Início » Vida » Saúde » Obesidade infantil: abuso de menor
The Telegraph

Obesidade infantil: abuso de menor

Por que não multamos pais que continuem a enfiar porcarias goela abaixo de seus filhos? Por James Rhodes

Obesidade infantil: abuso de menor
Estas crianças não tem “ossos grandes”, elas são vítimas de abuso (Reprodução/Telegraph)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Eu me sinto muito grato ao governo britânico por ter finalmente forçado as redes de fast-food a exibir as calorias dos itens dos seus cardápios. Sem dúvida terá o mesmo efeito positivo dos alertas para que se “beba com moderação” nas propagandas de álcool. Certamente é só uma questão de tempo até o país se tornar uma nação de pessoas saudáveis e enxutas, mais felizes, mais em forma e mais saudáveis.

É claro, há uma pequena chance que essa nova política não funcione. Que o cara obeso no KFC simplesmente dê uma olhada no número de calorias no seu balde de frango frito, morra um pouco por dentro, e continue a cometer suicídio pela boca. Gordos comem para escapar do mesmo jeito que alcoólatras bebem, viciados em heroína se picam, gastadores maníacos vão ao shopping, e Charlie Sheen faz tudo isso junto. E ainda que eu empatize com qualquer vício em seus espasmos maníacos, eu me choco com o nível de aceitação que a sociedade parece ter com a obesidade.

A mais triste de todas talvez seja a questão das crianças obesas. Moleques que desde os dois anos de idade convenceram os seus pais de que a sua condição privilegiada e necessidade de gratificação instantânea se aplicam tanto a um sundae do McDonald’s quanto ao direito a um lar e carinho. Estas crianças não tem “ossos grandes”, elas são vítimas de abuso. Pagos e premiados com gordura saturada por pais acuados, ou simplesmente indiferentes para dizer não. Se víssemos um quarto dos garotos e garotas de sete ou oito anos de idade vagueando pelas ruas fumando haveria um alvoroço. E ainda assim estamos cercados por crianças obesas e ninguém diz palavra. Por que Deus nos perdoe se prejudicarmos sua auto-estima.

Gordos não são felizes. Eles são terrivelmente tristes. Aqui vai uma ideia. Por que não taxamos as redes de fast-food pesadamente, à moda dos cigarros, subsidiamos alimentos mais saudáveis para famílias de baixa renda e multamos pais que continuem a enfiar essas porcarias goela abaixo de seus filhos? Um em cada três norte-americanos hoje em dia pesa tanto quanto, bem, os outros dois. Exibir um bando de números num cardápio é o equivalente ao “simplesmente diga não” dos comerciais de combate às drogas. Pouco demais, tarde demais, e amplo demais para fazer alguma diferença.

 

Fontes:
The Telegraph - In Britain, obese children are allowed to wallow in their misery. There's a name for that: child abuse

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

4 Opiniões

  1. Edna da Penha de Freitas disse:

    Não considero que os pais sejam culpados…sempre queremos arranjar um culpado para ser responsabilizados pelas graves situações que acontecem no mundo de hoje,sei que filho é de responsabilidade dos pais, obviamente acompanhado com toda a educação e alimentação , mas, acredito que o responsável por este problema é o sistema, ou seja, nós no mundo atual preferimos chegar no supermercado e encontrar tudo pronto, comida congelada, conservantes, bebidas com gás,suco natural… mas, artificial, deliciosas guloseimas,
    etc… crianças são muito espertas, elas tem facilidade de captar coisas que os adultos não fazem por estarem sempre com pressa, alias, todos tem pressa…e não percebem que a criança ouviu ou presenciou algo que deixou elas encabuladas ou até mesmo triste, e não conseguem se comunicar porque todos tem pressa, muitas ficam em casa assistindo desenhos, seja em televisão, vídeo ou mesmo jogos de computador, enquanto a empregada,mãe, ou qualquer pessoa que esteja responsável por ela naquele momento fazem o trabalho; então as crianças captam muita energia, sendo que a criança tem que correr , brincar, jogar bola, enfim, sair dos eletrônicos e conhecer amigos da mesma idade pessoalmente; mesmo assim digo que o culpado é o stress, que atua fortemente neste século.
    Independente da idade, a obesidade é preveniente do stress ( pequeno distúrbio), que faz a diferença, aí… vai ao médico, psicólogo, enfim… começam a tomar remédios e para variar remédios controlados…então a culpa também é dos laboratórios que sempre renovando suas pesquisas fabricam novas fórmulas tão eficientes que o obeso tem que tomar o remédio para o resto da vida…até porque cada dia que passa, os remédios estão cada vez mais caros, aí entra que a culpa é do governo, este tem que comprar do laboratório e dar de graça, porque muitos não tem condições de comprar remédios; mas, tem condições de comprar celular, computador, roupas e mais roupas, sapatos e muito mais, ou seja algo que pode ser considerado como excesso, mas, a culpa é do governo.
    O único inocente neste caso, é a natureza; esta sim, mantém se transformando para não ter perca; defendo a tese que “na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”, tudo que não se transformar, ou se demorar para se transformar pode acreditar que não foi criado pela natureza.

