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SAÚDE

Os entraves na doação de plasma sanguíneo

Enquanto os EUA pagam doadores de plasma e exportam o hemoderivado, outros países proíbem o pagamento e são obrigados a importar

Os entraves na doação de plasma sanguíneo
O plasma é usado na fabricação de medicamentos e na produção de vacinas (Foto: Pixabay)

Há 200 anos, o obstetra inglês James Blundell realizou a primeira transfusão de sangue no mundo. Hoje, a transfusão de sangue é uma prática médica comum e a demanda por hemoderivados é enorme no mundo inteiro. Em 2016, o valor das exportações globais de sangue superou o das exportações de aviões.

Atualmente, os bancos de sangue se dedicam mais à coleta e processamento do plasma sanguíneo. O plasma é usado na fabricação de medicamentos como o Fator VIII de coagulação, indicado para a prevenção e controle de hemorragias em hemofílicos, e na produção de vacinas contra a raiva, tétano e doença de Rhesus. Quase 50 milhões de litros de plasma foram usados na produção de hemoderivados em 2015. O plasma é responsável por 1,6% das exportações dos Estados Unidos.

Esse volume de exportação de plasma sanguíneo dos EUA se deve ao fato da permissão dos bancos de sangue de pagarem aos doadores. Os países onde o pagamento a doadores de plasma é proibido como Austrália, França e Bélgica, são obrigados a importá-lo em grande quantidade.

A proibição de pagamento a doadores de plasma baseia-se em três pressupostos. Em primeiro lugar, existe a preocupação com a contaminação do plasma coletado de doadores que escondem doenças ou o uso de drogas intravenosas. Nas décadas de 1980 e 1990, os hemoderivados contaminados infectaram milhões de hemofílicos com o vírus HIV. Mas, hoje, durante o processo de fabricação, os produtos derivados do plasma são submetidos a um tratamento térmico e de imersão em substâncias químicas para esterilizá-los. Desde a adoção dessas técnicas, não houve um único caso de transmissão do vírus HIV ou de hepatite B e C por hemoderivados.

Alguns profissionais da área de saúde alegam que o pagamento aos doadores de plasma pode diminuir o número de doadores voluntários de sangue para transfusões. Porém, não há nada que comprove essa teoria.

Por fim, há o receio de um aumento na frequência de doações de plasma por pessoas que fazem das doações uma fonte de renda. Nos EUA, as pessoas podem doar plasma duas vezes por semana. Na Europa, os bancos de sangue só permitem uma doação por semana. Segundo estudos, os intervalos que devem ser respeitados entre as doações não interferem na saúde dos doadores.

As transfusões de plasma são importantes para o tratamento de anemias, na perda excessiva de líquidos em caso de queimaduras extensas, em doenças da medula óssea ou leucemia, ou como fator de coagulação em casos de hemorragia. Os medicamentos produzidos a partir do plasma são fundamentais para o tratamento de doenças graves. É preciso rever os questionamentos que impedem o pagamento aos doadores de plasma para que haja um equilíbrio maior em sua coleta e processamento.

Fontes:
The Economist-Lift bans on paying for human-blood plasma

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