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Ebola

O vírus do ebola continua presente em olho de sobrevivente

Em menos de dois meses depois de sua cura, Ian Crozier voltou ao hospital com a cor do olho diferente

O vírus do ebola continua presente em olho de sobrevivente
A causa do problema era que seu olho estava com o vírus do ebola (Foto: Wikimedia)

Quando o médico Ian Crozier foi liberado do Hospital Universitário da Emory em outubro do ano passado, depois de uma luta contra o ebola, sua equipe médica pensou que ele estava curado. Mas em menos de dois meses, ele estava de volta ao hospital com a vista turva, dor intensa e crescente pressão em seu olho esquerdo. Além disso, a cor de seu olho tinha mudado de azul para verde.

A causa do problema era que seu olho estava com o vírus do ebola. Não só a visão de Crozier estava em risco, mas os médicos que o trataram também ficaram preocupados se poderiam ter contraído a doença e se o paciente poderia continuar a espalhar o vírus. Afinal, acreditava-se que Crozier estivesse curado e o oftamologista que extraiu fluído de seu olho não usava equipamentos de proteção. O oftalmologista se colocou em uma espécie de mini-quarentena, limitando seu contato com sua família. As superfícies nos laboratórios de teste também foram desinfectadas.

Meses atrás, Crozier contraíu o ebola enquanto trabalhava em uma enfermaria de tratamento da doença, em Serra Leoa, como voluntário da Organização Mundial de Saúde. Até o momento que ele deixou Emory, seu sangue não tinha o vírus. Embora ele pudesse persistir no sêmen durante meses, os pesquisadores pensaram que os outros fluidos estivessem livres.

Apesar da infecção dentro de seu olho, as lágrimas de Crozier e a superfície de seu olho estavam livres do vírus, de modo que ele não representava qualquer risco para pessoas que tiveram contato ocasional com ele. Apesar disso, o medo em relação à doença estava de volta. O vírus pode ter encontrado refúgio no olho do paciente, porque, segundo os pesquisadores, o olho fica isolado do sistema imunológico.

Outros sobreviventes do ebola na África Ocidental relataram sintomas persistentes ou novos meses mais tarde, como dores de cabeça, dor crônica, bem como problemas no olho. Mais de um ano após a epidemia na África Ocidental, os médicos ainda estão aprendendo sobre o curso da doença e seus efeitos prolongados em sobreviventes.

Fontes:
The Washington Post-Ebola is (still) living in an American doctor’s eye
The New York Times-After Nearly Claiming His Life, Ebola Lurked in a Doctor’s Eye

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