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A escassez da força de trabalho médica

Para aumentar a oferta de funcionários na área médica, é preciso deixá-los livres para se movimentar

A escassez da força de trabalho médica
Migração de cérebros preocupa membros da OMS (Reprodução/Internet)

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A Organização Mundial da Saúde recomenda que haja 2,5 médicos, enfermeiras e parteiras para cada mil pessoas. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha têm mais de 12. A Índia tem apenas 1,6. À medida que o mundo se torna mais velho e gordo, a competição por trabalhadores da área médica só vai se intensificar.

No mundo rico, os diferentes tipos de escassez têm tamanhos e naturezas distintos. Os EUA podem ser o melhor exemplo de disfunção. Tornar-se um médico consome pelo menos sete anos, sem contar os quatro anos da graduação. Mais de 80% dos graduados terminam a faculdade de medicina com dívidas, devendo uma média de US$ 149.103. Isso intensifica os incentivos para a prática dos tipos mais lucrativos e especializados de medicina, e leva a uma carência de clínicos gerais, que ganham menos e trabalham mais do que, digamos, dermatologistas. A Associação de Universidades de Medicina Norte-Americanas prevê uma escassez de 45 mil clínicos gerais em 2020, precisamente o tipo de médico necessário para tratar de condições crônicas.

Isso pode levar os países ricos a procurarem por talentos em países pobres – onde a carência de profissionais de saúde já é muito pior. Os governos investem muito pouco em treinamento médico, e esses médicos que são treinados em geral abandonam o país em busca de salários mais altos ou condições de trabalho melhores. A Índia, por exemplo, fornece 10% dos médicos da Grã-Bretanha.

Preocupados com essa migração de cérebros, os membros da Organização Mundial da Saúde assinaram uma resolução em 2010 para desestimular a prática dos países ricos de recrutar médicos em seus primos pobres. Mas limitar o movimento de trabalhadores é uma solução muito pior do que expandir os programas de treinamento. As Filipinas são líder mundial em exportação de enfermeiros, ainda assim tem mais enfermeiros por pessoa do que a Espanha ou o Japão. A chance de imigrar encoraja os estudantes a se tornarem enfermeiros. Alguns, inevitavelmente, ficam em casa. Em um estudo de 127 países em desenvolvimento feito em 2009, a possibilidade de imigrar impulsionou o capital humano em vez de drená-lo. De acordo com um estudo mais antigo, os problemas começam quando mais de 20% dos graduados começam a deixar o país.

Fontes:
The Economist - Is there a doctor in the country?

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1 Opinião

  1. Regina Caldas disse:

    Não há incentivo para que os médicos exerçam sua profissão plenamente. São mal pagos, acabam nas mãos dos grandes laboratórios. carregam nas costas a responsabilidade pela saúde alheia sem que sejam reconhecidos pela sociedade.

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