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SETEMBRO AMARELO

Dados reforçam necessidade de prevenção ao suicídio

Informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira, 20. De acordo com o ministério, foram registradas mais de 106 mil mortes entre 2007 e 2016

Dados reforçam necessidade de prevenção ao suicídio
Em todo o mundo, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos (Foto: Setembro Amarelo/Facebook)

O mês de setembro é um período de alerta à prevenção ao suicídio. Nele, é celebrada a campanha Setembro Amarelo, que chama a atenção para a necessidade de falar sobre o assunto. Os novos dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira, 20, reforçam essa necessidade.

Segundo as informações apresentadas nesta quinta-feira, foram registrados, entre 2007 e 2016, no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), 106.374 mortes por suicídio. Em 2016, a taxa de óbito foi de 5,8 a cada 100 mil habitantes.

Em todo o mundo, cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizados em agosto deste ano. Destes, 79% dos casos ocorreram em países de baixa e média renda. Em 2016, o suicídio foi a segunda maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

“O suicídio é uma questão complexa e, por isso, os esforços de prevenção necessitam de coordenação e colaboração entre os múltiplos setores da sociedade, incluindo saúde, educação, trabalho, agricultura, negócios, justiça, lei, defesa, política e mídia. Esses esforços devem ser abrangentes e integrados, pois apenas uma abordagem não pode impactar em um tema tão complexo quanto o suicídio”, escreveu a OMS em seu site.

As informações do Ministério da Saúde alertam ainda para a necessidade de conversar sobre o suicídio durante todo o ano, não apenas em períodos de pico. Ademais, o ministério chama a atenção para algumas mudanças de comportamento que podem revelar uma postura voltada à dar fim a própria vida. Entre elas a diminuição do autocuidado, isolamento social, mudança brusca de humor, abuso no uso de drogas licitas e ilícitas, automutilação nos jovens, entre outros.

“Conversar sobre como agir nessas situações é fundamental para quebrar os mitos que existem hoje. A sociedade precisa estar orientada em relação as modalidades de tratamento para que as pessoas possam ter o cuidado de acordo com a necessidade clínica”, destacou o coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Quirino Cordeiro.

Ademais, um vídeo do Ministério da Saúde (que estará no fim desta matéria do Opinião e Notícia) chama a atenção para alguns fatores de risco. Segundo dados do ministério, pertencem aos grupos de risco: pessoas entre 14 e 24 anos, homens jovens e acima 70 anos, trabalhadores da indústria do fumo, grupos sociais em situação de risco – com menos acesso a direitos – e jovens com falta de perspectiva de futuro.

“É importante a análise desses dados, pois é uma questão de saúde pública que tem se agravado no país, principalmente para que possamos diminuir o preconceito e o estigma nas pessoas que tentam o suicídio. Esses números vão ajudar a chegar aos principais focos para que possamos identificar melhor as causas e qualificar as nossas ações de saúde pública”, explicou a diretora do Departamento de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis e Promoção da Saúde (Dantps) do Ministério da Saúde, Fátima Marinho.

Ações de prevenção

Um dos principais órgãos responsáveis pela prevenção ao suicídio em todo o Brasil é o Centro de Valorização da Vida (CVV). A entidade conta com trabalhadores voluntários que estão dispostos a ouvir e prestar apoio emocional para quem estiver disposto a ligar. O centro funciona através do número 188 e todas as ligações são gratuitas e sigilosas. Ademais, a entidade também atende através de chat online, e-mail e em alguns postos presenciais.

“Nossos voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional”, explica o site do CVV. O Ministério da Saúde já destinou R$ 500 mil ao CVV para ampliar os atendimentos telefônicos, que devem chegar a 2,5 milhões apenas neste ano. A iniciativa é uma das principais para que o ministério alcance a meta da OMS de reduzir em 10% o número de casos de suicídio até 2020.

Já para projetos nas Redes de Atenção Psicossocial (Raps), o Ministério da Saúde destinou R$ 1,4 milhão para iniciativas em Manaus (AM), Campo Grande (MS), Boa Vista (RR), Teresina (PI), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), que são consideradas como prioritárias.

“De cada 10 suicídios, nove podem ser evitados desde que a pessoa seja acolhida e tratada adequadamente. O suicídio é um fenômeno extremamente complexo e ele é multideterminado. Então, nós não temos indícios de que o suicídio ocorra por uma única causa, como muitas vezes o senso comum coloca. A gente funciona como se fosse uma panela de pressão”, explicou o psicólogo Carlos Aragão Neto em um vídeo compartilhado pelo Twitter do CVV.

Setembro Amarelo

A hashtag “#SetembroAmarelo” ganha força nas redes sociais, com milhares de pessoas, instituições e empresas fazendo menções a iniciativas como prevenção ao suicídio. Ao todo, 277 mil menções já foram feitas no Instagram.

No Twitter, por um período, a rede social disponibilizou a hashtag “#ExisteAjuda” como uma forma de falar sobre a prevenção ao suicídio. Ademais, o Twitter disponibiliza um formulário dedicado a pessoas que conhecem ou identificam uma pessoa que possa estar em risco de suicídio. Uma equipe de especialistas analisa a denúncia e incentiva que o usuário procure ajuda especializada.

Já o Spotify, um dos principais aplicativos de música da atualidade, disponibilizou uma lista de 40 músicas que abordam, mesmo que indiretamente, o tema, como uma forma de combate e prevenção. Entre as principais músicas estão “How to save a Life” (The Fray), “Lullaby” (Nickelback), “Enquanto Houver Sol” (Titãs), “Flôr” (Caito) e “Um Dia Após o Outro” (Tiago Iorc).

Além disso, algumas ações esporádicas e espaçadas acontecem em todo o Brasil, sob a organização do CVV, como caminhadas, palestras, balões amarelos, pontos turísticos e edifícios públicos iluminados, distribuição de folhetos e atendimentos em locais públicos. Todas as iniciativas têm como objetivo chamar a atenção para a necessidade de prevenção.

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