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Tecnologia de reprodução

A nova idade de ser mãe

Mulheres na faixa dos 30 e 40 anos recorrem a tecnologias reprodutivas para driblar o relógio biológico

A nova idade de ser mãe
Segundo a previsão de Carl Djerassi, pai da pílula anticoncepcional, até 2050, todas as mulheres vão recorrer ao congelamento de óvulos ou a fertilização 'in vitro'. (Reprodução/ Internet)

A escolha de ser mãe mais velha, geralmente depois dos 35 anos, é normalmente associada à história do progresso e das tecnologias que deixam as mulheres livres do relógio biológico.

Antes da difusão da pílula anticoncepcional, as mulheres não tinham outra escolha a não ser ter filhos ainda na adolescência ou na faixa dos 20 anos. Com o advento das novas tecnologias, como a fertilização in vitro, a doação e o congelamento dos óvulos, as mulheres tiveram a possibilidade de ficar livres da tirania imposta pelo seu próprio sistema biológico.

No início do século XX, os manuais de maternidade alertavam as mulheres para esperarem para ter filhos pelo menos até os 24 anos, quando elas teriam maturidade o suficiente para criar um bebê. Mas os manuais também alertavam para que elas não esperassem muito por conta das limitações do relógio biológico.

Nos Estados Unidos, as taxas de nascimentos caíram na época da Grande Depressão. Apenas depois da Segunda Guerra Mundial que ter filhos se tornou uma espécie de padrão cultural. A estabilidade econômica aliada à vontade de ter uma família estimularam o casamento cedo e a gravidez, o que resultou em um “boom” de bebês, que durou pelo menos duas décadas.

As origens da discussão atual de adiar a gravidez são de 1970, quando a idade das mães de primeira viagem começou a aumentar significativamente. O número de mulheres que tiveram seus primeiros filhos entre 30 e 34 anos quase que dobrou, de 7,3 nascimentos por mil mulheres em 1970, para 12,8 por mil em 1980. A tendência só se intensificou, em 2013, a taxa foi de 29,5 por mil.

Essa mudança de comportamento tem relação com a disponibilidade das novas tecnologias contraceptivas e com o sucesso da segunda onda de feminismo, mas também tem ligação com a instabilidade econômica. Seria preciso dois pais trabalhando para alcançar o patamar de classe média, que antes era alcançando só por um.

Segundo a previsão de Carl Djerassi, pai da pílula anticoncepcional, até 2050, todas as mulheres vão recorrer ao congelamento de óvulos ou a fertilização in vitro. O resultado disso seria uma geração “Mañana” que adia indefinidamente a gravidez sem medir as consequências. Isso não seria inevitável. Na verdade, é apenas uma visão que fala menos sobre o triunfo da tecnologia e mais sobre como uma sociedade lida com mães que trabalham.

Fontes:
The Washington Post-Stop freaking out about having babies in your 30s. Your great-grandma did it, too

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