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ESTUDO

Marca-passo cerebral pode diminuir danos do Mal de Alzheimer

Estudo aponta que impulsos elétricos no lóbulo frontal dos pacientes podem conter o declínio da capacidade de solucionar problemas

Marca-passo cerebral pode diminuir danos do Mal de Alzheimer
O lóbulo frontal é responsável pelos julgamentos e resoluções de problemas (Foto: Pixabay)

Cientistas do mundo inteiro continuam estudando maneiras de reverter ou, pelo menos, retardar o Mal de Alzheimer. Uma recente pesquisa da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, testou uma nova estratégia, para tentar conter o declínio da capacidade de solucionar problemas. Anteriormente, parte dos estudos conhecidos focava principalmente em tecnologias para melhorar a memória.

“Temos muitas ferramentas e tratamentos farmacêuticos para ajudar a memória dos pacientes de Alzheimer, mas não havia um instrumento que os ajudasse a tomar decisões e aumentar sua capacidade de focar em uma tarefa, evitando distrações. Essas habilidades são necessárias para que desempenhem atividades como fazer a cama, escolher o que comer e ter uma socialização com amigos e familiares”, explicou o neurologista Douglas Scharre, coordenador do estudo.

Scharre implantou pequenos fios que levam impulsos elétricos ao lóbulo frontal dos pacientes que sofrem com a doença com o objetivo de determinar a utilização de um marca-passo cerebral para melhorar as habilidades comportamentais, cognitivas e funcionais. O método é conhecido como implante de estimulação cerebral profunda (DBS).

Segundo o neurologista, o lóbulo frontal é responsável pelos julgamentos e resoluções de problemas. Dessa forma, o estímulo através de eletrodos poderia contribuir para que as habilidades cognitivas de pessoas que sofrem com o Mal de Alzheimer fossem mantidas.

“A modulação da rede frontal para melhorar os déficits executivos e comportamentais deve ser estudada em pacientes com mal de Alzheimer”, apontou o neurocirurgião Ali Rezai, que também contribuiu com o estudo. De acordo com Rezai, o tratamento já é usado em todo o mundo, com mais de 135 mil pacientes com a doença sendo beneficiados com o método.

Três pacientes participaram do estudo e apresentaram melhora com o tratamento usado. LaVonne More, de 85 anos, não conseguia mais preparar refeições há cinco anos. Depois de ser tratada com o método por dois anos, com seu cérebro sendo estimulado através de eletrodos, conseguiu voltar a cozinhar por conta própria, sem auxílio.

De acordo com Paulo Niemeyer, neurocirurgião do Hospital CopaStar e do Instituto Estadual do Cérebro, o estudo conduzido na Universidade de Ohio é interessante, mas ainda não pode ser colocado em prática no momento, pois o estímulo do lóbulo frontal é “muito vago”. Além disso, o médico acredita que o melhor caminho para o tratamento do Alzheimer é através da medicação.

“Esta é a maior área do cérebro. O implante cerebral está começando agora no tratamento do Alzheimer, mas já é consolidado em diversas doenças. Para o Mal de Parkinson, por exemplo, ele consegue inibir áreas cerebrais responsáveis pelos tremores. Entre os obesos, dá uma sensação de plenitude, como se o paciente tivesse ingerido uma comida hipercalórica”, explicou Niemeyer.

Paulo Mattos, coordenador de Neurociências do Instituto D’Or e professor de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também não pareceu contente com os resultados do estudo feitos nos Estados Unidos. Segundo o médico, o principal sintoma do Alzheimer é a perda de memória, enquanto o artigo dá importância a características secundárias da doença. “Como vou solucionar um problema se não lembro dele?”, questionou Mattos.

Para Mattos, o uso do implante de eletrodos é uma medida paliativa, não tendo capacidade para levar à cura da doença neurodegenerativa. Segundo o médico, ler, exercitar a memória e estudar são algumas das tarefas que podem ajudar a diminuir a vulnerabilidade do Mal de Alzheimer.

“Nosso cérebro é plástico, então o acúmulo de informações aumenta a comunicação entre neurônios. A atividade física, por sua vez, reduz a produção de substâncias tóxicas que atacam os neurônios. Também é importante manter sono adequado”, finalizou Mattos.

Fontes:
O Globo - Marca-passo cerebral pode reduzir danos do mal de Alzheimer

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