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Erros de enfermeiros: falha humana ou da Saúde?

Uma pesquisa realizada pelo Coren-SP mostrou que a cada dois dias um enfermeiro é acusado de erro durante o atendimento. Por Carla Delecrode

Erros de enfermeiros: falha humana ou da Saúde?
Stephanie Teixeira, 12, morreu após uma enfermeira injetar vaselina em vez de soro na veia da menina

Um hospital da rede pública do Rio de Janeiro foi cenário de mais uma denúncia de erro de enfermeiros no atendimento médico. “O que vi foi a total falta de compromisso com o trabalho. Isso é mais grave do que qualquer deficiência que o hospital possa ter. A irresponsabilidade e o despreparo é tanto que chegaram ao ponto de colocar o recipiente com a comida, mas sem ligar a máquina de infusão de alimento ou checar se estava funcionando.” O desabafo é de Luis Carlos Nunes do Nascimento, 47, que reclama do tratamento recebido pelo pai, Manuel Texeira, 75, no Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, onde o idoso ficou dias sem receber a alimentação especial, por erro no atendimento.

Manuel sofreu uma isquemia cerebral e não pode comer sozinho, por isso depende do cuidado de enfermeiros para se alimentar por um tubo de via nasal. Apesar disso, o filho reclama que não eram raras as vezes em que encontrava o recipiente de alimentação cheio e com a data do dia anterior. “Eles (enfermeiros) não prestam atenção no que estão fazendo. O problema é a falta de responsabilidade e de consideração com o ser humano. A minha indignação é que as pessoas ainda querem justificar o erro”, afirmou Nascimento que foi obrigado a contratar uma enfermeira – que trabalha no próprio hospital – para que, durante seu plantão, garantisse que seu pai recebesse os cuidados necessários. Apesar disso, o quadro de saúde do idoso já havia se complicado e, hoje, ele completa dois meses no CTI.

A história de Manuel é uma entre centenas em que erros de enfermeiros acabam trazendo danos graves à saúde dos pacientes. Somente em 2010, em São Paulo, foram registradas 250 denúncias contra tais profissionais, o que significa que a cada dois dias um enfermeiro é acusado de erro durante o atendimento. Do total, 20 casos resultaram em morte ou em danos graves aos pacientes, sendo dois deles a história de Stephanie dos Santos Teixeira, 12 — que morreu após receber vaselina na veia em vez de soro fisiológico — e da menina de um ano que teve parte do dedo mínimo decepado enquanto uma enfermeira retirava um curativo. A pergunta que fica é “por quê?”

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Claudio Porto, parte da explicação pode estar na qualificação e na supervisão dos enfermeiros. “Um profissional capacitado, qualificado, bem preparado e supervisionado por um profissional enfermeiro não proporcionaria esse erro em hipótese alguma”, afirmou o presidente, se referindo à morte de Stephanie. Ele acredita que o centro do debate deve ser as condições que a maioria dos profissionais estão submetidos e que favoreceriam a ocorrência de erros.“O problema reside em todo um sistema que facilita o erro, que abre as portas para atitudes sem segurança”, afirmou em nota no site do órgão.

De acordo com o Coren-SP, o cenário que é encontrado pelo enfermeiro no sistema de saúde é de ambientes carentes de quase todos os recursos necessários para garantir um atendimento seguro. “Equipes subdimensionadas, salários incompatíveis com o nível de responsabilidades dos profissionais, estresse, entre outros fatores que quase que obrigatoriamente tornam a assistência de enfermagem um exercício de risco e de sorte/azar, independentemente da competência profissional ou de  seu preparo técnico e científico.” Além das más condições de trabalho, o Coren-SP apontou a sobrecarga de função, os péssimos processos de seleção e as múltiplas jornadas de trabalho como circunstâncias que favorecem a ocorrência de falhas. O erro do enfermeiro pode ser apenas a “ponta do iceberg”.

Caro leitor,

Em sua opinião, o que explica os erros recorrentes cometidos por enfermeiros?

Você acredita que casos como o de Stephanie devem ser encarados como consequência das más condições de trabalho dos profissionais?

O que deveria ser feito pelas autoridades para reduzir a ocorrência de tais erros?

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33 Opiniões

  1. wendell lutz disse:

    Sou formado em tecnico de enfermagem,acho que os orgaos responsaveis tem que fazer melhorar os salarios,pois todos os tecnicos tem que trabalhar em 2 ou 3 lugares para assim sobreviverem,pra vcs terem uma noção de salario moro em juiz de fora,sabe qto é o salario médio em torno de 650,00 reais isso com uma escala de 12/36 horas,e com isso todos nos temos que ter 2 ou mais empregos,sobrecarregando assim o nosso trabalho.Nao acho justo este salario pois passamos maior parte do tempo com o paciente,dando carinho,amor,prestando serviços de humanização.E com isso as vezes os bons profissionais deixam de atuar para sobreviver.
    EXEMPLO:As vezes trabalho em um hospital,saio as 18:00 hs e pego em outro as 19:00 e vou até as 07:00 do outro dia,como posso ter um bom rendimento é triste mas é a pura verdade,quae todos fazem isso.E com isso muitos não tem vida pessoal,só lidando com enfermos.VAMOS MELHORAR O SALARIO.

  2. André Luiz de Jesus Silva disse:

    A estrutura do sistema educacional brasileiro é fator de grande relevância que responde a primeira questão. Explico: nos últimos anos houve um aumento considerável na formação de técnicos de enfermagem no país, em contraposição a queda de enfermeiros graduados, para aqueles que desconfiam da afirmação, basta se dirigir a qualquer hospital público que facilmente será possível contar um número infinitamente maior de técnicos em relação ao de enfermeiros. O que isso significa? Primeiro, por representar um curso menos honeroso, mais simples (logo que exige menos de seus candidatos), normalmente já se está disponível ao trabalho em dois anos (ao contrário do curso superior de quatro anos). Assim ser técnico de enfermagem tem sido a opção mais aprazivel para a maioria dos pretendentes a área de saúde.

    Perceba que o problema é exatamente este. Com uma formação de menor exigência realizada, costumeiramente, em empresas que oferecem cursos técnicos sem a devida fiscalização sobre a qualidade do ensino, torna-se fácil adquirir um certificado, fora o grande auxílio financeiro que se presta a algumas instituições de metodologia questionável.

    Segundo, os próprios técnicos, muito mais devido a parca formação intelectual, não percebem que o seu emprego é pertencente a estrutura demagógica da esfera de política pública, que se vale dessa formação para lhes oferecer baixos salários e condições negligentes de trabalho. De outro modo, eles são mera “mão-de-obra barata”.

    Só que a negligência governamental não foi o fator relevante (e etá longe de sê-lo) causador da morte de Sthefanie. Ela recebeu a aplicação de vaselina pelo simples fato da técnica responsável não ter lido o frasco do produto. Este é um ato típico de uma pessoa que está mais afeita a um processo de “robotização” das ações de sua atividade do que em raciocinar cada ato efetuado durante o expediente, procurando não comenter erros, pelo simples fato de estar lidando com vidas.

    Quanto a última pergunta, a resposta leva diretamente, e mais uma vez, ao hiato que expus no ínicio da opinião: educação. O Brasil está passando por um processo de prostituição dos cursos superiores e técnicos. Algumas Universidades públicas e particulares continuam mantendo o seu nível de excelência, no entanto, é natural em um país subdesenvolvido ter a presença de pessoas preguiçosas que querem apenas um salário a qualquer custo em um emprego que lhes exija o mínimo de atenção. Para elas existem várias, muitas empresas que oferecem cursos superiores e técnicos de curta duração e bom preço, sem a garantia de qualidade.

    Em Campo Grande (Mato Grosso do Sul), foi descoberto no ano passado um esquema envolvendo uma empresa que dizia dar o certificado do Ensino Fundamental e Médio as pessoas que lá estudassem em apenas 60 (sessenta) dias. Centenas de pessoas foram seduzidas pelo golpe. O problema não está só na existência desta empresa (que garantia o reconhecimento do certificado pelo MEC), mas, sobretudo, na atuação dos referidos alunos que desejavam com um golpe (pois isso também é um golpe), ludibriar possíveis empresas que se utilizavam de sua força de trabalho.

    Na mesma cidade conheci uma pessoa que ministrava aulas em um curso de técnico de enfermagem, sendo que ela mesma não possuía qualquer formação técnica ou superior no âmbito da saúde. Ela angariou o emprego por ser esposa de um amigo do dono, que através de indicação a colocu confortavelmente na cadeira docente.

    Como bem coloca Foucault (e já encerrando minha opinião) conhecimento é uma grande e poderosa forma de poder, mas até para conquistá-lo faz-se necessário muitas horas de dedicação e sacrifício.

  3. Julio Cesar disse:

    Eu trabalho em um hospital mas não faço parte da equipe de enfermagem, sou do administrativo e o que eu vejo aqui é uma situação muito complicada porque as condições de trabalho são péssimas, os profissionais (enfermagem) são mau remunerados e grande parte deles são completamente inaptos a exercer a função.

    Já tivemos aqui histórias de erros graves, condutas indevidas, maus tratos aos pacientes entre inúmeros outros fatores que qualificam um mau profissional.

    É obvio que as condições realmente não ajudam muito o bom desenvolvimento do trabalho mas existem muitas coisas que poderiam ser evitadas se os profissionais fossem melhor preparados e remunerados.

    Acredito que casos como da menina “Stephanie” é um mero exemplo de como está a saúde neste país. Varias outras famílias passaram e passam pela mesma dor da perda devida à perda de um ente querido por falha de algum profissional da saúde.

  4. Regiane Karolaine Duarte disse:

    REGIANE DUARTE.SÃOPAULO 06/02/2011.

    QUANTO A MAU REMUNERÃCÃO DOS ENFERMEIROS ACHO INJUSTO, MAIS NEM POR ISSO ELES PRECISAM FAZER UM MAU TRABALHO SEM ATENÇÃO ISSO NÃO JUSTIFICA, O TRABALHO TEM QUE SER FEITO COM AMOR TENHO UMA FILHA DIABETICA POR ISSO FALO QUE TEM UMS ENFERMEIROS QUE SÓ POR DEUS, TEM OUTROS QUE TEM AQUELA ATENÇÃO EM ESPECIAL.

  5. Nina disse:

    Wendell, a questão mais grave não está no salário, mas na formação. André Luiz do Maranhão nos dá uma pista.

