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Atual população de coalas australianos é de 100 mil animais, no máximo (Reprodução/Alamy)
Austrália

População de coalas sob ameaça de vírus similar à Aids

Retrovírus semelhante à Aids e a clamídia estão dizimando a população de coalas da Austrália e podem levar o pequeno urso à extinção

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Um vírus mortal está se espalhando entre os coalas na Austrália. O retrovírus do coala (KoRV, na sigla em inglês), que infecta e altera o DNA do animal, está relacionado ao aparecimento de diversas doenças e problemas médicos, incluindo leucemia, falência da medula óssea, câncer e deficiências imunológicas similares à AIDS.

Identificada pela primeira vez em 2000, o retrovírus do coala já está forçando algumas populações menores de coala a entrarem em extinção, diz Jon Hanger, diretor de pesquisa e serviços ecológicos no Hospital de Vida Selvagem da Austrália. Hanger foi a primeira pessoa a mapear geneticamente a sequência do retrovírus do coala após a sua descoberta.

No entanto, o KoRV não é a única doença a afetar as populações de coalas.  De acordo com algumas estimativas, cerca de metade de todos os coalas da Austrália está infectada com uma variação da clamídia, uma doença transmitida sexualmente que pode causar infertilidade nos ursos – assim como nos humanos – bem como infecções respiratórias e urinárias e também cegueira. A doença se torna ainda mais mortal em ursos infectados pelo retrovírus, podendo comprometer o sistema imunológico dos animais. Infelizmente, o KoRV também tem se espalhado rapidamente. Um estudo realizado no ano passado por pesquisadores da Escola de Veterinária da Universidade de Queensland sugere, de maneira pessimista, que em última instância, todos os coalas podem acabar sendo infectados pelo vírus.

A atual população de coalas é de 100 mil animais, no máximo. Em algumas áreas, como o sudoeste de Queensland, que já foi lar da maior população estimada de coalas, os efeitos da doença foram tão profundos que 80% da população de coalas foi extinta.

Uma nova esperança para os coalas ameaçados na Austrália surgiu em dezembro de 2013 com o anúncio de que uma equipe conjunta de pesquisadores do Museu Australiano e da Universidade de Tecnologia de Queensland obteve sucesso no mapeamento do genoma do coala. Analisando esta informação, os biólogos devem também ser capazes de determinar se o KoRV está potencialmente causando câncer ou levando infecções leves por clamídia a se tornarem doenças clínicas sérias.

 

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