    Acho que o culpado somos nós, que acreditamos sermos incapazes de viver com o que precisamos e nos deixamos ser influenciados pelo supérfluo; assim é tanta novidade que não temos tempo para nossos filhos, amigos? Amigo de uma criança ou mesmo adulto chama-se tecnologia, esta ninguém dispensa; todos se estressam por ela e com ela, perdem a saúde, mas não vivem sem ela.

    Nós somos culpados por valorizar tudo, menos a vida, o próximo e aceitar viver o sistema o qual faz do ser humano, máquinas manipulados pelo avanço tecnológico.

  2. Leny F. Bello disse:

    Concordo com cada palavra; obesa desde os 10 anos, vivi em função de tentar voltar ao peso normal por toda minha vida; aos 66 anos tive uma isquemia por excesso de comida: um pico de glicose, da noite para o dia quando acordei vesga, sem enxergar quase nada, precisei de companhia para andar, descer um degrau, não via TV, ou lia ou qualquer outra atividade que precisasse dos olhos, afetados por um entupimento nos nervos gêmeos – que controlam a posição dos olhos…emagreci 34 quilos em 4 meses; de medo, susto ou pavor, mesmo, de ter outra isquemia, essa irreversível, parei com pães, manteiga, açúcar de qualquer espécie, batata, arroz, macarrão…mas será que é preciso isso? Multa em quem deixar seu filho engordar, assino e brigo junto. Parabéns pela idéia.

  3. Luiz Mourão disse:

    Bem, ao contrário da leitora Edna, considero os pais CULPADOS sim!!
    Por que culpar o sistema?
    Eu não tenho porcarias em minha geladeira; logo, meus filhos não têm porcarias para comer em casa!!
    A sobremesa é FRUTA, e não doce!!!
    E por aí vai…
    Os pais é que são muito EGOÍSTAS e pensam primeiro em si mesmos, depois nos filhos!!
    Culpar o sistema é assinar a confissão de inépcia na Educação dos filhos!!
    Mas os pais estão por demais envolvidos com a novela ou com o futebol, e por demais prisioneiros do PALADAR, para buscar meios de oferecer a seus filhos uma Educação de qualidade que, além de escola, abrigo, e roupa lavada, passa também por nutrição!!
    São os próprios pais que encomendam aquela pizza e aquela Cola nos fins de semana; e são eles mesmos que têm mil e uma porcarias na geladeira.
    Os pais deveriam ser EXEMPLOS, mas não são!!!
    Não basta ser pai, não bastar participar, tem que SE COMPROMETER com a Vida dos filhos!!!
    Digam aí: QUEM você conhece que faz isso???
    Disse Kalil Gibran:
    “Vossos filhos não são vossos filhos.
    São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
    Vêm através de vós, mas não de vós.
    E embora vivam convosco, não vos pertencem. “.
    Mas, para ver isso, é preciso VALOR MORAL, algo que a maioria sequer sonha…

  4. Markut disse:

    Abuso de menor. Uma estridente afirmação que somada aos 3 dramáticos depoimentos abaixo apontam para o grau de gravidade dessa verdadeira pandemia da obesidade, mórbida ou não, e que reflete algumas das perplexidades em que a sociedade moderna está posta, continuamente:
    1- A comida, como a bebida, o fumo e a droga se coloca entre as dependências do ser humano, diante das suas angústias existenciais,que sempre o acompanham; esse ser, supostamente racional, e que guarda temores e pavores desde que o primeiro raio caiu na cabeça do nosso ancestral e ele não soube explicar, nem entender.
    2- A indústria da alimentação,poderosa,explora, através de uma agressiva e ribombante publicidade, o relativo conforto de uma alimentação cômoda, mas nociva, pelo volume de venenos utilizados, para a sua produção e comercialização.
    3- O obesidade mórbida infantil que tem como fonte de origem a irresponsabilidade paterna, na educação da criança,que, entre outros erros,literalmente, entope a boca dela, com porcarias, vendidas em vistosas e coloridas embalagens.
    Para os (i)responsaveis é mais cômodo ceder à compreensivel pressão infantil, como atenuante das suas culpas, do que utilizar o necessário NÃO, no momento adequado.
    Isso se aplica, ainda, para outro motivo da obesidade,que é a falta de movimentação física, graças à televisão, ao computador, às redes sociais,aos jogos eletrônicos, em que a criança passa boa parte do dia ,sem levantar o bum bum da cadeira.
    – Suposta e ironicamente, essa série de pretensos confortos da nossa civilização deveriam nos atirar a um nirvana de infinita felicidade, coisa que,evidentemente, está longe de acontecer.
    As deficiências culturais criam aquele vácuo intelectual, que acaba sendo preenchido da forma mais estúpida possivel.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *