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Estresse do dia a dia pode ter efeito cumulativo

Situações de estresse aparentemente triviais, no passado, podem desempenhar um papel de longo prazo na saúde mental

Estresse do dia a dia pode ter efeito cumulativo
Ao longo dos anos, estresse acumulado pode afetar o psicológico (Reprodução/Internet)

A máxima de Friedrich Nietzsche, muito citada, diz: “O que não nos mata nos fortalece”, e é geralmente tomada como verdade. Ainda assim, um estudo recém-publicado na Psychological Science sugere que experiências desagradáveis fazem exatamente o oposto.

Em 1995, David Almeida, um psicólogo da Pennsylvania State University, começou uma experiência envolvendo 1.483 pessoas. Ele pediu que elas fizessem dois testes. O primeiro consistia em que eles relatassem, em uma escala de um a cinco (na qual um significava “nunca” e cinco “o tempo inteiro”), com que frequência, durante os 30 dias anteriores, eles se sentiram inúteis, desesperançosos, nervosos, inquietos ou impacientes; quanto do seu tempo eles sentiam que tudo necessitava de um grande esforço; e com que frequência eles ficavam tão tristes que sentiam que nada poderia animá-los.

O segundo teste perguntou se qualquer dos vários tipos de situação de estresse havia acontecido no decorrer dos dias anteriores. Essas situações incluíam discussões, situações nas quais os participantes sentiram que poderiam ter discutido, mas preferiram não fazê-lo, problemas no trabalho, problemas em casa, e a sensação de aborrecimento por um problema enfrentado por um amigo. Finalmente, foi perguntado aos participantes se eles haviam recebido tratamento contra ansiedade, depressão ou qualquer outro distúrbio emocional durante o ano anterior.

O Dr. Almeida, então, deixou passar uma década, após a qual tentou entrar em contato novamente com os participantes. Novamente ele pediu que eles relatassem, usando a mesma escala, com que frequência eles haviam sentido os vários sentimentos negativos durante os 30 dias anteriores. Ele também perguntou novamente se eles haviam recebido tratamento contra distúrbios emocionais durante os 12 meses anteriores.

Quando ele e seus colegas analisaram as respostas perceberam que, ao contrário do dito de Nietzsche, situações de estresse diárias, aparentemente triviais, no passado, tinham desempenhado um papel de longo prazo na saúde mental. Eles descobriram que quanto mais frequentemente as pessoas (que não haviam até então recebido tratamento contra um distúrbio) se sentiam nervosas, impacientes, inúteis ou desesperançosas há dez anos, maiores eram as suas chances de terem desenvolvido um distúrbio no meio tempo. O estudo sugere que para alguns, mesmo adversidades menores podem se tornar malevolentes, enfraquecendo a psique, ao invés de fortalecê-la, como Nietzsche sugeriu.

Fontes:
The Economist-Ground down

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