Início » Internacional » Medo dificulta combate ao ebola
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

Medo dificulta combate ao ebola

Além do medo, desconfiança e falta de comunicação também dificultam o trabalho de organizações de saúde no combate à epidemia do vírus ebola

Medo dificulta combate ao ebola
Combate à epidemia no Congo tem sido mais difícil que em outros países (Foto: S. Oka/OMS)

​Segundo Joanne Liu, presidente da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), os esforços para erradicar a epidemia do vírus ebola na República Democrática do Congo, a segunda maior epidemia no continente africano, têm sido decepcionantes porque, desconfiados da intervenção de estrangeiros no combate à doença, moradores das comunidades afetadas estão se recusando a receber tratamento médico e, em alguns casos de violência, estão atacando os centros médicos.

“Apesar de tratarem os pacientes como seres humanos e não como uma ameaça biológica, as organizações de saúde e de ajuda humanitária  estão sendo vistas como inimigos. Em fevereiro, houve mais de 30 ataques aos centros de tratamento da epidemia de ebola”, disse Liu.

“Após os ataques, o MFS foi obrigada a fechar duas unidades de tratamento, uma grande perda no combate à epidemia”, acrescentou.

Na opinião de Liu, os responsáveis pelas organizações não conseguirem conquistar a confiança das pessoas. “É preciso repensar a abordagem às vítimas da doença”.

“Elas ouvem conselhos constantes para lavar as mãos, porém as organizações não providenciam água e sabão. Os moradores das comunidades veem seus parentes sendo enterrados sumariamente dentro de sacos plásticos e suas casas e terras serem incendiadas.”

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, nos sete meses após o início do surto, 907 pessoas foram infectadas pelo vírus e 569 morreram. A região nordeste do país, perto da fronteira com Ruanda, Sudão do Sul e Uganda, é a mais afetada pela doença, com risco de se disseminar para esses países vizinhos.

As epidemias anteriores na Guiné, Libéria e Serra Leoa, que se prolongaram de 2014 a 2016, com 28.610 casos de pessoas infectadas e 11.308 mortes, foram combatidas com o isolamento dos doentes e da busca de possíveis casos de contaminação. Mas essa abordagem não está conseguindo eliminar o vírus no Congo.

“Mais de 40% das mortes estão ocorrendo em comunidades que não procuram os centros de tratamento. Isso significa que inúmeras pessoas foram expostas ao vírus e podem ter contraído a doença. Não temos controle da epidemia de ebola e, portanto, não há previsão de quando iremos erradicá-la”, observou Liu.

 

Leia mais: A difícil batalha do Congo contra o ebola
Leia também: Surto de ebola no Congo preocupa a OMS
Leia também: República democrática do Congo vive novo surto de ebola

Fontes:
The New York Times-The Battle Against One of the Worst Ebola Epidemics Ever Is in Trouble

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *