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SAÚDE

Abuso de antibióticos avança em países emergentes

Uso excessivo de antibióticos cresce com rapidez nos países em desenvolvimento, aumentando o risco de desenvolvimento de bactérias super resistentes

Abuso de antibióticos avança em países emergentes
De acordo com um estudo, o consumo de antibióticos nesses países aumentou entre 2000 e 2015 (Foto: Pexels)

Ao serem lançados no mercado na década de 1940, os antibióticos foram saudados como medicamentos milagrosos. Hoje, eles se transformaram em vilões. O uso excessivo de antibióticos provoca o desenvolvimento de bactérias resistentes à sua ação. Segundo estimativas, 700 mil pessoas morrem de infecções resistentes a antibióticos por ano. Nesse ritmo, o número de mortes aumentará para 10 milhões de pessoas por ano em 2050. Essas mortes causariam um prejuízo de US$ 100 trilhões ao crescimento econômico mundial, de acordo com um estudo publicado em 2016 pelo governo do Reino Unido e da organização sem fins lucrativos Wellcome Trust.

No final de 2016, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) iniciou um projeto de combate à resistência antimicrobiana, com o aumento de pesquisas, uma proposta de regulamentação mais eficaz e de soluções alternativas ao uso de antibióticos. O primeiro passo é coletar os dados que permitam avaliar a extensão da ameaça e o progresso em conscientizar as pessoas sobre o perigo do uso indiscriminado de antibióticos. Apenas 50 países inscreveram-se no projeto da ONU em dezembro de 2017, e apenas 22 produziram dados até o momento.

Enquanto isso, um método mais direto mediu o consumo de antibióticos em diversos países. Um novo artigo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences reúne dados de 76 países no período entre 2000 e 2015. De acordo com o estudo, o consumo de antibióticos nesses países aumentou 65% nesse período, de 21 bilhões de doses diárias definidas (DDD) para quase 35 bilhões. A proporção de DDD, uma medida padrão de dosagem de diferentes tipos de medicamentos, também aumentou 39%, de 11,3 para 15,7 para cada mil pessoas.

Embora os países desenvolvidos tenham diminuído o uso de antibióticos em 4% nos últimos 16 anos até 2015, o consumo aumentou 75% nos demais países. Mesmo entre países com rendimentos médios semelhantes, o uso de antibióticos tem enormes variações. Em 2015, as doses diárias para cada mil pessoas foram sete vezes mais elevadas na Turquia do que no México. Os autores do artigo não conseguiram identificar as causas dessas diferenças.

Os pesquisadores mostraram que o crescimento de 1% no PIB per capita estava associado a um aumento de 3,1 de doses diárias por cada mil pessoas em países em desenvolvimento. Essa relação pode ser resultado da urbanização que, muitas vezes, acompanha o crescimento do PIB. A falta de água potável e de saneamento provoca doenças como a febre tifoide, enquanto a poluição atmosférica e o uso de combustíveis poluentes para cozinhar alimentos causam infecções respiratórias. Ambas as doenças são tratadas com antibióticos, com doses maiores e mais fortes, a fim de combater a resistência antimicrobiana.

Felizmente, o uso de antibióticos na China e na Índia, os dois países mais populosos do mundo, ainda está abaixo da média global. Mas a tendência é de um consumo maior. A dosagem diária por pessoa aumentou 65% na Índia e 70% na China a partir do ano 2000. Se outros países seguirem essa tendência, na avaliação dos pesquisadores o uso global de antibióticos atingiria 125 bilhões de doses diárias, em comparação com 42 bilhões em 2015.

“A resistência antimicrobiana nos levará de volta a uma época em que as pessoas ficavam vulneráveis a infecções comuns e temiam arriscar suas vidas em pequenas cirurgias”, disse Tedros Adhanom, diretor da Organização Mundial de Saúde da ONU, na abertura da Semana Mundial de Conscientização sobre Antibióticos, em novembro de 2017. “É uma crise global que não podemos ignorar”.

Fontes:
The Economist-Antibiotic use is rapidly increasing in developing countries

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