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ESTUDO

Morar em áreas de tráfego intenso pode contribuir para demência

Estudo canadense indica que pessoas que vivem perto de vias movimentadas têm mais chances de desenvolver demência

Morar em áreas de tráfego intenso pode contribuir para demência
A demência aparentemente é mais comum em pessoas que vivem em áreas mais movimentadas do que em locais menos habitados (Foto: Pixabay)

Um estudo recente publicado na revista científica The Lancet indica que pessoas que moram perto de ruas e avenidas movimentadas correm risco maior de desenvolver demência. De acordo com a pesquisa, o aparecimento de doenças neurológicas nessas pessoas pode ter relação com o tráfego intenso nas grandes cidades.

Pesquisadores monitoraram 6,6 milhões de pessoas com idades entre 20 e 85 anos em Ontário, no Canadá, ao longo de 11 anos — entre 2001 e 2012. Nesse período, foram reportados mais de 243 mil casos de demência. Além disso, cerca de um em cada dez casos de Alzheimer relatados tiveram relação direta com o tráfego intenso.

Inicialmente, os cientistas relacionavam a poluição atmosférica e sonora do tráfego com a redução na densidade da substância branca no cérebro (tecido conjuntivo do cérebro) e da capacidade cognitiva. No entanto, o estudo recente sugeriu que nanopartículas magnéticas vindas da poluição podem penetrar no tecido cerebral.

Com isso, além de demência, o estudo identificou o aparecimento de outras doenças neurológicas. É o caso do Parkinson, encontrado em 31,5 mil pessoas e a esclerose múltipla, em 9.250 pessoas.

Apesar dos cientistas não terem descoberto nenhuma relação entre viver perto de ruas movimentadas e a incidência de Parkinson e esclerose múltipla, a demência mostrou ser mais comum em pessoas que vivem nessas áreas do que em locais menos habitados.

A pesquisa indicou que pessoas que moram até 50 metros de uma grande via têm 7% a mais de chance de desenvolver a doença. Já em pessoas morando entre 50 e 100 metros o risco é 4% a mais. Até 200 metros o risco é 2% maior. A partir de 200 metros não foi constatado aumento nos riscos.

O estudo ainda apontou que aqueles que vivem em grandes cidades, a menos de 50 metros de uma grande via e que não se mudaram durante o período de pesquisa, correm o maior risco de todos, chegando a 12% a mais que em áreas pouco habitadas.

Apesar dos resultados, os cientistas não conseguiram determinar qual o impacto direto do trânsito intenso no aparecimento dessas doenças. “Sabemos que a poluição do ar em grandes vias é prejudicial à saúde em geral, mas o estudo não nos diz se o aumento no risco de demência é impulsionado por efeitos indiretos ou se a proximidade com o tráfego influencia diretamente. De qualquer forma, o estudo mostra porque devemos melhorar o ar das nossas cidades”, disse Rob Howard, professor de psiquiatria da Universidade de Londres.

Fontes:
The Guardian-Living near heavy traffic increases risk of dementia, say scientists

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1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    O estudo foi no Canadá. Aqui no Brasil soma-se ver na televisão o horário gratuito eleitoral e os canais neopentecostais. HAJA DEMÊNCIA.

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