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Terremoto

Quando e por que os terremotos acontecem?

Entenda o movimento das placas tectônicas que gerou o terremoto no Nepal

Quando e por que os terremotos acontecem?
A placa Indo-australiana ainda está se movendo para o norte e sendo pressionada para baixo pela placa da Eurásia. O terremoto no Nepal foi um movimento brusco no sistema de falhas paralelo à frente do Himalaia que marca a fronteira entre as placas (Reprodução/Wikimedia)

O terremoto de magnitude de 7,8 que atingiu o Nepal em 25 de abril, ocorreu na fronteira entre duas das placas tectônicas da Terra. Neste caso, entre as placas Indo-australiana e a da Eurásia. As placas são estruturas rígidas feitas de crosta da Terra e da camada superior de seu manto. No geral, há sete grandes e várias pequenas. Elas se movem, em média, a velocidades semelhantes ao do crescimento das unhas, que é de poucos centímetros por ano. A média, no entanto, é enganosa, porque como as placas são rígidas, as pressões e tensões nas fronteiras entre elas muitas vezes se acumulam durante séculos antes de serem libertadas de uma vez, quando há os terremotos.

Há três maneiras como as placas podem se mover em relação a outra: eles podem se afastar; deslizar umas sobre as outras; ou se chocar uma na outra. Cada possibilidade oferece um tipo diferente de terremoto. Os lugares onde elas se afastam uma da outra são as “cristas de espalhamento” nos oceanos ao longo do qual uma nova crosta oceânica, mais fina e mais densa do que a de que os pedaços de placas continentais são compostas, é feita. Os terremotos nessas fronteiras tendem a ser frequentes, pequenos e sem problemas, porque muitas pessoas não vivem no meio do oceano e estes terremotos não costumam provocar maremotos. Já nos lugares onde as placas deslizam umas sobre as outras, os terremotos podem ser mais preocupantes. Isso é o que está acontecendo ao longo da falha de San Andreas, na Califórnia, onde a placa do Pacífico entra em atrito com a placa norte-americana.

Mas o choque das placas é o movimento que produz a maior parte dos maiores e mais prejudiciais terremotos. Tipicamente, quando isso acontece, uma placa começa a deslizar sob a outra. O atrito envolvido neste processo pode produzir maremotos, como o que aconteceu no Japão em 2011, e vulcões, que são alimentados pelo derretimento da crosta profunda. As zonas na borda da placa do Pacífico são a razão para o “círculo de fogo do Pacífico”, área de grande incidência de terremotos.

Esse deslizamento é relativamente fácil quando pelo menos uma das placas envolvida é feita de crosta oceânica densa, e deste modo é capaz de afundar as camadas subjacentes do manto. Quando a placa, em que a Índia está localizada, começou a se mover em direção à placa da Eurásia há dezenas de milhões de anos, a crosta oceânica da placa, em que a Índia está, começou a deslizar por de baixo da borda da placa da Eurásia. Durante este processo, uma grande quantidade de sedimentos do fundo do mar foi adicionada a borda do continente. Quando o pedaço mais flutuante da placa, que a Índia está, atingiu a Ásia, as coisas mudaram. Afinal, a placa asiática empinou e não é mais capaz de simplesmente passar por cima da placa indiana. Logo, os sedimentos do fundo do mar ficaram presos à borda principal da placa asiática, se tornando a cadeia de montanhas mais alta do mundo. A velocidade com que os dois continentes estavam convergindo abrandou com o aumento da resistência.

A placa indo-australiana ainda está se movendo para o norte e sendo pressionada para baixo pela placa da Eurásia. O terremoto no Nepal foi um movimento brusco no sistema de falhas paralelo à frente do Himalaia que marca a fronteira entre as placas. Tais grandes choques não são comuns, mas eles vão continuar acontecendo durante milhões de anos. Em algum ponto, no entanto, o limite da extensão em que o continente indiano pode ser empurrado será atingido.

 

Fontes:
The Economist-Where earthquakes happen, and why

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