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Os trabalhadores devem poder cochilar no trabalho?

Uma análise de 2016 conduzida pela Rand Corporation calcula o impacto de trabalhadores privados de sono na economia dos EUA em US$ 411 bilhões por ano

Os trabalhadores devem poder cochilar no trabalho?
Acredita-se que cerca de 70 milhões de americanos sofrem de um distúrbio do sono (Foto: Nathan/Flickr)

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Embora dormir no trabalho tenha sido desaprovado por muito tempo por funcionários federais, nunca havia sido explicitamente proibido até agora.  O governo dos EUA decidiu ter regras mais rígidas com cochilos. 

“Todas as pessoas são proibidas de dormir em prédios federais, exceto quando tal atividade é autorizada por um funcionário da agência”, disse uma diretiva ordenada pela Administração de Serviços Gerais no início deste mês.

Não está claro o que motivou a diretiva oficial – eles se recusaram a comentar -, mas não é a primeira vez que um governo precisa reprimir a soneca dos trabalhadores. Em 2018, o Gabinete de Auditoria do Estado da Califórnia divulgou um relatório sobre uma funcionária do Departamento de Veículos Motorizados que dormia até três horas por dia. O relatório estimou que os cochilos do trabalhador custam ao estado US$ 40.000 em perda de produtividade em quatro anos.

O relatório dizia que os cochilos dela forçavam seus colegas a cobri-la e a recuperar sua folga. A trabalhadora não foi advertida, porque seu supervisor estava preocupado com o problema de saúde que causava a sonolência. 

Lawrence Epstein, ex-presidente da Academia Americana de Medicina do Sono e Diretor Médico de Clínica Médica do Sono no Brigham and Women’s Hospital em Boston, estima que cerca de 70 milhões de americanos sofrem de um distúrbio do sono. 

Um estudo recentemente publicado da Ball State University, em Indiana, que examinou a duração do sono relatada por 150.000 pessoas, descobriu que o número de entrevistados que dormiam sete horas por noite ou menos aumentou para 35,6% em 2018, de 30,9% em 2010. Quase metade dos entrevistados, que eram policiais e profissionais de saúde, relatou não ter dormido o suficiente.

“Algumas empresas estão se conscientizando disso e estão fornecendo maneiras de resolver o problema. Infelizmente, não acho que nossas agências governamentais estejam na liderança”, disse Epstein à BBC. “É algo que pode e deve ser tratado, mas, infelizmente, muitas vezes não é”.

Toda essa privação de sono pode afetar a saúde das pessoas – e a economia. A falta de sono tem sido associada a uma infinidade de problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes, doenças cardíacas e derrames, além de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. 

Uma análise de 2016 conduzida pela Rand Corporation calcula o impacto de trabalhadores privados de sono na economia dos EUA em US$ 411 bilhões por ano, incluindo perda de produtividade. 

Epstein e outros especialistas apoiam a permissão dos trabalhadores para tirar um cochilo durante o trabalho. “As pessoas privadas de sono não funcionam da melhor maneira possível e têm um risco maior de acidentes de trabalho e acabam custando mais às empresas porque têm mais problemas de saúde”, diz Epstein. 

Por isso, algumas soluções estão aparecendo. O primeiro estúdio de cochilos do Canadá – chamado “Nap It Up” – abriu recentemente suas portas. Seu fundador, Mehzabeen Rahman, disse que teve a ideia quando trabalhou longas horas em um banco. 

Localizados em uma parte movimentada de Toronto, os trabalhadores podem ir até o estúdio e alugar uma cama de solteiro por 25 minutos por C$ 10 (US$ 7,6). As camas são divididas por cortinas pesadas, o que proporciona privacidade aos que dormem, e o quarto é perfumado com lavanda suave.

O MetroNaps levou essa ideia um passo adiante, com os Energy Pods de aparência futurista que permitem que as sonecas ocorram em uma posição ergonômica reclinável. Os pods estão ficando populares em locais que operam com horários de 24 horas, como hospitais, fábricas e aeroportos.

Mas o CEO da MetroNaps, Christopher Lindholst, diz que eles também estão começando a vender para empresas como academias e universidades. “Quando começamos, as pessoas pensavam que éramos loucos por estar promovendo dormir no trabalho”, diz Lindholst. “No passado, as empresas costumavam tomar como certo que você aparecia no trabalho e estava apto para o trabalho”.

Fontes:
BBC-Should workers be allowed to nap at work?

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3 Opiniões

  1. Leonora Hermes Luz disse:

    Perfeito. Ha 30 anos atrás, na faculdade de design, desenhei cabines de sono pra uso universitário que permitiriam alunos recuperar a energia durante longos períodos de estudo.
    Meu marido faz sestas de 10 minutos duas ou três vezes ao dia e fica novinho em folha !

  2. Roberto Henry Ebelt disse:

    Depois de uma soneca de 15 minutos (mais ou menos) você começa novinho em folha. Como trabalho em casa, faço uso deste recurso há mais de 30 anos.

  3. Rafael de Barros Faria disse:

    Vai falar isso para o secretário do trabalho que quer labuta também no domingo…

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