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SAÚDE

O sucesso e o fracasso do Brasil contra o HIV

Brasil tem sucesso no combate a mortes relacionadas ao vírus, mas fracassa na prevenção. Casos caem 16% em todo o mundo

O sucesso e o fracasso do Brasil contra o HIV
Brasil registrou um aumento de 21% em número de casos entre 2010 e 2018 (Foto: Foto: Rodrigo Nunes/MS)

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O Brasil enfrenta dificuldades no combate ao vírus HIV. Apesar de conquistar sucessos na redução de casos de morte relacionados à Aids, o país segue fracassando no trabalho de prevenção à infecção.

De acordo com números de dezembro de 2018, o país alcançou uma redução, entre 2010 e 2018, de 16,5% nos casos de óbitos relacionados à Aids. Por outro lado, no mesmo período, o número de infecções aumentou em 21%, segundo números divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) na última terça-feira, 16.

O número de infecções em crescimento no Brasil coloca o país como um dos “líderes” na falha de prevenção ao HIV na América Latina, que viu a incidência do HIV crescer 7% entre 2010 e 2018. Na região, o país só fica atrás de Chile, que viu o vírus expandir 34%, e Bolívia, onde o vírus cresceu 22%. A Costa Rica também viu os números de infecções aumentarem em 21%.

Outros países, como Uruguai (expansão de 9%), Honduras (expansão de 7%), Guatemala (expansão de 6%) e Argentina (expansão de 2%) também contribuíram com o aumento dos casos na região. O México permaneceu estável.

Por outro lado, os países que conseguiram sucesso no combate ao vírus na América Latina são El Salvador, que viu o número de infecções cair em 48%, Nicarágua (contração de 29%), Colômbia (contração de 22%), Equador (contração de 12%), Paraguai (contração de 11%), Panamá (contração de 8%) e Peru (contração de 6%).

O caso do Brasil, porém, é o mais grave na América Latina. Isso porque o território brasileiro é o mais populoso da região. Ou seja, apesar de países como Chile e Bolívia terem registrado maior expansão dos casos, o resultado do Brasil foi o que mais afetou a região.

Segundo o relatório, caso o Brasil fosse excluído da contagem da incidência do vírus, a América Latina teria alcançado uma retração de casos em 5%. Com o resultado do Brasil, a região registrou uma expansão de 7%.

Estima-se que aproximadamente 886 mil pessoas estão infectadas pelo HIV no Brasil, sendo 559 mil homens e 307 mil mulheres. Desse total, apenas 731 mil pessoas foram oficialmente diagnosticadas, com 75% delas estando em tratamento antirretroviral.

Pouca expectativa de melhora

Apesar do sucesso no combate à morte pela doença, as expectativas não são melhores em referência à conscientização da população e à prevenção.

Isso porque os últimos governos focaram seus esforços em campanhas pelo uso de preservativos nas proximidades do Carnaval, com raras publicidades ocorrendo no restante do ano.

O combate à educação sexual para crianças, pré-adolescentes e adolescentes também pode piorar o acesso desse público a informações importantes sobre o vírus. Em março, o presidente Jair Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo pelas redes sociais sugerindo que os pais retirassem páginas da “Caderneta de Saúde da Adolescente”, lançada no governo Dilma Rousseff, que trazia alertas sobre doenças sexualmente transmissíveis.

“São 40 páginas. Tem muitas boas informações aqui, sim. Muitas informações boas, precisas. Agora, o final dela aqui, realmente, fica complicado, no meu entendimento. Se você, pai ou mãe, achar que não, é direito teu. Então, é uma sugestão, primeiro. Quem tiver a cartilha em casa, dá uma olhada porque vai estar na mão dos seus filhos, e, se você achar que é o caso, você tira essas páginas que tratam desse tipo de assunto”, afirmou Bolsonaro na época.

O material atacado por Bolsonaro é voltado para meninas entre 10 e 19 anos de idade. A caderneta informa, de maneira lúdica, sobre relações sexuais, métodos contraceptivos, qual a maneira correta de usar a camisinha masculina e feminina, entre outras coisas.

Críticos alegam que o material é inadequado para a faixa etária. No entanto, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) destacou, no fim de janeiro, que o Brasil encara uma taxa de 68,4 nascimentos para cada mil adolescentes. Em 2015, 5.828 adolescentes foram mães antes dos 13 anos, 20.872 antes dos 14 anos e 520.864 entre 15 e 19 anos. Os dados refletem a atividade sexual na faixa etária.

Outro dado do Ministério da Saúde mostra a necessidade de alcançar os adolescentes nas campanhas de conscientização. Estima-se que um em cada cinco novos casos diagnosticados de HIV ocorre entre homens de 15 a 24 anos. Em fevereiro, o Ministério da Saúde afirmou que “pesquisas apontam que o uso de preservativo não é consistente entre os mais jovens”, o que pode afetar diretamente o aumento de infecções por HIV no Brasil.

O rebaixamento do setor de combate à Aids no Ministério da Saúde, o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, que passou a se chamar Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, também pode dificultar o combate à doença. O rebaixamento ocorreu através do Decreto 9.795/2019.

“O governo, na prática, extingue de maneira inaceitável e irresponsável um dos programas de Aids mais importantes do mundo, que foi, durante décadas referência internacional na luta contra a Aids. Mais do que um programa, esse Decreto acaba com uma experiência democrática de governança de uma epidemia baseada na participação social e na intersetorialidade”, afirmou um comunicado assinado por diferentes entidades.

O Ministério da Saúde, por sua vez, garantiu que o trabalho de combate ao HIV não será prejudicado.

Outras medidas, porém, podem atingir indiretamente a incidência da doença nos próximos anos, como a Medida Provisória (MP) 870/2019, a primeira grande medida do governo Bolsonaro. Isso porque a MP passou a não especificar secretarias ou conselhos para a proteção dos direitos LGBTs. O Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos, porém, garantiu que o trabalho permanece inalterado.

No entanto, homossexuais e transexuais estão no que são consideradas “populações-chave” pela Unaids. Essas “populações-chave” foi responsável por cerca de 95% das novas infecções na Europa Oriental e Central, no Oriente Médio e no norte da África. Na América Latina, o grupo foi responsável 65% das novas infecções. O relatório da Unaids mostra que menos de 50% das populações-chave foram alcançadas por medidas de prevenção.

Aids no mundo

Em todo o mundo, o número de novos casos de HIV diminuiu, assim como o número de óbitos. Mesmo assim, o progresso é visto com preocupação, pois, segundo a Unaids, o ritmo do avanço está diminuindo.

Atualmente, estima-se que 37,9 milhões de pessoas estejam vivendo com o vírus, enquanto 23,3 milhões têm acesso ao tratamento. Estima-se que, entre 2010 e 2018, tenham surgido 1,7 milhão de novas infecções, um declínio de 16% se comparado a 2010. Já o número de mortes caiu 33%, passando de 1,2 milhão em 2010 para 770 mil em 2018.

O progresso foi impulsionado pela África Oriental e Meridional. As regiões da Europa Oriental e Ásia Central, por sua vez, registraram um aumento de 29%. Seguidas por Oriente Médio e norte da África, que viram os números crescerem em 10%, e a América Latina, que registrou um aumento de 7%.

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    E o povo de Sodoma que está alinhado com as pilantrONGs não lembra de camisinha quando está chapado.

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