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ESTUDO

Mulheres são mais propensas a sentir nojo que os homens

Novo estudo relacionou questões evolutivas e reprodutivas com o sentimento de repulsa

Mulheres são mais propensas a sentir nojo que os homens
O nojo faz com que evitemos coisas que teriam adoecido nossos ancestrais (Foto: Christopher Brown/Flickr)

As mulheres são mais propensas a sentir nojo, em diferentes situações, do que os homens. É o que diz um novo estudo publicado na Philosophical Transactions B nesta semana.

A pesquisa é de autoria da doutoranda em Ecologia Comportamental Cecile Sarabian; da professora de Higiene Val Curtis; e da professora universitária Rachel McMullan. As pesquisadoras da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, notaram que as mulheres têm mais sentimentos de repulsa do que os homens devido às questões evolutivas.

Para chegar a essa conclusão, as cientistas analisaram as respostas de mais de 2,5 mil pessoas. No questionário, respondido pela internet, os entrevistados tiveram que classificar o seu nível de repulsa em 75 diferentes cenários. As notas possíveis variavam entre “sem nojo” e “nojo extremo”.

Após a análise das respostas, as pesquisadoras identificaram seis cenários comuns, notando que as mulheres tinham um nível de nojo maior que os homens. De acordo com Val Curtis, a principal autora do estudo, em entrevista ao jornal Independent, “o nojo é um sistema do cérebro que nos faz rejeitar e evitar coisas que teriam adoecido nossos ancestrais”.

Isso porque, no passado, diferentes doenças estavam relacionadas a lesões de pele, alimentos vencidos, mau cheiro, entre outros cenários. Até hoje, por exemplo, uma pessoa sexualmente ativa, com diferentes parceiros, pode ser relacionada a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

O relacionamento entre a repulsa e a experiência evolutiva é ainda mais reforçado ao notar que as duas categorias consideradas mais repugnantes pelos entrevistados, foram feridas com liberação de pus e a falta de higiene. Ambas podiam ser relacionadas a doenças no passado.

“Tendemos a evitar coisas como comida, lesões de pele, sexo com pessoas promíscuas, pessoas com aparências estranhas, falta de higiene. No passado, isso pode ter significado infecção. É claro que eles podem não ser hoje”, explicou Curtis ao Independent. 

Para exemplificar o cenário, em entrevista à BBC Radio 4, Val Curtis relembrou um caso recente, quando notou que uma jovem, com deformidade no rosto, estava sendo evitada dentro de um ônibus. Tendo o conhecimento de que a deformidade dificilmente estaria relacionada a uma doença infecciosa, Curtis se sentou ao lado da jovem.

“Como sou um ‘nojologista’, sei que as pessoas estavam respondendo como se essa pessoa tivesse uma doença infecciosa porque, para nossos ancestrais, seria vantajoso responder dessa maneira”, afirmou Curtis. Em seguida, Curtis destacou a necessidade de “superar esses instintos”, explicando que o ser humano impõe estigmas a outras pessoas inconscientemente, podendo causar a exclusão de um individuo.

Disparidade

De acordo com Curtis, os homens podem sentir o mesmo nível de nojo que as mulheres, mas eles são mais propensos a assumir riscos, o que acaba reduzindo o nojo. Além disso, o fato das mulheres estarem mais relacionadas ao sentimento de repulsa também pode estar ligado aos termos reprodutivos.

Isso porque as mulheres tendem a ser mais cuidadosas quando determinado cenário põe em risco a sua saúde ou a de seus filhos.

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