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Água

Novas tecnologias podem ajudar na economia de água

Pesquisa busca soluções para o uso da água de forma consciente

Novas tecnologias podem ajudar na economia de água
Cerca de 700 mil crianças no mundo morrem por falta de saneamento básico (Reprodução/Internet)

Cerca de 2 bilhões de pessoas vivem em países com escassez absoluta de água, de acordo com o Banco Mundial. A instituição estima que esse número pode aumentar para 4,6 bilhões até 2080. O problema acontece principalmente na China, na Índia e em outras grandes economias emergentes. Algumas dessas tecnologias estão listadas abaixo. Umas já estão no mercado, enquanto outras estão em fase de desenvolvimento ou longe de se tornar realidade. Entretanto, todas são feitas com o intuito de amenizar o problema.

Fazendo água do ar

A maioria das turbinas eólicas geram eletricidade, mas uma companhia holandesa resolveu produzir água. O equipamento da Dutch Rainmaker parece uma turbina normal, exceto por dois recipientes em sua base que abrigam um tanque de coleta de água, além de um sistema de troca de calor e condensador. A turbina faz com que o ar seja levado até o sistema de troca de calor, onde ele é resfriado por compressores de amônia. A água no ar se condensa, gotículas são formadas e recolhidas num tanque de armazenamento. A empresa já conta com dois protótipos em funcionamento há dois anos, um na Holanda e outro no Kuwait, que estão produzindo cerca de 7 mil litros de água por dia sem usar eletricidade. O sistema não é barato. Estima-se que a primeira venda seja feita no final do ano, podendo custar de US$400 mil a US$ 1 milhão.

Fracking sem água

O fraturamento hidráulico ou fracking, método de extração de gás de folhelho, mais conhecido como gás de xisto, usa muita água, cerca de 2 milhões de galões ou mais por poço. A Gasfrac Energy Services, uma companhia canadense de 80 anos, desenvolveu um sistema pioneiro que mistura areia com propano geleificada, butano e outros hidrocarbonetos, em vez de água. A Gasfrac já tem várias companhias de energia como clientes.

Entrega de água

A ideia de entregar água em grandes quantidades de países com abundância para países com escassez parece uma solução óbvia. Agora, a Bruarfoss, uma empresa islandesa afirma estar pronta para criar uma nova indústria global de exportação que enviaria água para todo o mundo a partir de terminais portuários especializados, semelhantes ao usados com carregamentos de gás natural liquefeito. A companhia está trabalhando em um plano para entregar água de uma nascente glacial da Islândia a partir de grandes tanques que podem transportar até 180 mil toneladas por vez.

Birgir Vidar Halldorsson, o fundador da companhia, diz que é preciso enfrentar alguns desafios como a falta de portos e terminais com instalações capazes de lidar com os embarques de água a granel adequado.

Vaso sanitário sem água

Essa pesquisa acontece em parte graças ao financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates, que está tentando melhorar as condições irrisórias de saneamento básico, que a cada ano contribuem para a morte de cerca de 700 mil crianças por diarreia. Uma delas, a RTI International, um instituto de pesquisa dos Estados Unidos, está desenvolvendo um sistema que não só não precisa de água, mas gera eletricidade também.

O vaso sanitário capta os resíduos e em seguida, separa-os em líquidos e sólidos. A urina e outros líquidos são desinfetados por meio de um processo eletroquímico e a água tratada pode, então, ser usada para lavar o vaso sanitário. O material fecal sólido é seco e quebrado em pelotas, que podem então ser queimados em um dispositivo que captura um pouco do calor e os converte em eletricidade, que alimenta o processo de tratamento de água. RTI já está testando um protótipo em Gujarat, na Índia. A Fundação Gates quer que tais sistemas custem menos de cinco cents por usuário por dia.

A máquina de lavar quase sem água

A companhia britânica Xeros está transformando a máquina de lavar com uma tecnologia que usa milhares de “contas” de polímeros para remover manchas de roupas. A estrutura molecular dos grânulos combinada com detergente atrai a sujeira. Elas podem ser usados para centenas de lavagens, antes de ser reciclado. Xeros diz que suas máquinas usam 70 % de água, 50% de energia e 50 % do detergente consumido em máquinas de lavar convencionais. Seus produtos já estão sendo usados em grandes lavanderias nos EUA.

Irrigação inteligente

Várias empresas estão trabalhando em sistemas mais inteligentes, como o da suíça Plantcare, que diz que criou um sistema automatizado que permite que um agricultor irrigue com muito mais precisão e menos resíduos.

“Você pode executá-lo a partir de um iPhone”, diz Walter Schmidt, físico e fundador da empresa. Sensores nos campos são capazes de detectar alterações mínimas na umidade do solo. Eles retransmitem as informações a um computador, que calcula a quantidade de água que as plantas podem absorver. O sistema já está em uso em vários países europeus, e alguns usuários dizem que a produção aumentou em 30 %, enquanto o consumo de água foi reduzido em 50%.

Fontes:
Financial Times-World without water: six solutions to a shortage

2 Opiniões

  1. Samuel Reis disse:

    Concordo plenamente, em número, grau e gênero, com o leitor André Luiz, pois a questão do uso racional da água é de conscientização. Talvez as novas tecnologias, apontadas pelo Financial Times, só servirão para enriquecer alguns e não para amenizar o desperdício comumente verificado. Até porque a especulação, especialmente no setor agroindustrial, corrobora e muito para o atual e preocupante estágio de escassez de água, uma vez que prioriza sempre o aspecto mercantil e não social. Entendo que a água, assim como os demais recursos naturais, deveriam atender inicialmente o social, pois tratam de comum de todos, e só depois a questão comercial que visa prioritariamente a acumulação capital sem se preocupar com o gênero humano.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Essas são propostas para amenizar a escassez da oferta de água potável, mas não resolver o problema. Isso depende muito mais do uso racional, sem desperdício, da água, o que é uma questão ‘cultural’; atitudes simples, como fechar a torneira da pia enquanto se escovam os dentes ou se barbeia o rosto — e até mesmo optar por usar apenas a água previamente reservada em único copo para enxaguar a boca, ou o rosto barbeado, já representam uma economia significativa de água ao longo do mês. Outras medidas podem ser implantadas também, como sistema de reuso da água servida de pias e chuveiros para, posteriormente, alimentar a descarga do vaso sanitário.

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