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SAÚDE

Anvisa autoriza a 1ª insulina inalável do Brasil

Ainda não se sabe, porém, quando o produto começará a ser comercializado no Brasil. Insulina inalável não substitui totalmente a injetável

Anvisa autoriza a 1ª insulina inalável do Brasil
Medicamento é contraindicado para pacientes com problemas pulmonares e menores de idade (Foto: Divulgação/Afrezza)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira, 3, o registro da primeira insulina de uso por via oral do Brasil: a Afrezza. No país, o medicamento será distribuído pela farmacêutica Biomm.

Ainda não se sabe quando o produto começará a ser comercializado no Brasil. No entanto, a MannKind Corporation, responsável pelo desenvolvimento do medicamento, estima que a comercialização deva ocorrer no quarto trimestre deste ano. Porém, o prazo ainda é incerto, pois depende do processo de registro de preços da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

“A aprovação regulatória da Afrezza no Brasil é um marco importante para a MannKind e a nossa parceira Biomm. Além de ser a primeira aprovação internacional da Afrezza, o mais importante é que agora temos a oportunidade de oferecer uma nova terapia de insulina para as refeições para pacientes em um país com uma das mais altas prevalências de diabetes no mundo, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes”, afirmou Michael Castagna, CEO da MannKind Corporation, através de um comunicado.

Citando dados da Federação Internacional de Diabetes, a nota da MannKind Corporation esclarece que, atualmente, a diabetes afeta 425 milhões de adultos em todo mundo. No Brasil, estima-se que a doença atinja mais de 12 milhões de pessoas.

Apesar de uma inovação que pode reduzir o número de insulinas injetáveis, a Afrezza não poderá substituir totalmente as injeções. Isso porque a insulina inalável é recomendável apenas para ação rápida e ultrarrápida – conhecida como bolus. Normalmente, esse tipo do medicamento é usado antes de cada refeição.

Por outro lado, a insulina basal (injetável) não poderia ser substituída pela Afrezza. De acordo com a endocrinologista Lívia Porto, do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a basal normalmente só é aplicada uma vez ao dia, e tem uma ação mais lenta.

“Se o paciente diabético tem um tratamento nesse esquema basal-bolus, ele costuma fazer pelo menos quatro aplicações por dia: uma basal e três bolus, no café da manhã, almoço e jantar. Se passar a usar a inalável, ele diminuiria de quatro aplicações diárias para uma aplicação. Seria um ganho de qualidade de vida, mas não substituiria totalmente a injetável”, explicou Porto.

Ainda não é possível saber quanto a Afrezza custará no Brasil. No entanto, caso a proporção com os Estados Unidos seja mantida, espera-se que a menor dose do medicamento, com quatro unidades, custará um equivalente a R$ 14,80. Isso porque, nos Estados Unidos, essa dose custa US$ 3,80. Atualmente, o medicamento é vendido em três doses diferentes.

Segundo Heraldo Marchezini, CEO da Biomm, a Afrezza poderá beneficiar tanto pessoas com a diabetes tipo 1, quanto com a diabetes tipo 2. No entanto, o principal público do novo medicamento devem ser as pessoas com o tipo 1 da doença, visto que a maior parte dos pacientes com o tipo 2 usa comprimido, não insulinas injetáveis. Estima-se que apenas 10% dos brasileiros com diabetes têm o tipo 1 da doença.

Apesar da inovação, o medicamento também conta com contraindicações. O uso de Afrezza não é indicado para pacientes com problemas pulmonares, pois a absorção pelo pulmão pode não ser adequada, podendo, inclusive, causar crises de asmas, conforme explicou o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, da Sociedade Brasileira de Diabetes. O Afrezza também não é indicado para menores de 18 anos, pois não foram estudados pacientes nessa faixa.

Fontes:
Estadão-Anvisa aprova primeira insulina inalável do País; veja indicações e limitações do produto
Valor Econômico-Anvisa autoriza registro de insulina inalável em pó, diz Biomm

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