Início » Vida » Ciência » A democratização da medicina na comunidade online
Medicina

A democratização da medicina na comunidade online

Algumas pessoas decepcionadas com os resultados obtidos criam sites, repletos de informações sobre suas doenças ou de sua família

A democratização da medicina na comunidade online
A CrowdMed reúne diversas pessoas de diferentes áreas do conhecimento para solucionar os problemas (Foto: Pixabay)

Muitas pessoas consultam a internet em busca de respostas para problemas médicos. Esse hábito é tão difundido que os médicos chamam os curiosos mais diligentes de “cibernautas hipocondríacos”. Algumas pessoas decepcionadas com os resultados obtidos criam sites, repletos de informações sobre suas doenças ou de sua família, para incentivar pessoas desconhecidas a ajudar a solucionar o “mistério da doença da mãe”, ou sugerir a cura de um tumor específico no cérebro.

Mas criar um site com a esperança que a informação de um usuário de internet possa elucidar o mistério de uma doença inexplicável, é o equivalente cibernético a gritar por socorro em meio a uma floresta. A ideia de criar um site em que uma pessoa poderia mencionar um problema de saúde e, alguém interessado em ajudar, daria uma opinião, assemelha-se à ideia de colocar um estande em uma feira onde compradores e vendedores se encontrariam. E agora esse estande cibernético se materializou com a criação da CrowdMed.

O projeto de criar um serviço “coletivo” de informações sobre medicina surgiu em razão do número de doenças raras que existem no mundo. O National Institutes of Health, a agência de pesquisas médicas do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, tem um registro de 7 mil doenças raras que afetam menos de 200 mil pessoas. Um clínico geral não tem condições de conhecer todas essas doenças. Além disso, talvez não fique claro para ele, embora saiba que não pode ajudar, que tipo de especialista o paciente deveria consultar. Uma pesquisa publicada em 2013 no Journal of Rare Disorders revelou que cerca de 8% de americanos, ou seja, aproximadamente 25 milhões de pessoas, contraem doenças raras e, em média, demoram 7 anos e meio para obter um diagnóstico.

Até mesmo na Grã-Bretanha, com todos os recursos do National Health Service à disposição dos clínicos gerais, o diagnóstico de uma doença rara demora em média 5 anos e meio. E com frequência, os médicos erram nos diagnósticos. Segundo um estudo realizado em oito doenças raras na Europa, cerca de 40% dos pacientes recebem um diagnóstico inicial errado. Esses erros médicos podem ocasionar complicações às vezes fatais.

A CrowdMed  reúne diversas pessoas de diferentes áreas do conhecimento para solucionar os problemas. Os pacientes apresentam seus casos no site e pagam uma determinada quantia para que sejam examinados. Os voluntários que examinam os casos são estudantes, médicos aposentados, enfermeiras, pessoas leigas e mulheres que gostam do desafio de um bom mistério médico. Além do dinheiro, os voluntários bem-sucedidos também são recompensados com a promoção no sistema de ranking do site, que, por sua vez, é usado  para filtrar o feedback dado aos pacientes, a fim de evitar erros.

Fontes:
The Economist-Many hands make diagnosis work

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *