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Estados Unidos lutam contra ‘desertos alimentícios’

Problemas na alimentação dos norte-americanos vão muito além da escassez de produtos saudáveis nos mercados

Estados Unidos lutam contra ‘desertos alimentícios’
Predileção pela junk food é a principal causa de obesidade entre os norte-americanos

Um novo website do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostra que 10% do país agora são um “deserto alimentício”. O Localizador do Deserto Alimentício é um mapa online destacando milhares de áreas nas quais, segundo o USDA, famílias de baixa renda têm pouco ou nenhum acesso a comida fresca e saudável.

Identificados pela primeira vez na Escócia durante os anos 1990, os desertos alimentícios surgem como um exemplo representativo da decadência urbana. Eles sugerem imagens de infinitos restaurantes de fast-food e lojas de conveniência servindo junk food adocicada e gordurosa para clientes obesos que nunca provaram uma couve de Bruxelas.

O USDA associa desertos alimentícios a um crescente problema de peso que fez com que a obesidade infantil triplicasse desde 1980, e elevou o custo anual de tratamento da obesidade a quase US$ 150 bilhões. A primeira-dama Michelle Obama anunciou um programa de financiamento de alimentos saudáveis, avaliado em US$ 400 milhões, com o objetivo de eliminar os desertos alimentícios em todo país até 2017.

Números oficiais da quantidade de pessoas vivendo em desertos alimentícios já mostram um declínio, de 23,5 milhões em 2009, para 13,5 milhões na época do lançamento do website, em maio. Embora isso inicialmente possa indicar que o programa teve um início espetacular, infelizmente não representa, na prática, uma única banana comprada ou refrigerante descartado. Isso acontece porque nos Estados Unidos, a definição de deserto alimentício representa qualquer área na qual pelo menos 20% dos habitantes está abaixo do nível de pobreza, e 33% vivem a mais de uma milha de distância do supermercado mais próximo. Ao simplesmente estender o limite de distância para dez milhas nas áreas rurais, o USDA retirou 10 milhões de pessoas dos desertos alimentícios.

Alguns acadêmicos vão além, classificando o surgimento de vários desertos alimentícios como uma miragem – e não como o problema real. Pesquisas do Centro de Saúde Pública e Nutrição da Universidade de Washington mostram que apenas 15% da população compram comida dentro de sua área geográfica determinada pelo censo. Críticos também notam que o foco nos supermercado significa que o USDA ignora dezenas de milhares de grandes e pequenos varejistas, feiras livres, e pequenos fazendeiros de beira de estrada, muitos dos quais são excelentes fontes de comida fresca. Juntos, eles representam mais da metade do trilionário mercado do varejo alimentício no país.

Uma visita a Renton, um deprimente subúrbio de Seattle, demonstra esse problema. A cidade está localizada no centro de um dos desertos apontados pelo USDA. No entanto, conta com estandes de beira de estrada que vendem frutas e vegetais orgânicos, uma loja de comida saudável recheada de grãos nutritivos, e uma enorme loja que, segundo os pesquisadores da Universidade de Washington, atrai legiões de compradores de áreas bastante distantes do deserto.

Não é uma surpresa, portanto, que nem o USDA, nem o Instituto de Medicina das Academias Nacionais tenham sido capazes de estabelecer uma relação causal entre os desertos alimentícios e a saúde alimentar. Na verdade, ambos concordam que uma simples melhoria no acesso aos alimentos saudáveis não alteram os comportamentos dos consumidores. Abra um supermercado em um deserto alimentício e a tendência é a de os clientes comprem a mesma junk food entupidora de artérias de sempre – apenas a um preço mais baixo. A triste verdade é a de que alguns norte-americanos simplesmente não se importam em comer uma dieta balanceada, enquanto outros, cada vez mais, não têm dinheiro para fazê-lo. Nos últimos quatro anos, o preço das comidas mais saudáveis teve aumentos quase que duas vezes maiores que os da junk food, e é aí que mora o problema.

Fontes:
The Economist - "If you build it, they may not come"

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1 Opinião

  1. George da Silveira disse:

    Muita gente prefere comer porcaria do que alimenros saudáveis.
    Por outro lado tem muita gente interessada em contaminar as pessoas com alimentos que contaminam o corpo alterando os eletrólitos e outros componentes do sangue, ou seja, comida que satifaz a língua e os olhos e não o corpo.
    E tem mais, há os que não podem ter acesso aos alimentos saudáveis e às receitas e dicas de comidas maravilhosas que são dadas em alguns programas de tv porque são pobres, pois alimento natural é caro. Vide os orgânicos.

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