  6. Élio J. B. Camargo disse:

    As culpas sempre são jogadas em cima das pessoas por formação, salários, condições de trabalho, etc e assim as falhas nunca serão sanadas. Os erros ocorrem por falhas de gestão. A maioria dos hospitais, principalmente os públicos, não têm sistemas e processos estabelecidos para os procedimentos, de modo a evitar e principalmente corrigir continuamente as falhas. As coisas ocorrem de modo aleatório, podendo dar certo ou errado. No caso de Stephanie, frascos iguais para produtos diferentes induzem qualquer profissional à falha (no caso fatal!). Melhoria contínua só pode ser feita onde existam sistemas estabelecidos. Se existirem sistemas, haverá seleção de acordo com as necessidades, treinamento adequado às pessoas, bem como avaliações e justas remunerações e condições de trabalho. Havendo gestão, haverá meios (equipamentos e materiais)adequados e de acordo com os processos.
    Portanto, O furo é mais em cima. Sem gestão ou gestores adequados, as falhas sempre irão ocorrer e as pessoas sempre levarem as culpas.
    Aliás, neste país, querem apenas achar culpados, nunca tratam de corrigir as falhas. Assim, se elas não são eliminadas, sempre se repetirão.

  7. sarub@uol.com.br disse:

    O grande dilema da nossa cultura : a do mau gestor e da falta de continuidade administrativa.
    Na raiz, a infamante escolaridade básica brasileira, da qual todo o resto é decorrência.
    Como poderemos ter gestores competentes se o critério político de preenchimento de cargos, direta ou indiretammente, está lastreado num eleitorado ignorante, ludibriado pelos aventureiros de sempre?
    Como romper esse círculo maldito?

  8. Helio disse:

    Élvio acertou. Mas ainda penso que o problema está acima (gestão) e abaixo (formação)

  9. Rosilene Rodrigues disse:

    Cada dia que se passa, a coisa piora, A negligência e o descaso com o ser humano só agravam. E hoje não temos a quem recorrer pois, estamos perdendo nossos entes queridos.

  10. Paula Adriana M. Coelho disse:

    Acredito que profissional algum possa ser competente o suficiente quando suas necessidades básicas não são atendidas, os erros são inevitáveis quando se submete qualquer categoria a exploração e sobrecarga de trabalho, é claro que na área de saúde essa situação poderá custar vidas, por isso ficam mais evidentes e escandalosas. A responsabilidade é de todos , dos empregadores mercenários e dos profissionais que aceitam trabalhar em tais condições. Que todos paguem o quinhão que lhes compete.

  11. Maria disse:

    Acredito que o principal problema é a formação de baixa qualidade. A cada esquina tem uma escola de enfermagem. Pessoal totalmente despreparado.

  12. Lusinere Tavares de Lacerda disse:

    Na minha opinião, a enfermagen vem dando sinais de cansaço a muito tempo, so que as nossa autoridades ainda não se deu conta disso. sou enfermeira, e sei bem do que estou falando,fazer 44hs semanais não e nada fácil trabalha muito sobre constante estres.a 10 anos estamos lutando para ser aprovado sa 30hs da enfermagen,quem sabe hoje vejam a real nessecidade.percebo que muito dos profissionais estão doentes devido a sobrecarga de trabalho .a enfermagen tambem precisa ser cuidada!!! vc sabe como fica a cabeça de um profissional da saude apos 24hs em meio tanto sofrimento? não estou aqui querendo retirar responsabilidades de ninguem, devemos por mais cansados que tivemos prestar um cuidar eficiente livres de erros .

  13. yama souto disse:

    A situação do cotidiano brasileiro é de cascata de omissões em todos os setores de atividades públicas e privadas. A atividade em atendimentos médicos, bem como todas as outras em que são obrigatórias a atenção e a responsabilidade dos atos cometidos NÃO PODE JAMAIS SER BEM SUCEDIDA SE NÃO FOR EXECUTADA EM AMBIENTE ADEQUADO E COM AS CONDIÇÕES MÍNIMAS ADEQUADAS DE HIGIENE E AMBIENTE SAUDÁVEL QUANTO À TEMPERATURA E RUÍDOS EXCETO NOS ATOS EMERGENCIAIS QUE OCORREM E TÊM QUE SER ATENDIDOS. Sou médico aposentado e trabalhei 40 anos em Hospitais públicos e a deteriorização das áreas físicas onde se realizam exames e as enfermarias regulares NÃO POSSUEM HABITUALMENTE NENHUMA CONDIÇÃO DE RESPEITO AO PACIENTE QUANTO AO PUDOR, HIGIENE E NÍVEL DE RUÍDO OU DE TEMPERATURA. O BRASIL ESTÁ EM CLARA CRISE DE IRRESPONSABILIDADE E DE DETERMINAÇÃO PELOS ADMINISTRADORES QUE SE LOCUPLETAM COM ENGENHEIROS E TÉCNICOS EM TORNO DE LICITAÇÕES FRAUDULENTAS E SUPERFATURADAS.

  14. Jéssica disse:

    Por que ninguém é perfeito, mas é claro que erros como tais , poderiam ser evitados.

