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SAÚDE

A dura realidade das gestantes nos EUA

Em um sistema de previdência social deficiente, muitas vezes as prisões nos EUA transformam-se em refúgios para mulheres grávidas pobres e desempregadas

A dura realidade das gestantes nos EUA
A cadeia do condado de São Francisco é considerada um modelo no sistema penitenciário (Foto: Pixabay)

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Ao descobrir que estava grávida, Evelyn entrou em pânico. Em razão de antecedentes criminais, não conseguira um emprego fixo, tinha morado na rua e agora alugava um quarto em um hotel barato no bairro Mission District, em São Francisco. Embora tivesse direito ao seguro Medicaid, com tantos problemas para resolver ainda não tinha feito o exame pré-natal.

Assim, quando foi presa no terceiro mês de gravidez e começou a receber assistência médica na prisão, sentiu-se abençoada. “Eu não fui presa, fui salva”, disse à médica ginecologista Carolyn Sufrin, que a atendeu na cadeia do condado de São Francisco.

No caso de mulheres grávidas pobres, desempregadas, marginalizadas e vulneráveis, como Evelyn, a prisão é a única chance de ter uma boa assistência médica durante a gestação, um cuidado essencial para a saúde da mãe e da criança.

O fato da prisão ser, para algumas mulheres nos EUA, a única oportunidade de ter um acompanhamento médico durante a gravidez revela a dura realidade da previdência social no país.

Por mais de uma década, Sufrin dedicou a vida ao atendimento de mulheres grávidas em prisões. De 2007 a 2013, ela trabalhou na cadeia do condado de São Francisco e narrou sua experiência no livro Jailcare: Finding the Safety Net for Women Behind Bars. Em 2016, ela iniciou o projeto pioneiro Pregnancy in Prison Statistic.

O projeto tem como objetivo avaliar as condições de vida de mulheres grávidas em prisões, com base em dados mensais de 22 sistemas penitenciários estaduais, seis cadeias, entre as quais as cinco maiores dos EUA, e três departamentos de justiça juvenil.

Os dados referem-se ao número de gestações, nascimentos, abortos espontâneos, abortos induzidos, natimortos e outros problemas decorrentes da gravidez. A meta final é a melhoria do atendimento físico e psicológico de 210 mil mulheres presas no país.

Esse projeto é o primeiro passo na abordagem de um sistema de justiça que, na maioria das vezes, não oferece às mulheres grávidas uma boa assistência médica ou até mesmo um atendimento digno de um ser humano. Uma realidade que Carolyn Sufrin quer mudar.

Antes de Sufrin, a penitenciária do condado de São Francisco tinha uma enfermeira encarregada de cuidar das detentas grávidas e, em caso de atendimento clínico mais complexo, elas eram transferidas para o hospital do condado. Em entrevista ao jornal The Guardian, Sufrin disse que havia sido contratada para fazer exames ginecológicos, ultrassonografias e dar consultas médicas.

Depois que se demitiu há cinco anos, a prisão contratou uma médica que trabalha em tempo integral no acompanhamento da gestação das detentas.

O atendimento médico é excelente. Assim que chegam na penitenciária, as mulheres são examinadas. Durante a gravidez elas tomam vitaminas e têm uma dieta adequada aos padrões nutricionais. Os exames médicos são realizados pelo menos uma vez a cada duas semanas, ou com mais frequência, se necessário. Em casos que exigem cuidados especiais, as detentas são transferidas para um hospital próximo.

Após o parto os bebês ficam com as mães enquanto elas permanecem no hospital. A prisão também tem assistentes sociais que acompanham as mulheres por ocasião do parto e lhes dão apoio físico e psicológico.

A cadeia do condado de São Francisco é considerada um modelo no sistema penitenciário dos EUA. Mas muitas prisões, se não a maioria, oferecem cuidados insatisfatórios ou inexistentes para as detentas grávidas, disse Carolyn Sufrin. “As mulheres grávidas são muitas vezes vistas como um estorvo no sistema penitenciário e não como seres humanos que precisam de cuidados”.

Fontes:
The Guardian-'I didn’t get arrested, I got rescued': jail is a lifeline for some pregnant women

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