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Ritalina: o tabu da ‘Droga da Obediência’

Especialistas discutem uso de medicamento e conscientização de pais e escolas no tratamento de crianças que sofrem com distúrbios de aprendizagem e hiperatividade. Por Fernanda Prates

Ritalina: o tabu da ‘Droga da Obediência’
Para especialistas, tratamento médico deve ser aliado a acompanhamento psicológico

Elas têm problemas para se concentrar. Às vezes, são barulhentas. Outras vezes, caladas e reservadas. Em geral, têm problemas na escola e não conseguem se relacionar com seus colegas. Qualquer educador provavelmente é capaz de apontar alguns alunos com esse perfil. Muitos deles podem sofrer de um distúrbio de aprendizagem chamado Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), que afeta de 2% a 6% da população mundial. Muitas outras, contudo, podem estar sendo diagnosticadas – e até mesmo medicadas – de maneira equivocada.

Apesar de uma conscientização crescente acerca de seus sintomas e tratamentos, o TDAH ainda é uma doença enigmática. Seu desconhecimento ainda leva muitas crianças a serem mal diagnosticadas ou tratadas de maneira pontual, sem que sejam analisadas as condições familiares, escolares e sociais que podem agravar ainda mais o problema.  Por vezes, jovens são simplesmente medicados por parentes e professores, sem acompanhamento psicológico adequado.

Um estudo recentemente publicado nos Estados Unidos revelou que um milhão de crianças norte-americanas podem ter sido erroneamente diagnosticadas com TDAH. Crianças inquietas, ativas ou simplesmente imaturas, mas neurologicamente saudáveis, foram tidas com doentes. Ao mesmo tempo, muitas outras sofrem com a doença em silêncio, sem receber a atenção necessária para um diagnóstico e tratamento corretos.

“A maioria das crianças indicadas para mim suspeitas de serem hiperativas devido a problemas escolares, desatenção, ou brigas com colegas no recreio não sofrem de TDAH tecnicamente falando”, diz a psicóloga Maria das Graças Razera, membro da Fundação Brasileira de Terapias Cognitivas (SBTC).

“Às vezes, o fato das crianças serem mais agitadas se deve mais, por exemplo, à cultura da família, por exemplo. Trabalho com crianças de mais de 70 etnias, e cada cultura tem um código comportamental específico. É necessário ajustar o comportamento da criança num contexto escolar respeitando esse código, o que é de fato um trabalho detalhista”, completa a psicóloga.

Brasil é segundo maior consumidor de Ritalina

Os números são especialmente preocupantes considerando-se que muitos desses jovens são tratados com remédios. O mais comum deles é a polêmica Ritalina, também conhecida como a “droga da obediência”. Apesar de auxiliar no tratamento de distúrbios de aprendizagem, a Ritalina pode apresentar diversos efeitos colaterais, como apatia, anorexia e distúrbios do sono. Em 2009, o Brasil se tornou o segundo maior consumidor da droga, atrás apenas dos Estados Unidos. As estatísticas preocupam os especialistas, que pregam cautela e acompanhamento médico e psicológico antes de tudo.

“Não acho que se deva parar de receitar drogas, mas médicos não podem sair receitando Ritalina indiscriminadamente, até porque todas as drogas podem ter reações colaterais. Alguns pacientes podem entrar num processo de depressão e parar de realizar atividades normais, enquanto outras podem ter até o crescimento prejudicado. O diagnóstico não é milagroso, e deve ser feito individualmente”, pondera o pediatra Lauro Monteiro Filho. “Nem tudo se resolve com remédio, ou SÓ com remédio.”

Algumas consequências podem ser ainda mais graves. Estudos mostram que o metilfenidato, composto químico presente na Ritalina, pode causar ataques cardíacos súbitos em crianças com cardiopatias. “Por uma questão de segurança, pais devem sempre fazer exames cardíacos nas crianças,”, recomenda Maria das Graças. “O medicamento também pode criar dependência psicológica, uma vez que a criança pode passar a acreditar que toma as drogas porque é ‘incapaz de aprender. A autoeficácia é meu foco com essas crianças, que sempre apresentam graves problemas de auto-estima”.

