Início » Brasil » Salles chama ativistas do Greenpeace de ‘ecoterroristas’
MEIO AMBIENTE

Salles chama ativistas do Greenpeace de ‘ecoterroristas’

Organização responde afirmando que 'ecoterrorismo é deixar sujar a praia' e é bloqueada pelo ministro do Meio Ambiente no Twitter

Salles chama ativistas do Greenpeace de ‘ecoterroristas’
Greenpeace revelou ter sido bloqueado pelo ministro nas redes sociais (Foto: Adriano Machado/Greenpeace)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chamou de “ecoterroristas” ativistas do Greenpeace que fizeram um protesto contra a falta de ação do Ministério do Meio Ambiente em relação à mancha de óleo no litoral do Nordeste na última quarta-feira, 23.

Usando tinta preta, os manifestantes reproduziram uma praia suja de óleo em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Após o protesto pacífico, os manifestantes foram detidos pela polícia, sendo liberados três horas depois, segundo informou o Greenpeace pelas redes sociais.

Em uma postagem no Twitter, Salles voltou a acusar o Greenpeace de não ajudar na limpeza das praias do litoral nordestino, chamou os manifestantes de “ecoterroristas” e disse que eles “depredam patrimônio público”, compartilhando um vídeo com a manifestação da ONG em frente ao Planalto.

O Greenpeace, por sua vez, respondeu diretamente a Ricardo Salles, afirmando que está ajudando na limpeza das praias através dos seus grupos de voluntários. Em imagens divulgadas pela própria ONG, diferentes pessoas com a camisa do Greenpeace aparecem limpando o óleo nas praias. Segundo a entidade, o Ministério do Meio Ambiente tenta mascarar a falta de ação na região jogando a responsabilidade pela limpeza para ONGs.

“O governo Bolsonaro e seus órgãos competentes estão falhando no combate às manchas de óleo no Nordeste. […] Enquanto isso, os cidadãos realizam, como podem, a limpeza das praias. Nos últimos dias, voluntários do Greenpeace, de outras entidades e cidadãos comuns também contribuíram com o esforço realizando atividades, ajudando em trabalhos de combate ao óleo e documentando os locais atingidos”, escreveu a ONG.

Após a resposta, o Greenpeace revelou que foi bloqueado por Salles no Twitter de Ricardo Salles, sendo impedido de fazer cobranças diretas ao ministro e responder acusações através da rede social. “Do que você tem medo, Salles?”, questionou a ONG.

Sobre o ato realizado em Brasília, o Greenpeace esclareceu que usou maisena, água, óleo de amêndoa e corante preto para ilustrar o óleo. Ademais, revelou que todo o ato em frente ao Palácio do Planalto foi limpo em menos de cinco horas e ironizou a atuação do governo federal.

“Menos de cinco horas depois, o Planalto já está limpo. Viu como é fácil, @rsallesmma? Seria lindo se o governo @jairbolsonaro agisse com a mesma rapidez para retirar o óleo das praias do Nordeste. Estamos aqui pra lembrar que ecoterrorismo é deixar sujar a praia e não o chão”, destacou a ONG.

Óleo venezuelano

Em rede nacional, o ministro Ricardo Salles revelou que solicitou à Organização dos Estados Americanos (OEA) um posicionamento da Venezuela sobre o óleo que atinge o litoral nordestino. Segundo o governo federal, o petróleo seria venezuelano.

“Amostras do material coletado foram analisadas em laboratórios especializados, que identificaram que esse material não foi extraído do território nacional, mas provém, conforme demonstrado por análise técnica, de poços e misturas de origem venezuelana. […] O presidente da República determinou que fosse encaminhada solicitação formal à OEA, a Organização dos Estados Americanos, para que a Venezuela se manifeste sobre o material coletado”, afirmou o ministro.

De acordo com o último levantamento da Marinha do Brasil, divulgado na noite da última terça-feira, 22, mais de mil toneladas de resíduos já foram recolhidos das praias nordestinas. O trabalho de combate ao óleo está sendo realizado por militares, órgãos especializados, voluntários e ONGs.

O óleo atinge todos os estados do Nordeste brasileiro desde o início do mês de setembro – inicialmente, apenas oito estados tinham sido atingidos. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 233 localidades já foram afetadas e 39 animais foram impactados, com 18 indo a óbito

Leia mais: UFBA cria técnica para usar resíduos de óleo em mistura para asfalto

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

5 Opiniões

  1. RENATO KLEIN disse:

    Por que será que não vemos ONGs e outras organizações internacionais protestarem contra o drramamento criminoso de óleo nas praias do Brasil?

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    GREENSHIT já diz tudo. Em vez de protestar contra Venezuela que suja, protestam contra o Brasil que foi poluído.

  3. Leonora Hermes Luz disse:

    A Greenpeace não é responsável por limpar praias (não são GreenGaris) e o plano de contenção para caso de emergência existe e não foi ativado.
    A nacionalidade do petróleo derramado não tem importância, poderia ser brasileiro, americano, saudita, pouco importa, o que é claro é que o Salles não agiu, não se importa com ecossistema e não foi expulso do governo Alkmin com pena de três anos sem cargo público por acaso. É um ser odioso que nunca poderia estar numa pasta que requer responsabilidade e amor pela ecologia.

  4. Jessica disse:

    Ricardo Salles ajudando na depredação da natureza, é um sem
    nocão!

  5. Jayme Mello disse:

    Infelizmente, não posso ajudar em nada para amenizar os prejuízos causados por esse “desastre ambiental”, aliás, sem precedentes em nossa terra.

    E, aqui declaro que nada posso fazer, por uma razão bem simples; nada sei e, penso por cá, que outras pessoas…,numa absurda crise de lucidez, poderiam aqui tomar a mesma atitude e SAIR DE FININHO…

    Todavia, nesse “MARASMO NEGRO SEM PRECEDENTES” existem pessoas, ditas autoridades no assunto, as quais, isto porque e, até prova em contrário, TAMBÉM NÃO SABEM NADA SOBRE A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE, ou seja absolutamente NADA SOBRE O MEIO AMBIENTE.

    Portanto, tendo em vista que desgraçadamente – neste caso específico, não existe preparo, intelectual, técnico e, experiência laboral, com a “coisa pública”, assim – deveria ao menos SOBRAR, HUMILDADE, EDUCAÇÃO, enfim, ao menos, um pequeno traço” de pessoa civilizada.

    Concluindo, definitivamente – devemos (todos) pensar SEMPRE no voto com o cérebro, pois, quando (alguns) ousam pensar com o “intestino grosso” o resultado…

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *