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ESTUDO

Populismo fortalece o movimento antivacina

Segundo estudo, a desconfiança em relação a elites e especialistas presente no populismo político fortalece a retórica do movimento antivacina

Populismo fortalece o movimento antivacina
Estudo associou a ascensão do populismo à força do movimento antivacina na Europa (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

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Segundo um estudo publicado na revista científica European Journal of Public Health, o ceticismo em torno do uso de vacinas para imunizar crianças aumentou na Europa.

Grandes surtos de casos de sarampo e mortes decorrentes da doença ocorreram em países onde os partidos populistas conquistaram mais apoio popular, sobretudo na Grécia, Itália e França.

“É bem possível que o populismo científico tenha sentimentos semelhantes ao populismo político, ou seja, uma profunda desconfiança em relação às elites e a especialistas por parte da população privada de privilégios e marginalizada”, escreveu o autor do estudo, Jonathan Kennedy, da Universidade Queen Mary, em Londres, no Reino Unido.

Em razão das pesquisas escassas sobre o uso de vacinas, pesquisadores sugerem que o apoio aos partidos populistas poderia ser visto como um sinal de um ceticismo maior em relação às campanhas de vacinação, pelo menos no contexto da Europa Ocidental.

Uma pesquisa realizada pelo jornal britânico Guardian em dezembro mostrou a crescente preocupação com o impacto do populismo na desconfiança da população quanto à eficácia das vacinas. De acordo com dados coletados pelo jornal, o número de casos de sarampo na Europa foi o maior em 20 anos, com 60 mil casos e 72 mortes.

Alguns políticos populistas adotaram a retórica do movimento antivacina. Na Itália, o parlamento aprovou no ano passado um projeto de lei que eliminou a obrigatoriedade da imunização de crianças em escolas públicas. Logo depois, a lei foi revogada devido ao grande aumento dos casos de sarampo.

O estudo baseou-se nos dados do Vaccine Confidence Project realizado pela Comissão Europeia em 14 países da Europa Ocidental. Os dados revelaram uma forte ligação entre o apoio popular aos partidos populistas e o ceticismo quanto à eficácia das vacinas.

O estudo examinou os resultados eleitorais do Parlamento Europeu em 2014, mas também analisou os resultados das eleições parlamentares anteriores nos 14 países envolvidos no projeto. Essa análise mostrou que o movimento antivacina era mais forte em países onde o populismo tinha um grande apoio da população.

Nos EUA, o presidente Donald Trump apoiou o movimento antivacina, com base na teoria falsa que a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) poderia causar autismo. Além disso, convidou o autor da teoria, Andrew Wakefield, para seu baile de posse na presidência.

“A Grécia tem o maior nível per capita de casos de sarampo na Europa Ocidental”, disse Kennedy. “O movimento antivacina é forte na Grécia. A desconfiança em relação às elites e ao poder do Estado remonta à ocupação do país pelo Império Otomano.”

“Para prevenir surtos de sarampo, é preciso ter 95% das crianças vacinadas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, as vacinas evitam entre 2 a 3 milhões de mortes por ano. A imunização é uma das formas mais eficientes e de menor custo para reduzir a mortalidade infantil”.

 

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Fontes:
The Guardian-Vaccine scepticism grows in line with rise of populism - study

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3 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Deve ter sido o populismo que trouxe epidemia de dengue, chikungunya e zika, principalmente depois da Copa de 2014, o sarampo, que estava praticamente erradicado, a febre amarela e outras doenças como a sífilis.

    Vão dizer que a ONU não tem parte na proliferação de doenças pelo mundo?

    Aqui no Brasil, é só atrelar a vacinação aos direitos de receber benefícios, que a fila será grande para vacinar, do mesmo jeito que é para pegar a esmolinha.

  2. Otto disse:

    O fundamentalismo cristão dos terraplanistas, criaburristas somado aos delírios dos nibirutas
    e alguns bolsolixistas tem grande responsabilidade no recrudescimento destas moléstias.

  3. ACM disse:

    Nao se trata de populismo, mas sim de consequencias negativas das vacinas, como bem mostrado no livro “Vaccines on Trial”, por Pierre St. Clair, 2017. O fato objetivo e’ que, como a vacina gera muita receita (lucro) para a Big Farma, claro q o lobby esta’ agindo pesadamente, para nao reduzir seu faturamento. Querer tratar o assunto como “populismo”, e’ fazer o jogo dos lobistas e da Big Farma.
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    Fato semelhante ocorreu agora com o Talco Johnson, q provocou cancer e morte em varias mulheres (contem amianto), mas q foi abafado pelos lobistas, ate q a Reuters publicou um relatorio contando tudo. Desde 1970 isso tinha sido acobertado, ate q a Johnson acabou sendo condenada a pagar alguns usd bilhoes (BI) para as vitimas. Sem esse “populismo” da Reuters, mais mortes haveria.
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    Denunciar o cigarro (hoje substituido pela maconha nos eua, canada, uruguai etc.) tb foi resultado do “populismo”. A condenacao da Big Tobacco nos EUA tb foi pesada: os americanos (fumantes ou nao) podem receber dela um salario mensal de indenizacao ate morrerem.
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    O lobby nem sempre funciona contra o “populismo” (i.e. populacao esclarecida). Sao os novos tempos…

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