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SAÚDE

A luta dos cientistas contra doenças transmitidas por animais

Um novo projeto internacional pretende ampliar a pesquisa sobre vírus transmitidos por animais aos seres humanos

A luta dos cientistas contra doenças transmitidas por animais
O ebola faz parte de um grupo de doenças virais transmitidas por animais (Foto: MaxPixel)

Profissionais da área de saúde lutam há meses para conter uma epidemia de ebola na República Democrática do Congo. Sessenta casos, sendo 28 deles fatais, foram registrados na cidade de Mbandaka, embora as autoridades afirmem que a epidemia está sob controle.

Milhares de pessoas morreram na epidemia de ebola na África Ocidental em 2014, quando o vírus de animais infectados, como morcegos, provocaram casos de hemorragia interna grave, muitas vezes mortal.

O ebola faz parte de um grupo de doenças virais transmitidas por animais, como a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e a Zika, que há pouco tempo causaram surtos de doenças infecciosas em determinadas regiões.

Diante do aumento de casos de doenças virais e da possibilidade de contaminação por novos vírus, um grupo de cientistas criou o Projeto Global Virome (GVP), com o objetivo de identificar as causas de novas doenças fatais e prevenir as epidemias.

“Vamos começar um projeto-piloto na China e na Tailândia, com o estudo de morcegos, roedores, macacos e aves aquáticas”, disse Peter Daszak, da ONG EcoHealth Alliance, uma das principais parceiras do projeto. “O objetivo é descobrir vírus desconhecidos que possam infectar os seres humanos e pesquisar formas de protegê-los das doenças”.

Com o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), o estudo Predict já identificou mais de mil vírus em animais, que podem infectar os seres humanos. O GVP pretende aumentar esse número, uma vez que existem cerca de 1,6 milhão de vírus ainda desconhecidos. A identificação dos agentes infecciosos passíveis de contaminar os seres humanos pode demorar anos, mas é um desafio que os cientistas do GVP estão dispostos a enfrentar.

“O GVP ainda está em fase de elaboração e, apesar do custo elevado de financiamento no valor de US$ 1,2 bilhão, esse custo representa apenas uma fração dos gastos para combater uma grande epidemia, como a de ebola na África Ocidental”, disse Daszak.

A abordagem do projeto não conta com o apoio unânime da comunidade científica. Em um artigo recém-publicado na revista Nature, um grupo de pesquisadores liderados pelo professor Edward Holmes, da Universidade de Sydney, disseram que não existem informações suficientes sobre surtos de doenças infecciosas, que possam servir de base para a previsão de novas epidemias.

Segundo Holmes e seus colegas, em vez de descobrir novos vírus, a triagem de pessoas com sintomas de uma doença infecciosa seria uma maneira mais eficaz de abordar o problema e evitar a disseminação do vírus.

Porém, Eddy Rubin, cientista-chefe da empresa de biotecnologia Metabiota, que trabalha em parceria com o GVP, discorda da opinião de Holmes. “Existem estudos de previsão de desastres naturais como furacões e terremotos. É preciso fazer o mesmo com doenças”, disse Rubin ao jornal britânico Observer.

Fontes:
The Guardian-Scientists aim to stop the devastation of Zika-like pandemics

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