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SAÚDE

Medicina da família atrai pouco interesse por parte de médicos

Área que tem como especialidade o foco na atenção básica tem quase 70% das vagas oferecidas ociosas. Muitos que atuam nela migram para a iniciativa privada

Medicina da família atrai pouco interesse por parte de médicos
Área é considerada estratégica para o setor de saúde pública do país (Foto: Prefeitura de Belo Horizonte/Flickr)

A medicina da família é uma área de pouco interesse entre médicos brasileiros. A especialidade é responsável por prestar cuidados básicos de saúde, prevenir doenças em uma determinada comunidade, além de acompanhar pacientes ao longo da vida.

A falta de interesse pela área reflete em números: quase 70% das vagas oferecidas na área estão ociosas. O aumento da atratividade na área era um dos objetivos do Mais Médicos, que desejava ampliar as vagas na saúde básica.

O número de vagas para a especialidade até aumentou nos últimos cinco anos, passando de 991 para 3.587. No entanto, apenas 33% das vagas ofertadas em 2018 foram preenchidas, um total de 1.183, segundo dados do Ministério da Educação obtidos pela Folha de São Paulo. A baixa remuneração e a falta de atrativos seriam as principais causas desse problema.

A baixa adesão à especialidade gera preocupação no setor de saúde do Brasil. Mesmo quando alguns médicos da área começam a atuar no Sistema Único de Saúde (SUS), parte deles tende a migrar para o setor privado.

Isso porque a iniciativa privada, junto aos planos de saúde, tem investido na adesão de especialistas da área para reduzir gastos maiores no futuro: acredita-se que a área tem potencial para resolver 80% dos problemas que chegam ao SUS. Em alguns lugares, o salário para especialistas na área de medicina da família chega a R$ 25 mil, o que atrai os profissionais que antes atuavam no SUS ou acabaram de sair da universidade.

Hermano Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, sugere o aumento de estímulos na graduação e o investimento em um plano de carreira para atrair e manter os médicos da área no SUS. Diogo Sampaio, representante da Associação Médica Brasileira (AMB) na Comissão Nacional de Residência Médica, concorda, apontando o potencial da iniciativa para reduzir a ociosidade.

Já a Sociedade Brasileira de Medicina da Família (SBMFC) sugere que a bolsa dos residentes da especialidade seja aumentada, com o incentivo dado aos profissionais do Mais Médicos sendo repassado aos residentes. Atualmente, a bolsa na área é de R$ 3,3 mil. Caso a iniciativa fosse adotada, o valor subiria para R$ 11,8 mil, a mesma quantia paga aos profissionais do Mais Médicos.

O município do Rio de Janeiro já adota um modelo semelhante. A prefeitura da cidade complementa o valor da bolsa, que chega a R$ 10 mil. Para Leonardo Graever, superintendente de atenção primária do Rio, o investimento na área é a melhor forma de aumentar o número de profissionais de medicina de família.

“Em dois anos, tem-se um profissional de qualidade e apto a lidar com os problemas mais comuns da população. Não adianta o município oferecer residência em neurocirurgia se a maior demanda é outra”, contou Graever, em entrevista à Folha.

No entanto, menos de 4% dos profissionais recém-formados querem atuar em unidades de saúde. Segundo o novo recorte da pesquisa Demográfica Médica, divulgada pela Universidade de São Paulo (USP) e pelo Conselho Federal de Medicina, 30,1% dos recém-formados admitem que aceitam trabalhar na área, mas assinalam outras opções como prioritárias. Já 66,2% afirmam que não querem trabalhar com a atenção primária.

 

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Fontes:
Folha de São Paulo-Aposta do Mais Médicos, residência em medicina da família tem 70% das vagas ociosas

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