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Depressão altera cérebro com o passar dos anos

Quem convive há mais de dez anos com a doença, sem buscar tratamento, tem maior inflamação no cérebro do que quem busca ajuda

Depressão altera cérebro com o passar dos anos
A depressão não é considerada uma doença degenerativa, mas tem caráter progressivo (Foto: Pixabay)

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A depressão crônica ou persistente provoca alterações no cérebro ao longo dos anos, o que torna necessário mudar a forma de tratamento de acordo com a progressão da doença. É o que conclui um novo estudo do Centro de Adicção e Saúde Mental do Canadá. Para a pesquisa, os cientistas usaram como base exames de imagem do cérebro.

O estudo, liderado pelo especialista em saúde mental Jeff Meyer, aponta que pessoas que convivem por mais de dez anos com a doença sem recorrer a um tratamento apresentam inflamação no cérebro bem maior do que as que procuraram ajuda em menos de uma década.

Anteriormente, Meyer e sua equipe já tinham revelado que a depressão provoca inflamação no cérebro. No entanto, essa nova pesquisa mostra as primeiras evidências biológicas de que a patologia crônica também causa alterações no órgão. De acordo com os pesquisadores, diferentes fases da doença exigem abordagens diferentes. “Maior inflamação do cérebro é uma reposta comum das doenças neurodegenerativas à medida que elas progridem, como no Alzheimer e no Parkinson”, explicou Meyer.

Mesmo que a depressão não seja considerada uma doença degenerativa, as mudanças ao longo dos anos mostram que ela tem um caráter progressivo, não estático. Porém, independentemente do tempo que a pessoa sofre com a depressão, quase sempre o tratamento ministrado é o mesmo. Sendo assim, Meyer está pesquisando, junto com outros cientistas, opções de tratamento para depressão persistente, usando medicações.

Durante a nova pesquisa, a inflamação do cérebro foi analisada através de exames de imagem, como tomografia por emissão de pósitrons (PET). As microglias – células do sistema imunológico do órgão – respondem à inflamação por trauma ou ferimento, mas a sua atividade exagerada pode ser observada por uma produção maior da proteína translocadora (TSPO).

Dessa forma, os pesquisadores analisaram 25 pessoas que sofrem com depressão há mais de dez anos, e outras 25 que estão enfrentando a doença há menos de dez anos. Outras 30 pessoas sem diagnóstico prévio de depressão também foram examinadas como um grupo de comparação.

Foi notado pela equipe que o grupo que tinha depressão há mais tempo tinha um nível de TSPO 30% maior em algumas regiões do cérebro do que as pessoas que enfrentavam a doença há menos de dez anos.

Por fim, Meyer destacou que os tratamentos de pacientes com depressão grave e crônica não são eficazes, sendo necessárias novas pesquisas na área para saber quais necessidades essas pessoas têm no estágio da doença.

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1 Opinião

  1. André Vinícius Vieites disse:

    Depressão…O número de pessoas acometidas pela depressão vem crescendo anualmente e conforme o artigo intitulado “ Um Custo Crescente da Modernidade: Depressão”, Daniel Goleman (o mesmo da Inteligência Emocional), há estudos que concluem que a depressão está se mostrando em idades mais precoces e entre 20 e 23 anos o pico mais alto da depressão humana, e o risco de se apresentar durante a vida inteira está cada vez mais frequente. Se apresentando em indivíduos mais jovens, provavelmente o propósito é fuga de coisas materiais, mas a fonte de solução está na sequencia dos fatos tristes do cotidiano…e no suicídio de adolescentes… Nas crianças às quais as liberdades são dadas a elas sem limites, fazendo-as se sentirem donas de si e que convivem com pessoas que não se respeitam que proferem palavras de baixo calão e levam a vida a falar mal dos outros, a depressão é mais alta.

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