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Saúde

Estudo: uso de sonífero aumenta em três vezes o risco de morte

Pesquisa com participação de 10.500 pessoas concluiu que o uso remédios soníferos da classe dos hipnóticos aumenta em três vezes o risco de morte por qualquer causa

Estudo: uso de sonífero aumenta em três vezes o risco de morte
Para psiquiatra, muitos pacientes não buscam tratamentos alternativos (Reprodução/Internet)

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Um estudo da clínica de sono Viterbi, na Califórnia, e do Centro de Medicina Preventiva de Jackson Hole, em Wyoming com 10.500 pessoas concluiu que o uso de remédios soníferos da classe dos hipnóticos aumenta em três vezes o risco de morte por qualquer causa.

Entre 2002 e 2007, os autores do estudo analisaram os dados de usuários de hipnóticos como zolpidem (Stilnox) e zopiclone (Imovane) além de sedativos como barbitúricos e benzodiazepínicos como midazolam (Dormonid) e o flunitrazepam (Rohypnol).

Os pesquisadores verificaram um aumento do risco de morte até mesmo entre os pacientes que tomavam as dosagens menores (menos de 18 pílulas por ano). Os autores do estudo, que será publicado hoje, 29, na revista BMJ Open, da editora do British Medical Journal, concluíram que muitos efeitos dos soníferos podem levar à morte.

Segundo os especialistas, os hipnóticos prejudicam as funções motoras e cognitivas, o que aumenta o risco de acidentes de carro e de quedas em casa, principalmente entre os idosos. Estes, explica o psiquiatra Sergio Hototian, do Hospital Sírio-Libanês, são os usuários que tomam soníferos por mais tempo e têm mais resistência a parar de usar os soníferos. “Com os hipnóticos, o risco de queda aumenta em três ou quatro vezes.”

Além dos efeitos nas funções motoras, a mistura dos remédios com álcool aumenta o risco de pausas prolongadas na respiração durante o sono. “Uma taça de vinho pode ser suficiente para levar a uma overdose”, afirma o médico.

Alguns pacientes que utilizam remédios como o zolpidem desenvolvem sonambulismo, o que aumenta o risco de acidentes. Segundo o estudo norte-americano, o uso dos hipnóticos também aumenta a probabilidade de desenvolver câncer (35% maior entre os pacientes com o maior número de doses por ano).

Hototian acredita que há excesso de prescrição de soníferos e diz que muitas das pessoas que precisam deles o tomam de forma errada. “É preciso saber a causa da insônia. Muitas vezes, a pessoa tem uma depressão que causa falta de sono. É melhor tratar com antidepressivos do que com hipnóticos”.

Para o psiquiatra, muitos pacientes que reclamam de insônia não buscam tentar outros tratamentos além dos soníferos. “Após a aposentadoria, é normal que as pessoas durmam menos à noite, mas elas querem ter um sono como o da época em que trabalhavam. Quando você não dá o remédio, alguns acabam procurando outro médico.”

Fontes:
Folha de S. Paulo - Uso de soníferos triplica risco de morte, diz estudo

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