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Mal de Parkinson pode começar no intestino

Estudo aponta que malformação de proteína ligada a sintomas da doença se alastram do intestino para o cérebro através do nervo vago

Mal de Parkinson pode começar no intestino
A pesquisa teve como foco a proteína alfa-sinucleína (Foto: Pixabay)

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, EUA, engrossou a lista de evidências que apontam que proteínas que têm um papel-chave no desenvolvimento do Mal de Parkinson podem se alastrar do trato intestinal para o cérebro.

A pesquisa teve como foco a proteína alfa-sinucleína, que é produzida naturalmente pelo organismo e que pode ser encontrada, entre outros lugares, nas extremidades das células nervosas.

Porém, malformações desta proteína, quando acumuladas, estão associadas a danos às células nervosas, deterioração de receptores de dopamina – um neurotransmissor responsável pela comunicação entre os neurônios – e desenvolvimento de problemas motores e de comunicação, dois sintomas do Mal de Parkinson.

O estudo sugere que a malformação da proteína ocorre no intestino e percorre o caminho até o cérebro através do nervo vago – que vai do cérebro até o abdômen, inervando diferentes órgãos.

“O estudo, resultado de experimentos realizados com camundongos, forneceu a primeira evidência experimental de que a doença de Parkinson pode ter como foco inicial o acúmulo da proteína alfa-sinucleína malformada no intestino, que se transmite para o cérebro através do nervo vago”, disse Ted Dawson, professor de neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins e coautor do estudo.

Em um artigo publicado na revista científica Neuron, Dawson e seus colegas descreveram a metodologia usada nos experimentos feitos com mais de 100 camundongos.

Em uma primeira etapa, a equipe injetou alfa-sinucleína no intestino dos camundongos ​​e seguiu o caminho percorrido pela proteína. Após um mês, a proteína introduzira-se no tronco encefálico. No terceiro mês, os pesquisadores viram sinais da proteína na amígdala e no mesencéfalo, uma parte do cérebro rica em neurônios dopaminérgicos. De acordo com os pesquisadores, um padrão semelhante aos dos diferentes estágios da doença em seres humanos.

A partir de sete meses, houve uma perda progressiva de neurônios dopaminérgicos e os camundongos começaram a ter dificuldade motora, além de problemas de memória e crises de ansiedade.

Em um novo experimento, os pesquisadores cortaram o nervo vago de um grupo de camundongos e injetaram a proteína alfa-sinucleína malformada no intestino deles. Os animais não apresentaram sinais de danos cerebrais, nem de dificuldades motoras ou alterações de comportamento. Isso comprovou a teoria que o nervo vago era responsável pela transmissão da proteína para o cérebro.

Apesar de os camundongos terem apresentado diversos sintomas característicos da doença de Parkinson após as injeções, não houve perda de olfato, um sintoma típico do estágio inicial da doença em seres humanos. Por alguma razão, o sistema olfativo dos animais resistiu ao efeito da proteína.

Beckie Port, diretora de pesquisa da Parkinson’s UK, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo da doença de Parkinson no Reino Unido, disse que o estudo de Dawson e seus colegas acrescentou um dado importante às pesquisas anteriores sobre a relação entre as alterações no trato gastrointestinal e o desenvolvimento da doença de Parkinson. 

“Essas descobertas abrem um novo caminho para a prevenção e tratamento dessa doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva, que atinge milhares de pessoas em todo o mundo”, destacou Port.

Fontes:
The Guardian-Growing evidence suggests Parkinson's disease starts in gut

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1 Opinião

  1. Geoguilenir Martins disse:

    Sensacional,sempre recomendo biomassa( suplemento feito com banana verde cozida) para casos avançados de idade e ate para pessoas mais jovens

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