  15. Sabrina disse:

    Acho que quem escreve essas notícias deve estar bem esclarecido a respeito da profissão de enfermeiro. Enfermeiro é o profissional com nível superior que cursa 5 anos de faculdade. Esses erros que tem sido alvo da mídia são cometidos por técnicos ou auxiliares de enfermagem que possuem uma formação bem mais superficial. Portanto para falar de alguma profissão devemos estar cientes sobre a qual profissional nos referimos.

  16. Luis Carlos disse:

    Negligencia nada tem a ver com falta de condições de trabalho. Falta de supervisão é mais grave do que falta de sistema de gestão. Falta de consideração com ser humano, falta de respeito com a vida humana e falta de compromisso com o serviço essencial não tem a ver com falta de bons salários. O paciente não tem culpa da insatisfação pessoal. Cada qual deve realizar a sua parte de maneira independente e profissional. Não há justificativa plausível para atos que resultam em atentado a vida humana. Quem quer fazer arranja um jeito; quem não quer fazer arranja uma desculpa!

  17. Edna Rocha da Macena disse:

    Em primeiro lugar, deve-se diminuir a carga horária dos profissionais de saúde , que trabalham muitas horas seguidas. O mesmo é levado a trabalhar exaustivamente devido a baixa remuneração. E o outro motivo é a incompetência da coordenação do setor. Sou enfermeira e já trabalhei na coordenação de uma instituição e sei o quanto é importante está junto da equipe, ter uma boa percepção de tudo e de todos para que se evite erros. É preciso está ter um bom relacionamento com a equipe, conhecer cada um como se fosse seu próprio filho, procurar sondar os problemas que podem surgir, assim podemos evitar muitas tragédias.

  18. fernanda disse:

    Negligência não está somente ao topo por culpa do profissional, está em vários angulos, a maioria das pessoas se formam por motivo de dinheiro, ninguém se forma por amor a profissão, hoje em dia é a triste realidade, TEM MUITOS QUE RECLAMAM DO SALÁRIO, a maioria sabe antes de fazer o curso o custo e o tempo do trabalho, todos cientes se formam porque querem, agora o paciente não tem culpa de receber certas negligencias porque os enfermeiros não tem aumento, estou para me formar pois amo a profissao e quero ir afundo e melhorar pelo menos para mim me sentir gratificada, o “SABER”, conteúdo, sempre será importante, ter a grande certeza do que está fazendo, estudar ir a fundo, hoje em dia nada está facil, em qualquer tipo de profissao,independentemente do tempo de trabalho,estamos lhe dando com vidas e não objetos que se quebrar não sentira dor, e nenhum afeto sentimental, vamos pensar bem nas profissoes no que queremos antes de nos formar, para não prejudicar quem está ali querendo cuidados, ESCOLAS TECNICAS também concordo tem varias por ae, ensinam de qualquer jeito e o aluno não tem culpa daquele ensino, eu acho que o coren devia rever mais e principalmente os docentes…. lhe dar com vida é serio, vamos repensar pessoal!

  19. ANGELA disse:

    Essa é uma questão muito complicada. Varias são os motivos que acabam levando um profissional cometer tais erros, que são tão tristes e que acabam com vidas.
    Nesse momento vamos falar da classe dos técnicos em enfermagem: Eles trabalham tanto, e tem remuneração tão baixíssima, por isso, necessitam em sua maioria ter mais de um emprego, pois muitas vezes são chefes de família. Isto gera a necessidade de se ter mais de um emprego, o que não seria problema se a carga horária de trabalho fosse menor.
    Essas questões acima, os sobrecarregam, os deixam com déficit de atenção e diminui a sua qualidade de trabalho, é nessas horas que esses erros acontecem. Acrescentando-se a tudo isso, temos a grande demanda de clientes em cada hospital, que geralmente não tem a quantidade de técnicos suficientes para atende-los, muito menos tem uma boa estrutura para suportar toda essa demanda.
    Em resumo percebemos que essa é uma questão muito complexa, que envolve o baixo salário, a quantidade de horas trabalhadas, a grande demanda de clientes, a estrutura deficiente do ambiente de trabalho, e alem dessas questões tem algo importantíssimo, é a formação dessa classe, pois conversando com alguns estudantes tive relatos de alunos que contaram que muitos não cumprem as horas obrigatórias de estagio, com maus orientadores e sem boas aulas teóricas, devido a falta de materiais nas escolas ou por não terem bons professores, que realmente estejam interessados em ensinar e não apenas em receber o seu salariozinho, que já nos leva para a questão salarial desta outra classe, de remuneração tão baixa para sua tamanha importância, mas este caso deixo para depois.
    Então o que nos resta é esperar que os órgãos que deveriam lutar por estes profissionais procurem agir para que haja melhoras, já eles recebem uma anuidade bem considerável desta classe. Mais o que eu espero mesmo é que a população perceba que ninguém entra nesta profissão para tirar a vida de ninguém, mas sim para tenta conservá-la, e que estes profissionais são humanos e ERRAR É HUMANO.
    E argumentando a opinião dada por alguém, o técnico tem um estudo mais superficial, mas é quem mais trabalha, e o enfermeiro que deveria supervisioná-los nem isto esta fazendo (não estou dizendo que eles tem que ser babá e nem que os técnicos precisam de uma ). E não podemos esquecer dos erros médicos que muitas vezes são os técnicos e os enfermeiros que são acusados pela população.
    Enfim é algo complicado e um caso a se pensar, espero que todos entendam o meu texto e o que eu quis dizer com ele. Obrigada !!!!!!!!!!!!!!!

