forma acelerada, o seqüestro de carbono é um processo lento.

Não é motivo, no entanto, para desânimo. Pelo contrário: é importante que cada um saiba que pode fazer a sua parte para ajudar a "seqüestrar" o carbono da atmosfera, ou seja, colaborar para a limpeza do ar e conseqüentemente ajudar a reverter o quadro crítico das mudanças climáticas globais.

Qualquer pessoa que tenha consciência da importância das florestas para o equilíbrio ambiental pode contribuir, por exemplo, para o plantio de árvores, com o objetivo de compensar pelo menos parte de suas emissões pessoais de CO2.

Ao realizarem a fotossíntese, as plantas retiram gás carbônico da atmosfera e o armazenam de maneira segura, e ainda liberam oxigênio. O desmatamento tem, portanto, um duplo efeito negativo: tanto o da redução do número de árvores que poderiam estar "seqüestrando" CO2 da atmosfera quanto o da liberação do gás carbônico contido nas árvores que são derrubadas.

O site da UNFCCC dá essas explicações e ainda lembra que os benefícios conseguidos com a derrubada de árvores, apesar de às vezes indispensáveis para a sobrevivência humana, têm um efeito de curto prazo e são bem menores e restritos a menos pessoas do que aqueles trazidos pela manutenção das florestas, que são globais e de longo prazo.

Já que uma área de vegetação localizada em qualquer lugar do mundo traz benefícios para o planeta todo, de acordo com o Protocolo de Quioto se alguns países desenvolvidos não tiverem onde fazer reflorestamentos ou como fazer isso de forma economicamente viável em seus próprios territórios eles podem usar o espaço disponível em outros países para esse fim.

Plantando e cuidando da manutenção das florestas que estabelecerem nessas áreas eles poderão estar compensando parcialmente suas emissões de gases causadores do efeito estufa. (Leia mais aqui).

A ONG SOS Mata Atlântica, com a qual Kenny Fonseca vem desenvolvendo trabalhos, concretiza a possibilidade de todos colaborarem para a reversão desse quadro com seu programa "Florestas do Futuro", através do qual tanto pessoas físicas quanto empresas podem financiar o plantio árvores.

O site do programa fornece uma "calculadora de carbono", a partir da qual cada um pode estimar qual a quantidade de CO2 que resulta de suas atividades diárias.

Para começar a colaborar para o reflorestamento e ajudar a neutralizar o carbono na atmosfera, o mínimo que o programa aceita como contribuição individual é o financiamento do plantio de três árvores, por R$ 30.

Nesta página, o site exibe plantios que estão em andamento, financiados por empresas, e em outra página mostra estatísticas de quantas pessoas e empresas já colaboraram plantando árvores no Brasil.

Retirada de amostra para análise de densidade e teor do carbono
Erosão: retirada das florestas expõe o solo
Técnica de escalada para medir estoque de carbono em grandes árvores

Fotos de Kenny Tanizaki Fonseca.

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  1. Cristiane Mendes disse:

    ACHEI MUITO INTERESSANTE AS INFORMAÇÕES CONTIDAS AQUI…AS MESMAS ME AJUDARAM NUMA PESQUISA QUE ESTOU REALIZANDO PARA MINHA FACULDADE, NA DISCIPLINA DE GESTÃO DE RESP SOCIAL.
    AGRADEÇO PELA AJUDA!
    UM ABRAÇO

  2. Luiz Alberto disse:

    Entendo a necessidade de se reduzir a emissão de gazes poluentes, mas quando vejo pessoas colocando o sequestro de carbonos como meios de reduzir a poluição, fica a duvida? Se poluição não é mercadoria, como podemos comercializa-la? Qual a ética por traz disto? Para mim poluir é errado, então os países ricos pagam para continuar poluindo, ou seja, não mudou nada, eles continuam poluindo e ainda mais, desde que paguem para isto. Creio que esta na hora de se criar mecanismos que efetivamente controlem a emissão e não transformar tudo questão de mercado financeiro. Abraço, Luiz

  3. Adelúzio Azevedo disse:

    Moro em Palmas -TO, sou economista e estou entrando agora nesse mercado de sequestro de carbono. Preciso de informações sobre o assunto. Temos aqui várias empresas que plantaram eucalípito,+/- 500ha, essas plantações já se encontram com +/- sete anos acredito que seja a época de começar sequestrar esse carbono. Como fazer isso? Aguardo contatos.

  4. Renato Cesar disse:

    concordo que devemos diminuir a carga de ataque contra gaia, isto é um questão de sobrevivencia de nossa espécie sobre a biosfera, mas a metodologia do "sequestro de carbono" deve ser revista, pois acaba sendo um meio de inibir o desenvolvimento de nações mais pobres. O clima está mudando isto é irreversivel devemos nos preparar para sobreviver a esta "verdade dificil de ceitar".

  5. Luiz Gustavo C. Gurgel disse:

    Temos que nos irmanarmos para combater o aquecimento global. Este projeto é maravilhoso, mas dependemos da contribuição de todos, iniciando por nós.

  6. Tiago Dias Ferracioli Azevedo disse:

    O projeto é excelente ,com isso o aquecimento Global vai diminuir,com o objetivo de almentar a vegetação ,as pessos darão mais tempo de vida ao nosso querido planeta Terra.

  7. Mauro basotti disse:

    Vocês estào no caminho certo,é preciso fazer alguma coisa pela vida na terra.

  8. josé moacir disse:

    uma das formas mais viáveis de estimular as pessoas a replantar árvores, é por meio de incentivo financeiro, portanto, deve surtir resultado.