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SAÚDE

Estudo mostra que fim da vacinação da varíola pode ter levado a aumento de infecções

Doenças como a varíola simiana atacam jovens nascidos após declínio no uso da vacina

Estudo mostra que fim da vacinação da varíola pode ter levado a aumento de infecções
Pesquisadores acreditam que a varíola simiana é transmitida por roedores, como os esquilos (Fonte: FLPA)

Uma das grandes vitórias da saúde pública no último século foi a erradicação da varíola. Depois que a doença foi considerada extinta, em 1980, a população abandonou a vacina. Parecia o último triunfo da tecnologia sobre uma praga medieval.

No entanto, o fim da vacinação gerou novos perigos. Pesquisadores suspeitavam há muito tempo que a vacina contra a varíola também trazia proteções contra variações de doenças como as varíolas simiana e bovina, e há três décadas se perguntaram se o fim da vacinação não faria com que os índices dessas doenças aumentassem entre os humanos. Mas concluíram que as chances eram improváveis. Agora, um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” sugere que eles estavam enganados. Um grupo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA) examinou pessoas vivendo na República Democrática do Congo e descobriram um impressionante aumento nos casos de varíola simiana – uma doença que, embora não tão grave quanto a varíola tradicional, mata 10% dos infectados.

Uma análise dos dados revelou que homens tendem a ser mais suscetíveis às infecções que as mulheres, e que moradores da zona rural tendem a ser mais afetados que pessoas vivendo em centros urbanos. Isso sugere que estes indivíduos travam maiores contatos com hospedeiros da varíola simiana, que, apesar do nome, é transmitida – acreditam os pesquisadores – por roedores, como esquilos e ratos gigantes. Como a guerra e a miséria forçaram moradores da zona rural a depender cada vez mais da carne de animais selvagens, as chances de contágio aumentaram.

Outra curiosidade é que a doença ataca principalmente os jovens, grupo que teve menos chance de ser vacinado contra a varíola. Entre os infectados do Congo, mais de 905 nasceu depois de 1980, e a média de idade dos infectados é de 12 anos.

Esses dados não são suficientes para reintroduzir a vacina contra a varíola. Um dos autores do estudo, Nathan Wolfe acredita que os riscos associados à vacina (alergias que podem levar à morte) superam seus benefícios. O que o estudo sugere é que as autoridades mundiais de saúde devem manter seus olhos abertos para o aparecimento de outros vírus ligados à varíola, que podem estar surgindo aos poucos.

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Fontes:
Economist - Emerging infections: No good deed goes unpunished

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