Importância do acompanhamento psicológico

Assim como o pediatra, a terapeuta também não se opõe ao uso da medicação — desde que de modo consciente, com atenção às dosagens e limitações físicas dos pacientes. Por isso, ela ressalta a importância do acompanhamento do psicoterapeuta cognitivo, capaz não só de trabalhar junto à escola e à família, mas também de analisar os efeitos dos medicamentos nas crianças e ajudar no diálogo com o médico para garantir seu bem-estar integral.

“Um grande problema do uso dos medicamentos é que, muitas vezes, os pais acabam delegando a tarefa de medicar os filhos às escolas que, muitas vezes, sequer têm enfermeiras”, declara a psicóloga. “Não são poucas as salas de aula onde os professores mantêm remédios para conter os ‘bagunceiros’. Sou contra o abuso da medicação e o remédio usado como ‘cabresto’. Seria um retorno à era da lobotomia?”.

Pais devem estar conscientes de consequências boas e ruins

Para os pais que suspeitam que seus filhos possam sofrer de quaisquer tipos de transtornos de aprendizagem ou hiperatividade, Razera recomenda que se busquem, antes de qualquer coisa, profissionais capazes de esclarecer todas as implicações dos possíveis tratamentos – inclusive a medicação. Além disso, é preciso paciência e compreensão, acompanhamento em várias frentes, e a preocupação em zelar pela auto-estima dos afetados pela doença.

“Procure ajuda profissional que oriente, compartilhe e explique, de modo que você tenha consciência das consequências positivas e negativas dos tratamentos com e sem a medicação. Existem crianças que não precisam de drogas e estão tomando, assim como várias outras que precisam e não estão sendo medicadas. Isso envolve uma mudança geral de rotina, e as coisas não mudam em um passe de mágica. O esforço conjunto, entre médicos, psicólogos, pais e escola, é hiper-recompensador”

Caro Leitor:

Você tem algum filho ou parente que sofra com distúrbios de aprendizagem ou hiperatividade?

Você é a favor do uso de remédios como a Ritalina para o tratamento de crianças que sofrem com esse tipo de transtorno?

Você acredita que o diagnóstico de TDAH possa estar sendo banalizado?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

33 Opiniões

  1. Joyce araujo disse:

    Meu filho tem nove anos.ele tem TDAH,toma ritalina mas foi em último caso ja tínhamos tentamos de tudo, conseguimos fazer valer todos os direitos dele dentro da sala de aula como por exemplo um leitor para as provas assento e lugar diferenciado dentro da sala.estamos buscando sempre ajudar melhorar no que for possível.Vale lembrar que nem todos os Colégio estão dispostos a ajudar ou mesmo aceitar essas crianças elas se tornam muito caras pro Colégio.

  2. Ang disse:

    Sou pai, meu filho mora comigo (em virtude da mãe ter o abandonado, tendo os mesmos sintomas), sendo meu filho diagnosticado com TDAH, porém, após uma experiência não muito boa com a ritalina, decidi tirá-la de seu tratamento. Para maiores detalhes, entre em contato comigo pelo e-mail darthangrake@gmail.com.

  3. Talita Cavalcante disse:

    Galera, boa noite!
    Estou em busca de uma mãe que após o médico receitar o remédio Ritalina (calmante) para o filho, se negou a dar o medicação para a criança. Você conhece alguém? É para uma entrevista.

