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SAÚDE

Ovário artificial pode ajudar a preservar fertilidade em mulheres

Criação visa ajudar mulheres que se submeteram a tratamentos que afetam a fertilidade, como a quimioterapia, a engravidar

Ovário artificial pode ajudar a preservar fertilidade em mulheres
Apesar de promissor, mais pesquisas precisam ser feitas antes de atestar a eficácia do ovário artificial (Foto: Max Pixel)

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Pesquisadores dinamarqueses criaram, a partir de tecidos e óvulos humanos, um ovário artificial. A criação pode ajudar mulheres a terem filhos, mesmo depois de passarem por tratamentos que danifiquem a fertilidade.

Testes mostraram que um ovário artificial tem a capacidade de manter óvulos humanos vivos durante semanas. Dessa forma, o órgão artificial poderia ajudar as mulheres a formarem famílias, mesmo passando por terapias agressivas, como a quimioterapia e a radioterapia, usadas no tratamento do câncer. As mulheres com menopausa precoce também poderiam ser beneficiadas.

A mulher, antes de receber o tratamento para o câncer, já poderia ter tecido ovariano retirado e congelado. Assim, mais tarde, o tecido seria recolocado na paciente para que a fertilidade não fosse prejudicada.

“É um passo importante ao longo da estrada. […] Mas levaremos muitos anos até que possamos colocar isso em uma mulher”, afirmou a pesquisadora Susanne Pors, uma das autoras do estudo e pós-doutoranda no Laboratório de Biologia Reprodutiva do Hospital Universitário de Rigshospitalet, em entrevista ao Guardian.

Atualmente, existem dois tipos de métodos para preservar a fertilidade das mulheres que precisam se submeter a tratamentos agressivos. No primeiro, os óvulos são retirados e, ao fim do tratamento do câncer, pode ser feita uma fertilização in vitro. Na segunda, o tecido ovariano é retirado e, ao fim do procedimento, recolocado para que a mulher possa engravidar normalmente.

Apesar de seguro para a maioria das pacientes, o segundo tratamento pode não ser eficaz para alguns tipos de câncer, como a leucemia, por exemplo. Isso porque a leucemia pode se instalar no tecido ovariano. Dessa forma, mesmo que o tecido tenha sido congelado antes do início do tratamento, a doença pode voltar mais tarde, quando o tecido for recolocado na mulher.

Com o ovário artificial, a esperança é que qualquer célula cancerígena possa ser eliminada antes do tecido ovariano ser recolocado nas pacientes, dando a elas uma chance segura de engravidar naturalmente, sem desenvolver novamente a doença.

Nesta segunda-feira, 2, Susanne Pors vai participar da reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, que ocorre em Barcelona. No encontro, a pesquisadora vai contar como ela e sua equipe implantaram um ovário artificial com 20 folículos humanos em um rato, e notaram que um quarto deles sobreviveu por, pelo menos, três semanas.

Médicos e pesquisadores especialistas em reprodução humana concordam que os testes ainda estão em fase inicial e ainda é cedo para comprovar a eficácia do tratamento. No entanto, a grande maioria enxerga os experimentos com um grande potencial, acreditando que, em alguns anos, podem dar uma nova margem de esperança para as mulheres que desejam engravidar naturalmente.

 

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Fontes:
The Guardian-'Artificial ovary' could help women conceive after chemotherapy
CNN-Artificial ovary could help young cancer patients preserve fertility

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