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Saúde e Bem-Estar

16 de novembro é o Dia do Não Fumar

Por Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein/DASA

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O combate ao tabagismo tem sido mais do que debatido em épocas de disseminação da Lei Antifumo. E, segundo a Dra. Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein Medicina Diagnóstica/DASA, o tabagismo merece mesmo tanta atenção. Um alerta neste 16 de novembro, Dia do Não Fumar.

O tabagismo é um grave problema de saúde pública, acometendo um terço dos adultos ou 1,2 bilhão de pessoas no mundo. Na fumaça do cigarro existem 4.770 substâncias tóxicas, sendo as principais nicotina, alcatrão, monóxido de carbono e até substâncias radioativas como Polônio 210 e Cádmio, que também são encontradas nas baterias de carros.

A cardiologista afirma que os fumantes passivos, um dos focos principais da Lei Antifumo, contabilizam 2 bilhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Destes, 700 milhões são crianças, sendo que o fumo passivo é responsável por 50 mil mortes por ano. “Quanto mais fumantes no local de trabalho ou em casa, maior a chance de doenças. Se houver um fumante no local, a probabilidade de doença é de 30%. Se forem mais de dois fumantes, a chance chega a 50%”, reforça a médica.

Dra. Lise também lembra que o tabagismo é responsável por 75% dos casos de bronquite crônica, 80% dos casos de enfisema pulmonar, 80% dos casos de câncer de pulmão e 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio. No mundo, doenças associados ao fumo provocam 6 milhões de mortes anuais. No Brasil, são 120 mil mortes por ano, ou seja, a cada hora, dez brasileiros morrem devido ao tabagismo. Existem no país 35 milhões de fumantes, dos quais 3 milhões têm entre dez e 19 anos.

A cardiologista esclarece o que leva uma pessoa a fumar. O vício normalmente se instala em três meses e o ato de fumar costuma ser vinculado a um imenso bem-estar, um regulador de humor e de comportamento. “Em apenas sete segundos a nicotina, altamente viciante, é absorvida e chega ao cérebro”, diz Lise.  Os principais efeitos da nicotina são a sensação de alívio e prazer, criando uma excitação que aumenta a vigilância e diminui a fome, melhorando o rendimento de atividades.

Na esfera médica, segundo a cardiologista, os efeitos do cigarro são inúmeros. Dentre eles taquicardia, vasoconstrição periférica, elevação da pressão arterial, aumento do débito cardíaco, elevação do consumo de oxigênio no miocárdio, indução ao vasoespasmo coronariano, elevação da carboxihemoglobina, leucocitose e policitemia secundária, aumento da viscosidade sanguínea, aumento da ativação e da agregação plaquetária, aumento da expressão de moléculas de adesão em leucócitos, elevação da concentração de fibrinogênio, elevação dos níveis de ácidos graxos, elevações de lipoproteínas de baixa e muito baixa densidade e redução dos níveis do colesterol de alta densidade.

Lise reforça que, para as mulheres, ainda existem os riscos de indução à menopausa precoce, aborto espontâneo e de nascimento de bebê com baixo peso. Para quem usa anticoncepcionais, os riscos aumentam, em média, em dez vezes. “O tabagismo também é comprovado causador de câncer, sendo os principais tipos os de boca, laringe, esôfago, pulmão, bexiga, estômago e colo uterino. Isso sem falar no infarto agudo do miocárdio, AVC (derrame) e impotência sexual”, revela.

Parar de fumar, de acordo com a médica, não costuma ser fácil. Fazem parte da abstinência uma intensa vontade de fumar, frustração, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração, aumento do apetite, insônia, dores de cabeça e até depressão. “Mas lembre que os tratamentos existem e são eficazes. Por meio de remédios e de apoio psicológico, você terá um forte suporte”, finaliza.