  20. Sthefany disse:

    Eu penso que os Enfermeiros de hoje em dia nao estao se comprometendo ao seus fazeres,eles tratam as pessoas como se fosse um brinquedo e fazendo isso eles acabam com a vida de pessoas que estao ali p ter a atençao p serem tratados!! Afinal se o paciente esta dentro de um hospital é sinal que ele requer cuidados de nós, mas infelizmente nao é isso que acontece!

  21. janaina disse:

    a minha opinião é falta de atenção mesmo por parte do profissional de saude.os problemas se deixa em casa. pois estamos li dando com vidas.os enfermeiros tambem erram como os tecnicos de enfermagem tambem.sou tecnica de enfermagem.

  22. SILVIO disse:

    Acho que esses casos de erros na área de saúde deve-se averiguar todas as variantes possíveis. Nesse foco há somente o profissional que errou mas será que a instituição e os próprios CORENs não têm suas responssabilidades? Os empresários donos dos hospitais e clínicas contratam poucos profissionais da Enfrmagem sobrecarregando-os. Lembremos que eles são empresários e que mais que tudo visam lucros altíssimos mas quém pagam o pato são os pobres trabalhadores que atuam em péssimas condições insalubres com sobre carga de trabalhos e ganhando muito pouco pro nível de responsabilidades que assumem. Nos diálogos, todos dizem que esses profissionais lidam com a vida, por que não os remuneram de acordo com o valor que a vida merece?

  23. SILVIO disse:

    A CORDA SEMPRE QUEBRA PRO LADO MAIS FRACO. O CRM SEMPRE DÁ UM JEITO PRA PROTEGER OS MÉDICOS QUE CAUSARAM ERROS TÉCNICOS JÁ OS CORENs, PELO MENOS AMENIZAR, JOGA É NA FOGUEIRA OS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM. ORA PENSEM VCS, ACHAM MESMO QUE UM TÉCNICO, AUXILIAR OU MESMO ENFERMEIRO SE DÁ O TRABALHO DE SAIR DE SUA CASA PRA MATAR ALGUÉM NO DESEMPENHO DE SUA ATIVIDADE? MUITO SE FALA NA MÁ PREPARAÇÃO POR PARTE DOS CURSOS DE TÉCNICOS/ALXILIARES DE ENFERMAGEM MAS QUÉM OS FISCALIZA, QUÉM OS AUTORIZA A FUNCIONAREM DO JEITO QUE FUNCIONAM, QUÉM APROVA OU COMPROVA OS CERTIFICADOS EMITIDOS POR ESSAS INSTITUIÇÕES? GOSTARIA DE SABER DOS CORENS OU DO PRÓPRIO COFEN. VCS TEM OU NÃO TEM PARTE EM CADA MORTE OU LESÃO CAUSADA PELOS PROFISSIONAIS REGIDOS POR VCS E QUE PAGAM ANUIDADES PRA VCS?

  24. Lucio disse:

    Acho um problema muito amplo, a começar pelos concursos, onde as pessoas os fazem visando apenas o salário sem ter nenhuma vocação para a função em si, pensam apenas na aposentadoria e nos benefícios que o cargo oferecem e nem pensam que aquilo não é a maravilha que imaginam e quando são aprovados para tal função reclamam muito e fazem as obrigações com falta de vontade e com muita incompetência porque querem apenas cumprir a jornada de trabalho e receber seu salário no fim do mês.

  25. Thais disse:

    “Negligencia nada tem a ver com falta de condições de trabalho. Falta de supervisão é mais grave do que falta de sistema de gestão. Falta de consideração com ser humano, falta de respeito com a vida humana e falta de compromisso com o serviço essencial não tem a ver com falta de bons salários. O paciente não tem culpa da insatisfação pessoal. Cada qual deve realizar a sua parte de maneira independente e profissional. Não há justificativa plausível para atos que resultam em atentado a vida humana. Quem quer fazer arranja um jeito; quem não quer fazer arranja uma desculpa!”

    Aproveitando apenas uma opinião expressa aqui, porque expressa o pensamento de muitas pessoas com quem já falei a respeito. Tenho 13 anos de profissão no setor público na enfermagem.

