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Saúde

O setor farmacêutico: o custo do fracasso

Uma estimativa do custo do desenvolvimento de novos remédios é vista com ceticismo

O setor farmacêutico: o custo do fracasso
Desenvolvimento de novos remédios é um dos processos mais caros do setor farmacêutico (Foto: Reprodução/Economist)

No setor farmacêutico poucas questões envolvem custos financeiros tão elevados como o desenvolvimento de novos remédios. Durante alguns anos a indústria farmacêutica dos dois lados do Atlântico investiu de $1.2 bilhões a 1.8 bilhões na produção de novos medicamentos. Um estudo recente do Centre for the Study of Drug Development da Universidade de Tufts em Massachusetts avaliou que o custo médio do desenvolvimento de remédios de 1995 a 2007 foi de $2.6 bilhões. Os Médicos sem Fronteiras, uma organização internacional, não governamental e sem fins lucrativos, e a Union for Affordable Cancer Treatment, um grupo de pessoas dedicado a aumentar o acesso ao tratamento de câncer a preços acessíveis, discordam dessa nova estimativa de custo.

O principal ponto de controvérsia é o custo global para desenvolver novos remédios, que abrange o valor dos medicamentos não aprovados, além do investimento em P&D. A avaliação do estudo da Universidade de Tufts incluiu $1.2 bilhões de retorno do capital investido enquanto o remédio está sendo desenvolvido, com o pressuposto que terá um rendimento generoso de 10,5% por ano. Os $1.4 bilhões restantes representam o custo de P&D de uma seleção aleatória de medicamentos, multiplicado pelos fatores de risco implícitos nas hipóteses de fracasso em cada etapa.

Remédios bem-sucedidos custam bem menos do que o valor de $1.4 bilhões. Mas o caminho para aprová-los é repleto de dificuldades e surpresas, como o prejuízo de $800 milhões da Pfizer na produção do torcetrapib, um tratamento potencial para níveis altos de colesterol, interrompida em 2006. Jeff Williams, o CEO da Clinipace WorldWide, uma organização de pesquisa clínica (CRO), disse que as pequenas e as médias empresas com as quais a Clinipace trabalha, conseguem desenvolver novos remédios por menos de $500 milhões.

James Love, o executivo-chefe do Knowledge Ecology International, um grupo que estuda e comenta temas sobre justiça social, observou que os gigantes do setor farmacêutico usaram estimativas de custos médios elevados, para controlar a produção de medicamentos específicos patenteados em países em desenvolvimento como a Índia, uma grande produtora de medicamentos genéricos de boa qualidade e baixo custo.

Fontes:
Economist-The price of failure

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