Informações podem estimular o ex-fumante no processo de abandono do vício:
– Ao parar de fumar, em apenas 20 minutos seu pulso volta ao normal
– Após oito horas, o nível de oxigênio no sangue aumenta
– Em 24 horas, o pulmão fica mais limpo
– Depois de dois dias, o paladar e o olfato melhoram sensivelmente, além de a respiração e o nível de energia terem uma melhora considerável
– Depois de duas semanas a três meses, o sistema imunológico fica mais ativo

Estratégias comportamentais para não fumar:
– Tomar água
– Fazer exercício físico
– Descobrir novas distrações
– Eliminar cinzeiros e isqueiros
– Trabalhar pensamentos automáticos
– Substituir o cigarro por alimentos não engordativos
– Se a ansiedade aparecer, tenha sempre em mente que ela é uma sensação que normalmente dura menos do que cinco minutos e que a superação vai valer a pena

Por Lise Bocchino, cardiologista do Bronstein/DASA

Leia mais:
Sorriso amarelo – Tabagismo: os motivos para começar e a dificuldade de parar

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5 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    Fui fumante durante 20 anos, já parei há mais de 20, e sou contra o tabagismo. Admiro a campanha de José Serra, quando ministro, contra o vício. Mas às vezes me irrita um certo tom moralista dessas campanhas, o ar de superioridade das pessoas.

  2. luiz antonio vieira barbi disse:

    UMA COISA MUITO INTERESSANTE NESTE ARTIGO E QUE SEMPRE PASSA DESPERCEBIDO E O ATO DE TOMAR AGUA!! PARA TODOS MALES OS MEDICOS MAIS ANTIGOS, MAIS VELHOS SEMPRE RECOMENDAM TOMAR PELO MENOS 1 LITRO DE AGUA AO DIA, NO MINIMO!!! ESTA RECEITA FACILIMA DE FATO SEMPRE OU CUROU OU MELHOROU INUMERAS DOENCAS E NO CASO DO CIGARRO BEM QUE SE PODERIA INSISTIR MUITO!!!

  3. Anália Maia disse:

    Excelente artigo. Sou fumante da noite, só fumo em casa e depois do trabalho. O problema é que nos finais de semana fumo o dia inteiro. Minha fuma também, o que dificulta minha abstinência quando resolvo parar.
    A matéria está clara e informativa, vou mandar para minha filha, quem sabe – juntas – não conseguimos parar de fumar?

  4. Claudio D'Amato disse:

    Será que um dia vão criar o Dia do Não Comer Churrasco? Churasco é obtido através da combustão do carvão, que libera fumaça que nem a folha do tabaco. Entre seus componentes estão os benzopirenos, que SÂO CANCERÌGENOS. E o mesmo povo que arenga contra a fumaça do cigarro não diz nada sobre esta. Os funcionários da churrascaria ficam inalando-a o dia inteiro. Qual é mesmo o argumento usado pelos anti-tabagistas para não se criar estabelecimentos específicos para fumantes? Não é a exposição à fumaça? E, quem ingere esta carne, está FUMANDO PELO ESTÔMAGO. Não é possível que não saibam disso.
    Alguém já pensou em pesar numa balança a quantidade de cigarros que igualem o peso do carvão MÌNIMO necessário para se preparar um churrasco?
    Se eu fosse dono de churrascaria estaria tremendo de medo de os responsáveis diretos e indiretos destas leis serem COERENTES, porque primeiro perdi meus clientes fumantes, e agora iria ter meu estabelecimento fechado. Churrasco produz fumaça, QUE NÂO È INODORA E ATÒXICA.
    Eu, fumante, sempre respeitei locais fechados e nunca joguei guimba de cigarro no chão. Mas agora não posso nem mesmo fumar nas varandas se estas tiverem toldos! Por isso fiquei p… da vida com esses políticos. serra, marina silva, sergio cabral (sou do RJ), deputados, etc. não terão meu voto.
    Da mesma foma como agora BOICOTO shopping centers e a maioria dos bares. Bebo nos treilers dos ambulantes.

  5. Claudio D'Amato disse:

    Em tempo. Sou fumante há mais de 20 anos. E em corridas de resistência deixo muita “geração saúde” para trás.

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