  4. Lorena disse:

    Minha mãe é profissional da Educação, quando ela viu que eu não era como as outras crianças em quesito de aprendizado e comportamental ela começou a estudar por ela mesma o meu caso. No início dos anos 90 não tinhamos todas essas informações á disposição, e com medo de eu me sentir inferior minha mãe adiou me levar á um médico e começou a estudar comigo em casa para que eu conseguisse acompanhar a turma. Minhas notas sempre foram médias, eu cresci com certas dificuldades e hoje sou uma Adulta Hiperativa. Iniciei o tratamento, tenho consciência das características que possuo de hiperatividade, não acho que seja menos capaz mas entendo os obstáculos que tenho que enfrentar e decidi por mim que vou tomar a Ritalina conforme o que meu médico falar. Não concordo com parte do texto porque a TDAH é hereditária (segundo meu médico) então as condições familiares serão um hiperativo convivendo com outro hiperativo. O que tem que diferenciar na minha opinião é o caráter da criança e se ela não convive com um ambiente que ensinam coisas erradas em casa, isso sim tem haver com a criação que ela tem.

  5. Danilo disse:

    Nada contra esse tratamento, a unica coisa que me chateia e ver professores iduzindo pais a medicarem seu filhos por que eles sao agitados, sendo que na maioria dos casos estao apenas sendo crianças e nao tem esse problema. Ou seja estao usando esse transtorno como um meio de drogar as crianças por que nao tem paciencia e nem preparo adequado para lidar com elas.

  6. Raquel disse:

    Olá, eu também tomo Ritalina tenho 40 anos e não conseguia me concentrar em nada, tudo que fazia ficava pela metade porque logo desistia, e me esquecia também das coisas importantes,mas isso ficou no passado, pois Ritalina mudou minha vida, e tem mais posso dizer com certeza, só vai fazer mal se o uso não for correto, Ex: a pessoa não precisa não tem TDAH, e usa, ou se compra sem receitas ilegalmente, com certeza fará mal.
    Mas se você precisa ou teu filho , não deixe de levá-lo ao neurologista, não deixe ficar tarde como foi no meu caso,pois confesso que perdi muito tempo da minha vida achando que eu era uma inútil , que não conseguia terminar nada do que começava, mas não desisti hoje estou aqui dando meu testemunho, estou cursando uma faculdade , e vamos que vamos.
    Boa Sorte!

  7. orlando neves disse:

    Meu filho tem 5 ANOS e 2meses de idade, ele tem autismo considerado leve. E agora ele esta tendo dificuldades para se concentrar na escola, e em casa ele é agitado. Levamos ele a um neurologista que leu todos os relatórios dos profissionais que acompanham o nosso filho. O neurologista achou que nosso filho teve bons resultados nos últimos 2anos mas assim mesmo ele requisitou um medicamento chamado Ritalina, tenho dúvidas preciso de ajuda pra saber se é um bom passo a toma, obrigado.

  8. ROBERTA disse:

    SOU PEDIATRA E TENHO UM FILHO COM SINTOMAS CLÁSSICOS DE TDAH E POR CAUSA DO PRECONCEITO FICO PROTELANDO LEVÁ-LO À CONSULTA COM A NEUROPEDIATRA COM MEDO DELA PASSAR RITALINA OU QUALQUER OUTRA MEDICAÇÃO QUE POSSA ALTERAR SUA PERSONALIDADE OU ESTADO DE CONSCIÊNCIA. NÃO SUPORTO PENSAR NESSA IDÉIA. PORÉM A SITUAÇÃO ESTÁ CADA VEZ MAIS INSUPORTÁVEL , ELE MESMO ANDA ANSIOSO DEMAIS COM O PROBLEMA , TODOS BRIGAM CONSTANTEMENTE COM ELE E ACHO QUE ISSO É PIOR. QUERO QUE MEU FILHO TENHA A CHANCE DE SER TRATADO POR ISSO DECIDI LEVÁ-LO A UMA NEUROPEDIATRA SUPER BEM INDICADA E CONCEITUADA E DEIXAREI ELA LEVAR O CASO COMO SE DEVE. DEPOIS VOLTO PARA DAR UM FEED BACK A VOCÊS. PARA COMPLETAR , FICO TRISTE QUANDO VEJO PEDIATRAS E PROFISSIONAIS DE SAÚDE TENDO PRECONCEITO EM RELAÇÃO AO TRATAMENTO QUANDO ESTE É NECESSÁRIO.