    “Negligencia nada tem a ver com falta de condições de trabalho”. Em parte. A instituição TEM O DEVER de proporcionar as condições adequadas para trabalhar, em material e pessoal. Se existem 2 técnicos de enfermagem para 30 pacientes, com alta rotatividade, como em um hospital particular próximo da minha casa, ou mais de 30 pacientes, no mínimo, na emergência do hospital onde trabalho, onde tem 01 técnico de enfermagem, às vezes dois, com quadros instáveis, pacientes dependentes (AVC, IAM, TVP, como exemplo), e que não pára de chegar outros novos, como prestar uma assistência de qualidade nessas condições? A negligencia faz parte do cotidiano, por que não tem como dar conta de uma demanda dessa. Vc vai deixar ou demorar muito a atender alguém, não vai conseguir acompanhar o quadro clínico (principalmente a piora), e vai priorizar algo em todo momento. A enfermagem lida com GENTE, não com objeto, e suas famílias, em sua maior parte em situação de doença, portanto as PESSOAS querem atenção, te solicitam o tempo todo, não te deixam preparar medicação direito, são grosseiros porque ainda não tomaram banho (mesmo explicando que parou para preparar e administrar as medicações), tem de lidar com os humores e estados de espirito de pacientes e família, risco de morte iminente.
    Eventualmente, eu pergunto para algum familiar, depois de explicar repetidas vezes que o banho será retomado após o preparo e administração de medicações, e questões de quantitativo de pessoal (como 2 TE p mais de 30 pacientes), a maioria das vezes sob ameaças de queixas, ouvidoria, policia, tv, se ela quer que pare o preparo e administração das medicações para dar banho, que eu permito que ela escolha o que é mais importante para ela (ou seu familiar paciente); porém, sem reclamar que o remédio não foi feito, porque foi opção dela que fosse assim. Ou seja, trabalho sob estresse, morte iminente, lidar com a família na pós morte imediata e/ou agravos de saúde, com excesso de pacientes e péssimas condições de trabalho e remuneração. Priorizar, significa escolher; e nessas condições, ao escolher alguém é negligenciado. A falta de respeito com a enfermagem é por parte da instituição e da população.

    “Falta de supervisão é mais grave do que falta de sistema de gestão”. Supervisionar é complicado nessas condições. Muitos locais os TE são de cooperativas, com vínculo de político. O TE ou enfermeiro está lá porque foi indicação política, não porque é competente. O enfermeiro que exerce sua liderança é punido, demitido, e o bonito continua fazendo o que quer. Pessoalmente, estou passando por uma situação assim. “Não pode chamar a atenção do técnico de enfermagem porque ele ganha muito pouco” foi o que eu escutei, além da questão do vínculo político. Eu fui mandada para outro setor no plantão seguinte em que quase fui agredida fisicamente (quase, porque outro enfermeiro se interpôs quando este TE avançou e o empurrou). O foco não é condição de trabalho ou qualidade no atendimento, mas assegurar votos. E não tem como supervisionar a todos, porque a proporção enfermeiro x TE é inversamente proporcional. As resolução do COFEN são simplesmente ignoradas, e este não faz nada para mudar a situação.

    As jornadas de trabalho de 12 horas seguidas, vários empregos para ter um salário digno, falta de convivência familiar, poucas horas de descanso, causam cansaço. Interessante, que é aceitável que um motorista, por exemplo, porque está muito cansado, perca a atenção na direção e bata ou atropele alguém. O cansaço é explicação para o fato. Mas para a enfermagem, o cansaço não é justificativa para erros. Os profissionais de enfermagem são máquinas, não PESSOAS.
    Um outro exemplo disso é o atendimento médico x enfermagem. Ainda que tenham vários médicos atendendo, ao colocar um único TE (técnico de enfermagem) na sala de medicação, significa espera. É necessário separar, preparar a medicação, puncionar uma veia (entenda que nem todas as pessoas são “boas de veia”), e IM tem gente que fica de graça, não quer tomar, vai doer, essas coisas. As pessoas ao invés de reclamarem com o administrativo responsável, chefe de equipe, procurar direção, para colocar mais profissionais, vão criar caso e ameaçar o TE porque ele é um incompetente, está demorando, não sabe nada. A falta de ergonomia é uma constante. E a formação está muito muito ruim.
    Como fica a cabeça, a coluna, as pernas, de uma pessoa que mal consegue ir ao banheiro urinar, só vai quando a bexiga dói, por falta de escolha, que engole a comida e volta para trabalhar correndo e não tem direito a descansar. Por causa do transito, sai de casa as 5h para chegar no plantão as 7h, sai as 19h (quando não é obrigado a dobrar), chega em casa umas 21h, para no dia seguinte trabalhar de novo nas mesmas condições. Quando não vai para o outro trabalho. Convívio com filhos/família, para que? Lazer, para que? Um salário decente, para que? Os profissionais de enfermagem são robôs, além do que, Enfermagem é AMOR…. Um TE funcionário contratado (pq estatutário é quase lenda) do Estado do RJ recebe um salário que não chega a R$600,00. Isso mesmo.
    Trabalhando da forma descrita, mesmo que a instituição promova algum tipo de capacitação, como sair do setor? E com essa remuneração, como pagar um curso? E em que horário?

    Trabalhar na Enfermagem é física e mentalmente extenuante. são tratados como verdadeiros escravos. E o pensamento é realmente escravocrata: não sabem nada, são preguiçosos, tem que falar alto/punir/perseguir o tempo todo para fazerem o serviço (e tem que dar conta SEMPRE). Só esquecem que são cerca de 60% dos profissionais da instituição, portanto, é a enfermagem que mantém o hospital; assim como os escravos eram os responsáveis pela produção e enriquecimento dos seus senhores.
    Nem quero entrar na questão do assédio moral.

    Aproveito a oportunidade para pedir a todos apoio para PL 2.295/2000, que regulamenta a jornada de trabalho dos profissionais da Enfermagem em 30 horas semanais. O médico vale muito, e tem uma carga horária de 20/24h/semanais, porque não pode trabalhar em qualquer condição. Claro que é justo. Porém, médico não trabalha sozinho. É a enfermagem que dá continuidade a terapêutica do médico, faz a monitorização hemodinâmica do paciente, e que está ao lado do paciente 24 horas ininterruptas.Uma melhor condição de trabalho promove uma melhor assistência, com menos riscos de negligências, imperícias ou imprudências.

