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MG é o estado com mais mortes por febre amarela desde 2000

Entre 2000 e 2012, estado foi o que mais registrou casos e mortes pela doença. Analistas apontam baixa taxa de vacinação como causa

MG é o estado com mais mortes por febre amarela desde 2000
Foram reportadas 101 ocorrências no estado, o que equivale a quase um terço do registrado no Brasil nesse período de 12 anos (Fonte: Reprodução/Divulgação)

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Um estudo sobre as características epidemiológicas da febre amarela aponta Minas Gerais como o estado que registrou mais casos confirmados e mortes provocadas pela doença, entre 2000 e 2012. Foram 101 casos, o que equivale a quase um terço do total registrado no Brasil no período, e 41 mortes.

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De acordo com analistas, a baixa taxa de vacinação no estado, que é o mais populoso do país, é a principal culpada por esses números. Atualmente, a taxa é de 49,7% da população, quando o ideal era obter uma taxa de pelo menos 80%.

Além disso, o estudo já mostrava que a doença estava em um processo de expansão da área de transmissão silvestre para regiões densamente povoadas no país. Dessa forma, a doença dava sinais de que estava ampliando sua área de circulação, chegando às grandes cidades mineiras.

Para Pedro Tauil, um dos autores do estudo, publicado no ano passado, esses fatores ajudam explicar o atual surto em Minas Gerais. Ele conta que a incidência silvestre da febre amarela tem se expandido para regiões onde existe alta infestação do mosquito aedes aegypti, transmissor da doença no ciclo urbano.

“Isso já vinha acontecendo nos últimos anos e culminou com o atual surto em Minas, que teria sido evitado se a taxa de vacinação fosse maior. Ter cerca de 50% de cobertura é muito pouco. Nosso constante temor é a possibilidade de reurbanização da febre amarela, o que seria terrível porque é extremamente difícil de conter”, disse Tauil, que é doutor em doenças tropicais e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Para a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, o que explica essa baixa taxa de vacinação é o fato de que boa parte da população acaba se imunizando, somente, quando viaja para outras áreas endêmicas no Brasil e no exterior. Além disso, Tauil aponta que uma fatia expressiva dos brasileiros associa a febre amarela apenas com a região da Amazônia, quando na verdade a zona de recomendação para imunização engloba quase todo o território nacional, com exceção da faixa litorânea.

Outro aspecto evidenciado no estudo é a incidência cíclica da febre amarela, com aumentos a cada sete anos, aproximadamente. Os registros mostram um aumento expressivo na incidência e nas mortes entre 2000 e 2001 – 40 casos e 22 mortes – e depois os números voltaram a crescer em 2008 e 2009 – 27 ocorrências e 17 óbitos.

Apesar ser possível prever uma alta em 2016 e 2017, a situação atual é pior que nos anos anteriores. O Brasil já soma 101 casos e 43 óbitos antes mesmo do mês de janeiro terminar. Ao todo, o país já notificou mais de 500 casos e parte deles seguem sob investigação.

Fontes:
O Globo-MG foi o estado com mais casos e mortes por febre amarela desde 2000

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