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SAÚDE

China omite informações sobre vírus perigoso

A recusa da China em compartilhar dados sobre um novo vírus da gripe aviária aumenta o risco de epidemias da doença

China omite informações sobre vírus perigoso
O governo chinês não compartilha amostras de laboratório do vírus H7N9 com os EUA (Foto: Steve Jurvetson/Flickr)

Apesar do acordo de cooperação firmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) com seus países membros, as autoridades de saúde dos EUA ainda não receberam amostras do H7N9, a nova cepa do vírus da gripe aviária do Departamento de Saúde da China.

Há mais de um ano, o governo chinês não compartilha amostras de laboratório do vírus H7N9 com os EUA, necessárias para desenvolver vacinas e tratamentos de combate à doença. Agora, em meio à guerra comercial entre os EUA e a China, alguns cientistas temem que, em retaliação, as autoridades chinesas restrinjam ainda mais a troca de informações na área médica.

“Impedir o acesso dos EUA a agentes patógenos e tratamentos diminuirá sua capacidade de proteger seus cidadãos e o mundo de infecções que podem se disseminar com extrema rapidez”, disse Michael Callahan, especialista em doenças infecciosas da Harvard Medical School.

Desde que o HTN9 foi descoberto na China em 2013, o vírus se espalhou por fazendas de criação de aves e evoluiu para uma cepa altamente contagiosa que pode infectar seres humanos. Em 2013, dos 1.562 casos confirmados, 40% foram fatais.

“A pandemia da gripe se espalha mais rápido do que qualquer outra doença infecciosa. Não há um minuto a perder na luta para erradicá-la”, disse Rick A. Bright, diretor do Biomedical Advanced Research and Development, um órgão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) dos EUA, que supervisiona a criação de vacinas.

Segundo um acordo estabelecido pela OMS, os países membros compartilham amostras do vírus de gripe com centros de pesquisa especializados em estudos de epidemias. Esse processo, que envolve a preparação de documentos, a aprovação por diversos órgãos da área de saúde e o transporte por uma companhia aérea licenciada, em geral demora alguns meses, segundo Larry Kerr, diretor do serviço de prevenção e controle de epidemias do HHS.

No entanto, mais de um ano depois do registro de 766 casos de infecções por H7N9 na Ásia em 2016, quase todos na China, o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA ainda aguarda o envio das amostras do vírus. Apesar das sucessivas consultas referentes ao atraso no envio das amostras, a embaixada da China em Washington não se manifestou, assim como o Centro para Controle e Prevenção de Doenças do governo chinês.

“Tendo em vista que o vírus HTN9 é uma ameaça potencial à humanidade, não compartilhar os dados sobre sua evolução, desenvolvimento de vacinas e tratamentos, contraria as regras da OMS e dos princípios da pesquisa médica”, disse Andrew C. Weber, que supervisionou o Programa Médico para Defesa Biológica e Química do Pentágono no governo de Barack Obama.

Em 2002, no surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), a China manteve em sigilo os casos da doença por quatro meses e não revelou os dados sobre a pesquisa para combatê-la.

Em 2005, com o objetivo de evitar possíveis efeitos prejudiciais ao setor de avicultura do país, o governo chinês afirmou que a epidemia do vírus H5N1 estava sob controle, apesar de informações de pesquisadores da Universidade de Hong Kong sobre a disseminação de casos de gripe aviária no país.

Em 2007, a Indonésia seguiu o exemplo da China e não compartilhou dados referentes a amostras de cepas do vírus H5N1 com os EUA e o Reino Unido, com a justificativa que ambos os países iriam criar vacinas que os indonésios não teriam acesso em razão do custo alto das campanhas de vacinação.

Agora, com esse novo surto da gripe aviária e a mutação genética do vírus H7N9, autoridades da área de saúde dos EUA temem que os chineses tenham ocultado a gravidade da doença.

Em uma atitude defensiva, o governo chinês recusou-se a compartilhar informações clínicas de pacientes infectados e alega ter erradicado o vírus H7N9 por meio de uma campanha de vacinação de aves.

Mas, em contrapartida, desde o primeiro surto da gripe aviária, a OMS tem fornecido informações atualizadas sobre a avaliação de risco de novas epidemias e recomendações para a prevenção e controle da doença.

Fontes:
The New York Times-China Has Withheld Samples of a Dangerous Flu Virus

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