Início » Vida » Ciência » Mulheres podem ser mais propensas a reações alérgicas graves, diz estudo
Estudo

Mulheres podem ser mais propensas a reações alérgicas graves, diz estudo

Hormônio feminino estrogênio pode ser a explicação para a maior incidência de casos

Mulheres podem ser mais propensas a reações alérgicas graves, diz estudo
Muitas pessoas propensas a reações alérgicas graves andam com adrenalina injetável, como a EpiPen (Reprodução/REUTER)

Reações alérgicas vão desde erupções cutâneas e inchaço até casos mais extremos, como dificuldade para respirar, choque, ataque cardíaco e morte. As mulheres tendem a ter mais reações alérgicas fatais, conhecidas como anafilaxia, do que os homens. Entretanto, os cientistas não sabiam o que ocasionava essa maior incidência de casos. Agora, uma pesquisa americana do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês) sugere que o estrogênio, um hormônio feminino, pode desempenhar um papel fundamental nesses casos.

Os pesquisadores descobriram que ratos fêmeas têm reações anafiláticas mais graves e mais duradouras do que os machos. Eles descobriram que o estrogênio aumenta os níveis de atividade de uma enzima, que reveste os vasos sanguíneos. Isso faz com que algumas das reações alérgicas sejam mais graves. Afinal, a enzima aumenta a produção de uma substância chamada óxido nítrico. Isso faz com que haja uma queda na pressão sanguínea, o que permite que o fluido passe dos vasos sanguíneos para os tecidos, gerando inchaço. Quando os pesquisadores bloquearam a atividade da enzima, a diferença entre os ratos macho e fêmea desapareceu.

É necessário mais estudos para ver se os efeitos são semelhantes em pessoas. No entanto, os pesquisadores dizem que essa pesquisa já deveria sensibilizar vários grupos, como profissionais de saúde, mulheres em idade fértil, mulheres na pós-menopausa que fazem reposição hormonal, e mulheres que tomam suplementos de desempenho atlético, chamado L-arginina, que aumenta a produção de óxido nítrico.

“Mais mulheres do que homens são internados em hospitais por anafilaxia, e isso ajuda a entender o que está acontecendo aqui”, disse Dean Metcalfe, chefe do Laboratório de Doenças Alérgicas, do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, nos Estados Unidos. “Se uma mulher fala comigo sobre o fato de ter anafilaxia, entre as perguntas que eu faria, estaria: ‘você está tomando suplementos alimentares?'”, disse ele.

A abordagem padrão para tratar a condição é a partir do uso de adrenalina. Muitas pessoas propensas a reações alérgicas graves andam com adrenalina injetável, como a EpiPen.

É extremamente difícil estudar anafilaxia em humanos, porque é uma ameaça a vida. Segundo Metcalfe, a cada ano há cerca de 200 mortes documentadas por conta da reação alérgica nos Estados Unidos. Uma pessoa mais velha com doença cardíaca pode morrer após um ataque cardíaco, disse ele. Mas o ataque cardíaco pode ter sido desencadeado por uma reação alérgica grave em todo o corpo.

 

Fontes:
The Washington Post-Why women may have more serious allergic reactions than men do

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *