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SAÚDE

O outro lado de um medicamento

Os benefícios do canaquinumabe não comprovaram sua eficácia na prática médica

O outro lado de um medicamento
Evitar o estresse a ansiedade é uma boa forma para se manter saudável (Foto: Pixabay)

Em 27 de agosto, os resultados de um experimento realizado com o medicamento anti-inflamatório canaquinumabe, usado no tratamento da artrite idiopática juvenil, foram divulgados na reunião da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Barcelona. Os artigos publicados na imprensa não pouparam elogios ao medicamento também prescrito para a prevenção de ataques cardíacos e no tratamento de diversos tipos de câncer. A cobertura da mídia teve um impacto tão grande que muitas pessoas interessaram-se em saber quando o medicamento estaria disponível para uso. A resposta seria “nunca”, porque os benefícios do canaquinumabe não comprovaram sua eficácia na prática médica. No entanto, embora não ofereça uma solução imediata, o experimento confirmou a teoria que a inflamação é um fator importante no desenvolvimento das doenças cardiovasculares.

Há muito tempo, os médicos recomendam manter o nível do colesterol baixo para evitar doenças cardiovasculares. Mas metade dos ataques cardíacos afeta pessoas com níveis baixos de colesterol. Por esse motivo, alguns médicos receitam o uso de estatinas, medicamentos prescritos para reduzir o colesterol no sangue de pessoas com uma concentração de colesterol HDL no sangue, que protege contra doenças cardiovasculares. Esses medicamentos, além da redução do colesterol, têm um efeito anti-inflamatório. Mas em razão de sua dupla função nunca puderam ser estudados apenas como anti-inflamatórios.

Agora uma nova pesquisa, coordenada por Paul Ridker do Brigham and Women’s Hospital em Boston, examinou apenas as propriedades anti-inflamatórias do canaquinumabe. Ridker e seus colegas deram injeções trimestrais de canaquinumabe em 10 mil pacientes que haviam sofrido ataques cardíacos e que estavam sendo medicados com altas doses de estatinas. Ao longo dos quatro anos de experimentos, os pacientes que tomaram uma dose de 150 mg de canaquinumabe tiveram menos de 15% de probabilidade de terem um novo infarto ou um acidente vascular cerebral.

A incidência de mortes por câncer também diminuiu em pacientes tratados com canaquinumabe. Assim como nos casos de doenças cardiovasculares, a inflamação acelera a multiplicação de células cancerígenas no organismo. No entanto, a taxa de mortalidade por infecção entre os pacientes tratados com canaquinumabe aumentou, o que levou os pesquisadores a cancelar os estudos sobre suas propriedades de combate ao câncer e a doenças cardiovasculares.

Mas existem outros tratamentos para evitar ou diminuir a gravidade das doenças coronarianas. O consumo de ácidos graxos encontrados nos animais marinhos, sobretudo nos peixes, como no ômega-3, tem um ótimo efeito anti-inflamatório. Um estudo italiano publicado em 2002 mostrou que um grama por dia de ômega-3 diminuiu em 30% a taxa de mortalidade em pessoas que haviam sofrido ataques cardíacos recentes.

Mas o melhor conselho é manter o peso sob controle e fazer exercícios físicos que reduzem os riscos de doenças cardiovasculares, além de aliviar o estresse e a ansiedade responsáveis por um grande número de doenças psicossomáticas. Não é um conselho noticiado nas manchetes dos jornais, mas ainda é o melhor remédio.

 

 

 

Fontes:
The Economist-A wonder drug for heart disease that isn’t that wonderful

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