  9. Vanessa disse:

    Respondendo as 3 perguntas: sim tenho um filho de cinco anos com características de TDAH já diagnosticado pelo neuropediatra. Não tenho opinião fornada a respeito da medicação, mas faço uso dela o receitado pelo medico foi 10mg de ritalina LA. E sim acho que o diagnostico esta sendo muito simplista, banalizado, qualquer um pode da forma como vem sendo feita a coisa ser diagnosticado erroneamente como portador de TDAH.

  10. VILMA disse:

    SIM TENHO UM FILHO DE 5 ANOS COM TDAH A NEURO PEDIATRA INTRODUZIU PRIMEIRO A RISPIRODONA E LE MELHOU MUITO MAIS AINDA VAI PRECISAR FAZER USO DA RITALINA. NO CASO DO MEU FILHOTE ELE TAMBEM É PORTADOR DE SIDROME DE ALCOOLISMO FETAL ( A MAE BILOGICA FEZ USO DESSA DROGA). ESTOU PRECUPADA MAIS A NEURO DELE ME EXPLICOU COM MUITO DETALHES E EU FIQUEI UM POUQUINHO MAIS CALMA. NO CASO DELE ALEM DO TDAH ELE TEM RETRADO NA IDADE MENTAL O QUE COUSO ATRSO NO SEU DESENVOLVIMENTO MOTORO E FALA AGORA ELE JA FALA BEM EXPLICADO E A COORDENAÇÃO ESTA MELHORANDO. POR ISSO EU DESEJO QUE MEU PEQUENO PRINCIPE MELHORE E SE TORNE AINDA MAIS INDEPENDENTE DA MAMAE.

  11. Liveiry de Oliveira disse:

    Sim Tenho Parentes Com esse Trantorno ( TDAH ),Sou Favor do uso da Ritalina mais isoladamente associado a Terapia Cognitiva Comportamental ; Quando se comentou que o Brasil e o segundo País em consumo de Ritalina não Fiquei surpreso pois so temos ela como psicoestimulante para ser utisada se houvesse uma preocupação de realmente melhorar esse arsenal terapêutico seria muito mais viavel, Odiagnostico para uso da Ritalina não esta banalisado o que me parece e que existe profissionais muito pouco familiarisado com TDAH sendo assim o diagnostico fica muito pouco precisso se tornando pouco assertivo.

    Obrigado
    Liveiry de Oliveira

  12. Simone nunes disse:

    Meu filho é mto hiperativo toma remédio desde dois ( 2 ) anos,ele ja tomou,neuleptil,resperidona e agora esta tomando 60 mg de ritalina LA ,ele so tem 5 anos,morde os amiguinhos na escola de tirar pedaço,já tive mto problemas com isso,quase apanhei de uma mãe na porta da escola,ne ajudem,a doença dle tem cura?

  13. Eleni disse:

    Só esclarecendo, TDAH não é rebeldia e não é possível controlar com disciplina uma deficiência na química cerebral. Ritalina não é calmante é um estimulante da concentração. A polêmica em torno da ritalina vem justamente por se ignorar estes fatos.
    Há também diferentes níves de transtorno, portanto em níveis baixos sim é possível optar por tratamentos alternativos, nos casos mais graves isto apenas causa mais sofrimento e riscos (inclusive físicos) aos portadores deste trastorno.
    Em razão disso peço encarecidamente às pessoas que se informem melhor antes de dar opiniões pré-concebidas gerando esta polêmica retrógrada que só irá prejudicar a quem precisa e merece tratamento para poder ter uma vida produtiva, melhor convívio e auto-estima.
    Obrigada!

