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A ruína de um herói destrói sua causa?

Acusado de chefiar uma máfia do doping, a história do ciclista Lance Armstrong vem gerando opiniões controversas sobre os erros de personalidades públicas e suas consequências

A ruína de um herói destrói sua causa?
Lance Armstrong teve sua história manchada por participar em esquema da doping (Reprodução/Getty)

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O ciclista norte-americano Lance Armstrong deixou a presidência da Livestrong Foundation, fundação que ele mesmo criou com o objetivo de combater o câncer, teve seu contrato com a Nike cancelado e seus sete títulos da tradicional Volta da França cassados por sua participação em um esquema de doping amplamente divulgado na mídia internacional.

Antes da sua queda, Armstrong arrecadou milhões de dólares para combater o câncer e inspirou inúmeros atletas. Ele garantiu ensino escolar a milhares de crianças pobres e estimulou os norte-americanos a serem mais caridosos. Transformado em símbolo da superação humana diante de uma doença tenebrosa, Armstrong também criou uma versão fictícia de sua história para agradar seus fãs, omitindo o lado obscuro da sua força aparentemente sobre-humana. Ele fingiu ser algo que não era.

O desfecho de sua história é trágico e talvez represente o maior desafio encarado pelo atleta até agora. Mas a questão que permanece é: deveríamos ser mais compreensivos com líderes, heróis e ídolos que se revelam indivíduos falhos?

Segundo Daniel Coyle, autor de “The Secret Race: Inside the Hidden World of the Tour de France” (A corrida secreta: por dentro do mundo oculto da Volta da França), muitos de nossos líderes mais fascinantes também são seres humanos extremamente complicados.

O fato é que líderes são frequentemente sugados pelo que os estudiosos chamam de “campo distorcido de realidade”: a habilidade de recriar fatos inconvenientes a fim de escondê-los ou adaptá-los às suas necessidades. Infelizmente, Armstrong passou a crer em seu próprio mito. Para Coyle, a lição, nesse caso, é: se a história de vida de alguém parece boa demais para ser verdade, ela provavelmente o é.

Uma marca na lama

Já Nathalie Laidler-Kylander, professora de Políticas Públicas da Universidade de Harvard, acredita que uma marca é uma promessa e que a identidade de uma pessoa deve estar diretamente ligada à sua imagem. Uma imagem desconexa de uma identidade causa a perda de confiabilidade.

Segundo Kylander, no caso de Armstrong, os escândalos de doping tiveram um impacto extremamente negativo sobre sua marca. Mas não se sabe ainda a extensão deste impacto. O estrago será menor se as pessoas passarem a associar a Livestrong Foundation como uma fundação contra o câncer, ao invés de uma fundação criada por Lance Armstrong.

De um modo geral, o ser humano é capaz, e, na maioria das vezes, está muito disposto a perdoar ídolos que caíram em desgraça, desde que eles sejam penitentes e peçam desculpas. Quando celebridades reconhecem suas falhas, essas mesmas falhas têm o poder de humanizá-los e fazer com que o público sinta como se conhecesse seus heróis mais a fundo. Até agora, Armstrong não admitiu seu erro, o que piora sua situação porque o faz parecer um mentiroso. O grande público pode perdoar falhas, mas não aceita um herói inautêntico.

 

Fontes:
The New York Times-Does a Fallen Leader Crush His Cause?

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