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PROBLEMA CRESCENTE

Poluição por resíduos plásticos gera preocupação mundial

Apenas 9% dos plásticos descartados no mundo são reciclados; 60% são jogados em aterros sanitários ou em terrenos baldios

Poluição por resíduos plásticos gera preocupação mundial
Adoção de hábitos mais sustentáveis ajudaria a combater o problema (Foto: Pixabay)

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Os resíduos de plásticos, como peças de automóveis e sacolas de supermercados, poluem o meio ambiente no mundo inteiro. Os homens não pouparam nem a Lua, onde a bandeira de nylon dos Estados Unidos foi hasteada por Neil Armstrong em 1969. Mais de 8 bilhões de toneladas de material plástico foi produzido desde a década de 1950, o suficiente para embrulhar quatro vezes a Terra.

Apenas 9% dos plásticos descartados são reciclados; 60% são jogados em aterros sanitários ou em terrenos baldios, rios etc. As toneladas de lixo plástico jogadas nos mares atraem toxinas engolidas por peixes e crustáceos, que servem de alimento aos seres humanos.

Nove em dez europeus preocupam-se com o impacto do lixo plástico nos ecossistemas. Três em cada quatro questionam o dano que pode causar à saúde. No Reino Unido, a rejeição aos produtos de plástico une personagens como a rainha Elizabeth, que proibiu canudos de plástico em seus castelos, a veículos de comunicação com linhas editoriais tão diferentes, como o jornal de direita Daily Mail e o de esquerda Guardian. Mas limitar seu uso é na melhor das hipóteses uma solução parcial.

Os efeitos dos resíduos de plásticos na poluição ambiental e na saúde dos seres humanos são difíceis de avaliar. Segundo uma estimativa, os custos ambientais e sociais do uso de produtos de plástico atingiram US$ 139 bilhões por ano devido, em grande parte, à emissão dos gases de efeito estufa produzidos em sua fabricação e transporte. Na agricultura o custo equivale a US$ 3 trilhões. Os fertilizantes despejados no mar causam um dano ambiental avaliado em US$ 200 bilhões a US$ 800 bilhões, um prejuízo bem superior ao custo de US$ 13 bilhões dos resíduos de plástico jogados no mar.

No entanto, as proibições e penalidades aplicadas ao uso de sacos de plástico em países desenvolvidos têm um efeito mais moral do que de preservação do meio ambiente. São medidas que se justificam em países de baixa renda como Bangladesh e Quênia, que não têm sistemas adequados de gerenciamento de resíduos. Os países desenvolvidos teriam mais sucesso em combater a poluição ambiental com o investimento na tecnologia de reciclagem. Agora, um projeto ainda mais prioritário depois da decisão da China em janeiro de proibir as importações de resíduos de plástico para reciclá-los.

Dos dez países em desenvolvimento que mais poluem o meio ambiente com resíduos de plásticos, oito localizam-se na Ásia. Juntos, eles são responsáveis por dois terços do plástico lançado no oceano. Desses países, apenas a China teria condições de arcar com um sistema eficiente de gerenciamento de resíduos em um futuro próximo.

Bangladesh pode imitar a Índia, que, apesar de 1,3 bilhão de habitantes, recolhe o lixo com seus milhões de trapeiros. O mundo desenvolvido precisa pressionar os países asiáticos a adotarem medidas para reduzir a poluição de detritos plásticos, entre as quais a diminuição do uso de sacos plásticos, a educação ambiental para todos os segmentos da sociedade e todas as faixas etárias, a adoção de hábitos sustentáveis e um gerenciamento de resíduos mais eficaz, mesmo com poucos recursos financeiros.

 

Leia também: Os vários problemas dos oceanos de plástico
Leia também: Os primeiros passos da reciclagem

Fontes:
The Economist - Don’t bin plastic. To solve the polymer problem look East

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1 Opinião

  1. Infhidro ¨Soluciones en plástico hidrosoluble¨ disse:

    Como artigo informativo é muito interessante pois fala na geral do impacto dos plásticos nos oceanos, e fala só de sacolas sem tocar a micro plástica proveniente do consumo de artigos cosméticos onde o maior uso fica em países desenvolvidos. Não existe uma solução imediata ao plástico, existem atenuantes que, eu acho, deveriam ir pelo caminho do uso de plásticos biobasados combinado com o uso dos plásticos tradicionais e uma forte campanha de educação. Acontece que o calcanhar de Aquiles fica na disposição final do plástico e não na modificação dele. ¿por quê? Pois sim você joga na natureza um plástico base amido vegetal ele não vai ser integrado no chão como por arte de magia, pois os plásticos compostáveis tem esta caraterística em um entorno de compostagem industrial que não é dada na natureza. O mesmo por exemplo aconteceria com o plástico hidrossolúvel, sim você joga incorretamente ele não vai degradar pois suas propriedades serão exitosas em um entorno de água. Portanto o segredo de redução do impacto do plástico está em recolher o mesmo, reciclar e reutilizar, ou bem recolher e dispor corretamente nos locais de disposição final, sejam aterros sanitários as plantas de compostagem conforme as caraterísticas do produto. É logico que não existe uma recolhida perfeita, portanto muito dos plásticos poderiam conter aditivos pro-degradantes que é um produto que funciona como uma espécie de ¨seguro plástico¨, onde sim ele fica livre na natureza vai degradar por efeito da fotodegradação. Em tema plástico as soluções por enquanto são intermedias e não definitivas.

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