  26. cristina disse:

    Deve ficar bem claro que o enfermeiro é aquele que cursa nível superior, muitos erros são cometidos por técnicos e/ou auxiliares de enfermagem, os fatos descritos foram cometidos por técnicos.
    Como enfermeira, concordo que as nossas ( enfermeiros)responsabilidades são muitas, mas nada jusifica uma imprudência, imperícia. Quando se é contratado o indivíduo acaba por aceitar as condições postas, porém é importante que o COREN se faça mais presente no que concerne as fiscalizações das instituições, as condições de trabalho, na presença do enfermeiro como chefe das unidades de enfermagem. Ressalto ainda a importância da fiscalização dos cursos superiores de enfermagem que estão abrindo de forma descontrolada, sem qualificação o que leva a formação de profissionais desqualificados.

  27. lucilene disse:

    QUEM DEU MEDICAMENTO ERRADO?TEC;DE ENF OU AUXILIAR ? ESSIS ERROS FORAM COMETIDO POR ESSIS PROFISSIONAIS ,POREM NAO QUER DIZER QUE MUITOS ERROS TBM SÃO COMETIDOS POR COLEGAS ENFERMEIROS.(AS),NESSI CASO ACIMA CONCORDO PLENAMENTE QUE NADA JUSTICFICA A QUESTAO,TEM MUITOS PROFISSIONAIS QUE ENTRAM PARA TRABALHAR POR INDICAÇAO DE PARENTE ,COLEGAS E É AI QUE MUITOS SE FERRA NÃO APRENDEU DIREITO DURANTE OS ESTAGIOS E QUER ENTRAR NOS HOSPITAL FAZENDO OS PACIENTES DE COBAIA,JÁ VIRAM UM PROFIISSIONAL DE CURSO SUPERIOR COMETENDO ERROS ?EU JÁ,ASSIM COMO VI TBM TEC; AUXILIAR FAZENDO TAMBEM.NADA JUSTIFICA POIS MUITOS NAO TEM ATENÇAO DURANTE ALGUM PROCEDIMENTO COM O CLIENTE.AI SO JESUS NA CAUSA DELE.

  28. Leticia disse:

    Apesar da falta de responsabilidade e atenção por parte dos profissionais da saúde, creio que o que favorece essas tragédias é o descaso pelos profissionais, que recebe muitas atribuições e responsabilidades porém sem conduções de satisfaze-los de forma excelente. O MS e outros orgãos responsaveis pela promoção da Saúde brasileira deve receber essas denúncias como alerta para fornecerem condições favoraveis e dignas aos enfermeiros. E também cabe a cada um avaliar o porquê escolheu esta profissão e se esta certo da mesma, pratica-la com amor e respeito a vida do outro.

  29. valquiria disse:

    A enfermagem precisa ser mais competente, levar a profissão á sério, devia ter um salário digno e insentivo de qualificações continuas para que possamos ter uma qualidade na assistência do cliente e satisfação profissional, apesar de não termos um incentivo das autoridades, acredito na vocação!!!

  30. amanda disse:

    Thais vc esta de parabéns pelo comentário, o pior que e exatamente assim do jeito
    que vc descreveu! estive na área por 10 anos e amava o que fazia, mas infelizmente por tudo isso q vc falou e mais um pouco do que acontece conosco graças a Deus eu me desliguei da área há um mês e não me arrependo.
    fiquei sabendo que mas quatro colegas também se desligaram no mesmo mês, e como disseram na matéria acima isso é so a ponta do iceberg

