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SAÚDE

A autonomia do Brasil na fabricação de radiofármacos

Governo vai investir R$ 750 milhões, ao longo de quatro anos, para se tornar autônomo na fabricação de medicamentos com elementos radioativos

A autonomia do Brasil na fabricação de radiofármacos
Atualmente, aproximadamente 2 milhões de procedimentos médicos usam o radiofármacos (Foto: IAEA)

Com um investimento de R$ 750 milhões ao longo de quatro anos, o Brasil começa a dar os seus primeiros passos para a autonomia na produção de radiofármacos – medicamento com elemento radioativo.

O dinheiro será investido na construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que pode produzir radiofármacos para tratamento de doenças como o câncer, por exemplo. Com isso, o empreendimento vai contribuir para a autonomia brasileira na produção dos medicamentos, dando fim à dependência externa.

A iniciativa é importante porque, desde 2009, o Brasil tem enfrentado dificuldades no abastecimento de radioisótopos e de radiofármacos, que atualmente são importados. Hoje, aproximadamente 2 milhões de tratamentos e procedimentos médicos usam os radiofármacos, com o Sistema Único de Saúde (SUS) realizando 24% deles.

“Para a área da saúde, a construção do reator fortalece muito o SUS. Vamos produzir o material para o sistema único de saúde a preços naturalmente mais baixos, e, desta forma, aumentar os atendimentos e levar esperança a quem está doente e precisa de ajuda”, afirmou o presidente Michel Temer.

O Brasil começou a enfrentar problemas de abastecimento de medicamentos quando o reator canadense, que era responsável por abastecer o país e 40% do mundo, parou. A iniciativa do governo brasileiro com o RMB visa solucionar essa dificuldade, dando autonomia para o país. Com isso, a tendência é que o atendimento do SUS em medicina nuclear seja ampliado.

“O uso dessa tecnologia qualificará a atenção à saúde da população em diversas áreas que fazem uso da medicina nuclear, como cardiologia, oncologia, hematologia e neurologia. Permitirá a realização de diagnósticos mais precisos de doenças e complicações”, destacou o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

O RMB, que vai ocupar 2 milhões de metros quadrados, ficará localizado em Iperó, em São Paulo, no Centro Experimental de Aramar, da Marinha do Brasil. Além dele, também serão desenvolvidos laboratórios, aceleradores de partículas e lasers de alta potência.

O acordo para a construção do RMB foi assinado em março, durante a 15ª Reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial de Saúde (Gecis), feita entre o Ministério da Saúde e a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul).

 

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