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Nasa sofre com ameaça de cortes no orçamento

Incertezas no orçamento e ameaças constantes de interrupção de projetos prejudicam desenvolvimento das pesquisas da agência

Nasa sofre com ameaça de cortes no orçamento
Pesquisadores trabalham sob a ameaça de interrupção de seus projetos por corte de verbas (Foto: Pixabay)

Os Estados Unidos pediram para a Nasa fazer coisas extraordinárias com pouco dinheiro. Explorar Marte, documentar a mudança climática, impedir que asteroides atinjam a Terra e achar vida em uma das quatro luas de Júpiter, tudo isso com menos de 0,5% do orçamento federal. A incerteza em relação ao orçamento de 2015 no Capitólio prejudica o programa espacial americano.

“Eu mantenho um alerta no Google News com as palavras-chave “Nasa orçamento”, “Orçamento federal” e “Desligamento governo”, disse o investigador-chefe da missão Osiris-REX da agência, Dante Lauretta. Este projeto consiste em uma nave que pousará em um asteroide para estudá-lo, colher amostras e voltar à Terra. O módulo está pronto para ser lançado em 2016, porém a falta de um acordo sobre o orçamento de 2013 causou uma alteração no cronograma de desenvolvimento de um instrumento-chave do protótipo, aumentando seu custo em US$ 1,7 milhão.

De acordo com o diretor do programa de Telescópio Espacial, Eric Smith, a Nasa desenvolveu planos de contingência para colocar hardwares em ambientes seguros, caso a ordem de interrupção da pesquisa seja dada.

“Em 2013, alguns dos nossos instrumentos científicos, incluindo os de alguns parceiros estrangeiros, estavam em um vácuo criogênico quando a ordem de paralisação veio. Nós fomos autorizados a manter o hardware em segurança no vácuo gelado, mas não pudemos continuar os testes com ele”, disse Smith.

Atrasos prejudicam projetos importantes

Esse atrasos não são acontecimentos banais na agência. Tudo lá é testado, primeiro em isolamento, depois em conjunto. Cada parte deve se provar funcional em suas especificações de engenharia antes de ser utilizada em um foguete ou nave espacial, onde serão realizados novos testes para observar o funcionamento em conjunto. As coisas funcionam na Nasa quando a agência traça um objetivo claro e direto, além de ter apoio para a sua realização. Fluxos de financiamento incertos adicionam um elemento instável no processo, onde instabilidade significa perder um hardware insubstituível e a interrupção do projeto.

Há dois anos, um protótipo da Nasa que custou US$ 671 milhões e tinha o objetivo de estudar a composição da atmosfera marciana (Maven), estava no Kenedy Space Center pronto para ser lançado, mas sem ninguém para apertar o botão. O Congresso e a administração Obama competiam para saber quem iria ceder primeiro, porém os planetas não esperam. Se o Maven não fosse lançado antes do fechamento da janela de decolagem, a posição de Marte em relação à Terra forçaria um atraso de 26 meses no envio da sonda. Isso teria repercussões em todas as missões marcianas subsequentes ao Maven, já que os cientistas teriam que aguardar pelos dados de estudos e análises. O lançamento foi feito no último minuto.

Relatório se repete

Em um relatório anual do ano passado, o inspetor geral da Nasa, Paul K. Martin, informou que “incertezas fiscais” agravaram o problema da agência impossibilitando-a de atingir suas metas já subfinanciadas. “O principal desafio enfrentado por líderes da Nasa em 2015 será o de gerir, de forma eficaz, programas variados da agência em um ambiente orçamentário incerto”. O relatório anual de 2013 disse a mesma coisa, assim como o relatório de 2012.

Se a agência continuar sendo assombrada por incertezas orçamentais, é fácil adivinhar o que o próximo relatório do inspetor-geral vai dizer.

Fontes:
NY Times-When Congress Puts NASA on Hold, Planets Don’t Wait

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