  14. valeria disse:

    tenho um filho que é tdah e nunca mediquei com ritalina apenas o controlo mais e nas escolas o problema que na verdade existe sao profissionais nao preparados para lidar com essa situação fica a pergunta pq nao dar estimulantes ao professores entao ao inves de querer dar calmante aos nossos filhos

  15. silvia disse:

    Minha filha tomou ritalina dos 6anos aos 16 anos ela tem tda,mais agora ritalina não está fazendo mais efeito,o psiquiatra agora passou Vevanse estou contado que ele de uma animada na minha filha. Ela está sofrendo muito por não conseguir exito nas provas, pricipalmente na matemática,física eu sofro com ela pois eu sei o quanto ela se esforça,e com isso minha filha está agressiva briga com todos em casa está depressiva muda de humor de uma hora pra outra ,briga, grita mais passa uns minutos ja está tudo bem.Ela agride as pessoas que ela mais ama ,eu sei que a cabecinha dela está a mil pois está no ultimo ano do ensino médio e tem que tomar decisões .
    O que me entristece é o descaso das escolas publicas com a pessoa que tem tda ,ouvi muito que minha filha é malandra , já foi chamada de burra.O governo devia por pessoas qualificadas para atender as pessoas com tda .MInha filha teve uma piora tem mais ou menos uns 2 meses, fui a escola conversar na direção uma pessoa falou para mim você tem que trazer laudo,eu achei uma absurdo o descaso da direção.Mais tem uns professores que estão ajudando minha filha,e eu estou precisando de ajuda de mães que tem o mesmo problemas .SENHORES SENADORES CRIEM UMA LEI PARA POR NAS ESCOLAS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS EM TDA para nossos filhos ter um tratamento digno nas escolas públicas.

  16. Daielly lopes disse:

    eu tenho hiperatividade com dda e sempre usei a ritalina desde criança, tenho 22 anos e quando não estudo eu paro de usar a ritalina. minha opnião é que tambem sou a favor da ritalina, infelizmente tem gente que usa sem precisar e as pessoas que realmente prescisam estão sujeitas a sofrer discriminação por ser um medicamento facil. não podemos esquecer tbm que cada organismo ira reagir de um modo diferente então o que pode fazer bom pra mim pode não fazer pra ti, eu acho que as pessoas devem sem mais responsaveis e não mentir sintomas só pra obter essas receitas , depois da nisso usam e ficam falando mal, de como ficarão depois e de como foi facil conseguir.

  17. André Brasil disse:

    Eu usei Ritalina por 1 ano só para estudar para concursos públicos. Embora eu não apresentasse os sintomas de déficit de atenção, conseguia com uma amiga médica a prescrição do remédio. FOI A PIOR COISA QUE FIZ EM MINHA VIDA! Os efeitos foram devastadores… Eu, que sempre fui muito responsável, pesquisei demais antes de usar a droga. Eu lia e relia em estudos americanos e europeus sobre os efeitos negativos da Ritalina em quem não precisava da droga mas preferi ir na onda dos amigos que estudavam para concursos que diziam “estarem ávidos para usar a droga o mais rápido possível”. Após o uso, passei a ter insônia crônica por 4 meses, cansaço, me sentia um zumbi! O estudo não melhorou em nada. Eu notei apenas que ficava mais calado, mais sério, não fazia brincadeiras habituais e só. Para controlar a insônia, o médico me receitou Rohypnol. Bati o carro pois perdi a noção de espaço e velocidade! Depois dessa tragédia, assimilei que RITALINA NÃO FAZ EFEITO POSITIVO NENHUM EM QUEM NÃO TEM TDAH, exatamente o que diziam os estudos mais sérios. O psicólogo que me trata hoje (pra tentar arrumar o estrago) me disse que o meu caso é mais comum do que eu imaginava. Os relatos são os mesmo, sempre, segundo ele. Ah, e quem não tem TDAH e usa a droga dizendo que faz efeito, é só um placebo ou então está mentindo. Quem não tem problemas de concentração, NÃO PRECISA DE DROGA PARA SE CONCENTRAR MAIS, NÃO FICA SUPERPODEROSO. É LENDA CONTADA POR GENTE MUITO IRRESPONSÁVEL. RITALINA É UM REMÉDIO MUITO SÉRIO. Espero ter ajudado.