  31. Enf.Dr.Mateus Canindé disse:

    se Enfermeiros e tec. de enfermagem tivesse um salario melhor, trabalharia menos e com tudo não se sobrecarregaria, e erros feitos esse não ocorreria, não culpe o enfermeiro e tec. de enfermagem culpe seus gestores(GOVERNADORES, MINISTROS, MAGISTRADOS, VEREADORES, PREFEITOS, DONOS DE HOSPITAIS, COREN E CONFEN) porque sono e sobrecarga propicia erros. Para quem ainda não entendeu a vida de um ENFERMEIRO, tem que ter muito amor,viu?!
    É muito indigesto ouvir comentários do tipo: “Nossa, fez 5 anos de faculdade pra trocar fralda!”, ou “Você é bom, porque não faz medicina”, ou ver uma novela das 21 tratando os enfermeiros como parasitas que nada fazem, além de “enfeitar” o hospital. Pois bem, sei que muita gente não faz a menor ideia do que ocorre dentro de um hospital, e achei por bem fazer essa espécie de “diário de um enfermeiro”, para que todos entendam como é de fato o nosso dia de trabalho:
    Normalmente a galera da enfermagem acorda às 5 da manhã pra bater ponto às 7 e render os colegas que já estão massacrados após uma jornada cruel de trabalho.
    Ao chegar no setor, seja ele UTI, emergência ou clínica médica o enfermeiro já começa a avaliar os pacientes, observa quem está mais grave, faz escala de técnicos, confere prescrições, checa quem vai pra TC, pra cirurgia, pra ressonância, enfim, o dia já começa à 220W. Boa parte dos pacientes de UTI são politraumatizados bem ferrados mesmo, a clínica médica abarrotada de homens e mulheres, idosos com múltiplas úlceras, e a emergência, bem, se você conseguir colocar todos os pacientes em macas, sinta-se vitorioso!
    Enfim, durante a manhã você está lá, ajudando nos banhos dos pacientes graves, checando medicações e procedimentos pendentes, levando pacientes para a TC, quando de repente, vem a primeira parada do dia, um vozinho em pós-operatório de AVE hemorrágico, e vira aquele corre corre, e puxa carrinho, prepara adrenalina, mas o vô não aguenta e morre, eis que você prepara o primeiro corpo do dia. Mas você não se abate, outros pacientes da UTI estão graves, e precisam da sua assistência. É tanto trabalho, que normalmente só conseguimos sentar na hora do almoço, mas, a cirurgia geral chega na hora e diz “prepara o paciente do leito 1 pra traqueostomia, e fica aí pra me auxiliar”, daí, você engole a fome, e vai lá, e seu almoço fica pra mais tarde.
    Enquanto isso na pediatria, uma criança com meningite morre, depois de 1 mês de internação, lá fora, estão os pais dela, aos prantos, inconsoláveis por perderem a filha única de 4 meses. Lá dentro, a equipe de enfermagem está engolindo o choro, a frustração, desligando os aparelhos e preparando mais um corpinho. Gente, vocês não fazem ideia da dor que é lidar com uma morte assim, mas ter de juntar os pedaços pra encarar o resto do plantão, ainda falta umas 20hs de muito trabalho pela frente…
    Um andar acima, na clínica médica, o enfermeiro está lá, com uns 50 pacientes, fazendo curativo em úlceras de decúbito desde às 8 da manhã, resolvendo todos os pepinos possíveis e inimagináveis, quando ele senta pra tentar aprazar as prescrições (reparem que já passa das 13hs!), alguém grita lá no fim do corredor “Enfermeiro, os pacientes da enfermaria X estão agitados e arrancaram as sondas”, e lá vai o enfermeiro repassar SNE em todo mundo, recalcular tempo de dieta e tal. Lá pelas 23hs, quando você pensa que a paz irá reinar, um paciente psiquiátrico tenta levantar sozinho e cai do leito. Ai você corre, mas não tem médico no setor para solicitar Raio X, se vira nos 30! Acreditem em mim quando digo, na clínica médica, acontecem imprevistos o dia inteiro…
    Mas a cereja do bolo está na emergência. Lá pelas 22hs, só tem 1 médico na emergência, que somente irá atender casos muito graves. O enfermeiro do acolhimento é obrigado a estar na linha de frente para dizer quem vai ou fica, mas o povo não entende, ameaçam de morte e o caramba …Por volta das 2hs da manhã chegam um paciente usuário de cocaína, em PCR (parada cardiorrespiratória) após overdose, e um jovem vítima de PAF torácico (para os leigos, levou um tiro no peito). E é aquela correria, massageia, ventila com ambú, médico entuba, leva o baleado pro centro cirúrgico, e notícia triste: “Enfermeiro, não tem ventilador pro rapaz da overdose, já estão todos em uso na sala vermelha”, o enfermeiro então, vai mantendo o rapaz em ambú até que outro ventilador chegue no setor, ou consiga a transferência, e isso pode levar horas, o cansaço é avassalador…. As 5 da manhã já começam a ser colhidas as rotinas laboratoriais, os balanços hídricos começam a ser fechados e checados, como um bom enfermeiro, você verifica tudo para que não existam pendências de uma equipe para outra. Às 6 da manhã, o menino da overdose, que tinha uns 16 anos, faz uma quarta PCR, e seu coração não resiste, ele vai à óbito. Às 7hs da manhã, você já passa o plantão visivelmente esgotado. Aí, você junta suas coisinhas e vai pro outro hospital, encarar mais 12hs ou 24hs de plantão, tentar fazer uma graninha extra, pq a rede pública e privada costumam pagar muito mal. Depois de umas 48hs no ar, você vai pra casa, tentar dormir e curtir um pouco a sua família, porque no dia seguinte, lá estará você novamente, numa longa jornada de trabalho. Confesso à todos, que mesmo em casa, já cansei de dormir ouvindo bombas e monitores alarmando, é desesperador! Mas enfim, somos apenas enfermeiros né?! O único momento em que seremos lembrados, é quando algum colega de profissão tragicamente administrar vaselina na veia de um paciente, viramos escárnio público pelo erro de UMA pessoa. Não sei, mas tenho a sensação de que metade das pessoas que criticam, não aguentariam fazer o nosso trabalho por mais que 30 minutos, afinal, para lidar com a dor e a doença alheia, até onde sei, é preciso conhecimento que vai muito além de saber trocar fraldas…

  32. Gabriela disse:

    Não está satisfeito com o salário ou condições de trabalho pede p sair. Enfermagem e Medicina é dom. Nada justifica erros.

  33. Everaldo disse:

    Eu não acho que os enfermeiros fazem isso por causa de querer mais sim por estarem em sobrecarregados. E todos cometem erro

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