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SAÚDE

Baixo orçamento dificulta produção de vacinas

Um estudo concluiu que a verba de US$ 3 bilhões gastos por ano em pesquisas não é suficiente para desenvolver vacinas e medicamentos em curto prazo

Baixo orçamento dificulta produção de vacinas
Os financiamentos diminuíram desde 2009 (Foto: Felipe Barros/ExLibris/Secom-PMI)

Segundo o estudo de Gavin Yamey, diretor do Duke University’s Center for Policy Impact in Global Health, as vacinas contra o HIV, a malária e a tuberculose, as três principais doenças que atingem, sobretudo, países em desenvolvimento e de baixa renda, não serão desenvolvidas em um futuro próximo, a não ser que se aumente as verbas para as pesquisas.

As vacinas contra a hepatite C e a diarreia aguda, assim como medicamentos mais eficazes para a tuberculose, hanseníase, dengue e doença do sono, doenças quase sempre fatais, ainda estão em fase inicial de pesquisa.

Ainda segundo o estudo, o desenvolvimento de vacinas e medicamentos de combate a inúmeras doenças infecciosas até 2030 precisa de uma verba de US$ 9 bilhões por ano.

Os financiamentos do governo, de fundações privadas e de empresas farmacêuticas para pesquisas aumentaram no início da década de 2000. Mas, com exceção de verbas específicas para pesquisas de combate a epidemias como a do vírus ebola, os financiamentos diminuíram desde a crise financeira em 2009.

“No ritmo atual não teremos meios de combater essas doenças nos próximos anos”, disse  Gavin Yamey. “Os doadores estão cortando verbas no momento em que mais precisamos delas”.

O estudo, que avaliou 538 produtos destinados à prevenção e à cura de 35 doenças, com uma incidência maior em países pobres, foi pioneiro na análise de uma área de pesquisa tão diversificada. Financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates e pela Swiss Agency for Development and Cooperation, a pesquisa foi publicada no site Gates Open Research.

Segundo Trevor Mundel, presidente do Global Health da Fundação Gates, o estudo fez uma observação correta ao afirmar que era pouco provável que se descubra uma vacina de imunização total contra o HIV, ou uma vacina contra a malária com um período de imunização por mais de seis meses. “Mas mesmo vacinas não tão eficazes representam uma vitória no campo da medicina preventiva”, disse Mundel.

A Fundação Bill e Melinda Gates apoia estudos sobre a eficácia de doses mais fortes da BCG, uma  vacina dada a bebês e crianças de até 5 anos para imunizá-los contra a tuberculose, na proteção a adolescentes. A fundação também está trabalhando em parceria com a GlaxoSmithKline no desenvolvimento de uma vacina para impedir que a tuberculose latente se torne ativa.

Os Estados Unidos contribuem com quase metade dos US$ 3 bilhões gastos por ano em pesquisas no campo da medicina preventiva, e o National Institute of Allergy and Infectious Diseases é um dos principais órgãos responsáveis pela administração dessa verba.

De acordo com o estudo, aproximadamente 125 novos produtos serão aprovados nos próximos 12 anos, entre os quais vacinas contra a febre tifoide e estafilococo, além de medicamentos para malária, tuberculose, hepatite C e gripe.

Fontes:
The New York Times-Vaccines Against H.I.V., Malaria and Tuberculosis Unlikely, Study Says

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