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Cultura machista

Mulheres não são respeitadas na América Latina

As mulheres latino-americanas fizeram um grande progresso na luta pela igualdade, mas não são tratadas com respeito nem dignidade

Mulheres não são respeitadas na América Latina
As mulheres latino-americanas fizeram um grande progresso no sentido de ter uma igualdade de direitos com os homens, sobretudo nos colégios, locais de trabalho e na política (Foto: Wikimedia)

A foto “O prazer de Cristina” atraía a atenção da capa da edição de 2012 da revista argentina Noticias. Uma caricatura da presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, dava a impressão que ela estava prestes a ter um orgasmo, com a cabeça jogada para trás e a boca aberta. “Ela está cada vez mais confiante, sensual e com menos pudor”, dizia o texto da matéria. Para mais esclarecimentos, os leitores eram convidados a assistir a um vídeo online da presidente masturbando-se.

O bom gosto e a discrição não atraem os leitores de tabloides em nenhum país do mundo, mas é difícil imaginar que até mesmo um tabloide sensacionalista britânico descreveria uma mulher, que ocupa um cargo político nesses termos tão grosseiros. Mas o tom do artigo da revista Noticias reflete um paradoxo latino-americano. As mulheres fizeram um grande progresso no sentido de ter uma igualdade de direitos com os homens, sobretudo nos colégios, locais de trabalho e na política. Porém, a mentalidade e o comportamento social não acompanharam esse progresso no mesmo ritmo. As ambições das mulheres são em geral desprezadas e a hostilidade em relação a elas é um sentimento comum. As estatísticas relatam uma história de avanços femininos, mas a cultura machista continua a negar à mulher o direito de ter as mesmas prerrogativas dos homens.

No último quarto de século, a proporção das mulheres no mercado de trabalho aumentou mais na América Latina do que em qualquer outra região. Mas, na verdade, são empregos que exigem menos experiência ou conhecimento, além de oferecerem salários baixos: o trabalho doméstico é a maior fonte de emprego feminino. No entanto, agora as mulheres estudam por mais tempo do que os homens, o que sugere uma mudança de status. Diversas mulheres exercem funções importantes nas empresas latino-americanas. Mulheres ocupam cargos de direção no Grupo Rede Energia, uma das maiores empresas de distribuição de energia elétrica do Brasil, e na B2W, uma empresa líder do comércio varejista online no país. Isela Costantini é CEO das operações da General Motors na Argentina, Uruguai e Paraguai.

As mulheres ainda são presenças minoritárias nos conselhos de administração das empresas latino-americanas. Mas não na política. As mulheres representam um quarto do número de membros dos órgãos legislativos da região, em comparação com a proporção de uma em cada sete homens em 2003. Vários países, entre eles Argentina, Brasil e México, adotaram o sistema de cotas para mulheres nas listas de candidatos de partidos políticos. Nos últimos dez anos, os eleitores elegeram mulheres para as presidências do Brasil, Chile, Costa Rica e Argentina, onde Cristina Kirchner ganhou as eleições presidenciais após a morte do marido, Néstor Kirchner.

Entretanto, os latino-americanos não tratam as mulheres com dignidade. Apenas um terço diz que as mulheres devem ser respeitadas, cerca de metade do número de homens que pensam do mesmo modo no Oriente Médio e na África, segundo uma pesquisa da Gallup. No Peru e na Colômbia, onde há uma proporção maior de mulheres em cargos de chefia nas empresas do que em outros países da América Latina, só um quinto das pessoas dizem que admiram e respeitam as mulheres.

Fontes:
Economist-Sex and society in Latin America

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