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Por que todo mundo parece ter câncer

Quanto mais a ciência prolonga a vida, mais mutações o corpo produz, aumentando as chances de erros fatais surgirem no processo de reprodução das células

Por que todo mundo parece ter câncer
A maioria das mutações que causam o câncer surge no processo natural de reprodução das células (Reprodução/JillianTamaki/NYT)

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Meio século atrás, uma pessoa tinha muito mais probabilidade de morrer de uma doença cardíaca do que de câncer. Hoje o câncer está à beira de ultrapassar os problemas no coração como a principal causa de morte no mundo.

Para os mais velhos, os dois assassinos travam uma disputa acirrada pelo primeiro lugar, mas há razões para acreditar que o câncer sairá vitorioso. O motivo é que o câncer não é tanto uma doença como um fenômeno, o resultado de uma concessão evolutiva básica. Na medida em que o corpo cresce e vive, suas células estão constantemente se dividindo e copiando seu DNA – a sua vasta biblioteca genética — e repassando esse material genético para células novas, que, por sua vez, o passam adiante para suas próprias células descendentes, tornando-se cópias de cópias de cópias.

Erros inevitavelmente ocorrem ao longo do caminho. Alguns são provocados por agentes cancerígenos, mas a maioria é aleatório e surge no processo natural de reprodução das células.

Ao longo dos séculos, as células desenvolveram mecanismos complexos que identificam e corrigem muitas das falhas, mas o processo não é perfeito nem nunca será. As mutações são o motor da evolução, sem as quais a espécie nunca teria evoluído. O lado ruim é que de vez em quando uma certa mutação dá a uma célula individual muito poder. Ela começa a evoluir de forma independente do resto do corpo, como se fosse uma nova espécie em um ecossistema florescente, se transformando em um tumor canceroso, para o qual não há uma solução fácil.

Conforme as pessoas envelhecem suas células acumulam mais mutações potencialmente cancerígenas. Para aqueles que têm o privilégio de viver por muitos anos, o câncer acabará por matá-los – a menos que eles morram antes por qualquer outro mal mais fulminante. Isso seria verdade mesmo em um mundo livre de agentes cancerígenos e equipado com a mais poderosa tecnologia médica.

Talvez algum dia nossos descendentes viverão até os 200 anos. Mas com a exceção de um elixir da imortalidade, um corpo que teve a sorte de escapar de todos os perigos enfrentados pelo caminho terá também acumulado mais mutações a cada ano vivido. Se o coração não falhar primeiro, o algoz que o espera no final certamente será o câncer.

 

Fontes:
The New York Times - Why Everyone Seems to Have Cancer

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