  18. Içami Tiba disse:

    Concordo plenamente com o que diz a psicóloga Maria das Graças Razera quanto ao cuidado em se medicar com Ritalina sem ter o diagnóstico confirmado de hiperatividade. Pais hiperativos têm mais filhos hiperativos que os não hiperativos, mostrando a transmissão genética. Se há adeptos para amordaçar hiperativos, ~há tb os fóbicos que deixam de medicar nas reais necessidades e acabam prejudicando o futuro dos filhos, que acabam largando os estudos, mesmo sendo muito inteligentes…
    Meus cumprimentos à Dra. Maria das Graças.

  19. Raquel disse:

    EU TENHO UM FILHO QUE TEM 13 ANOS E TOMA RITALINA DESDE OS 6 ANOS. Penso que o diagnostico deve ser feito por medicos qualificados, eu passei por 3 medicos ate decidir dar a Ritalina. Para os que realmente tem TDAH a ritalina, é uma grande ajuda. Sobre os efeitos colaterias, se as mulheres olharem as dos anticonsepsionais por exemplo, não tomariam tambem….cada caso é um caso, cada pessoa reage de uma forma diferente. Temos que tentar e ver se para nós o beneficio é valido…

  20. Éden disse:

    Bem, tenho 25 anos e comecei meu tratamento com Ritalina apenas a 4 meses. Seria uma benção se minha família tivesse ouvido falar do TDAH anos atrás. Meu problema era “o clássico”, na sala de aula estava longe, com a cabeça nos ares, estudar sempre foi muito difícil, apesar deu gostar e me sentir satisfeito quando conseguia. “Ele é inteligente, mas preguiçoso” diziam sempre.
    Foi a pouco tempo que eu senti extrema necessidade de me concentrar, eu queria, precisava, implorava pra mim mesmo… mas não conseguia. Resolvi procurar um neurologista por conta própria. Psicólogo? pensei também, mas acertei na primeira.
    Não foi difícil diagnosticar no meu caso. Esse medicamento tem me ajudado acima de tudo a me organizar. Espero conseguir me adaptar a essa rotina de organização e concentração, para que no futuro continue sem o medicamento. Bem, se isso não for possível, de qualquer forma está melhor assim.
    Eu não acho que TDAH é a “modinha” da década. Quem descobriu sobre esse problema e abriu os olhos para o mundo após o início do tratamento, como eu, creio, acredita que o TDAH é um mal do século, que apenas foi muito divulgado recentemente.
    Claro que diagnósticos errados são uma péssima coisa e deve haver muito cuidado para evita-los. No entando, diagnósticos errados estão presentes em todos os casos de médicos, acredito.
    Não sei se TDAH está sendo banalizado e espero que não. Para que os que realmente precisam desse tratamento não venham a ser prejudicados futuramente com dificuldades para conseguir o receituário, por exemplo.(Acho que posso dizer dessa forma)
    E sim! Sou completamente a favor do tratamento em crianças. Ah! isso teria facilitado muito minha vida.
    Esse foi o meu caso,
    estudante universitário, Éden F.B.L.
    Um abraço a todos.

  21. Maria das Graças Razera disse:

    O TDAH não é um distúrbio de aprendizagem, considerando a Medicina do Comportamento Mental (tratados CID-10 e o DSM-IV-TR). Os transtornos de aprendizagem/TA são Dislexia, discalculia, disgrafia, dentre outros. O TDAH é um transtorno do desenvolvimento infantil. O “bom psicólogo” sabe disso. Porém, há cerca de 25% dos casos de TDAH que são comórbidos com TA. Dado o desenvolvimento das funções executivas, o processo atencional é mais difuso que focal. Logo, o interesse surge quando motivados (hiperfoco). É importante ressaltar também que o TDAH é um diagnóstico de exclusão, into é, o “bom” psicólogo, ou seja competente, precisa excluir as comorbidades. Como evidenciou uma leitora, o Psicólogo ajuda a dar suporte para a família, de modo que possa ser mais assertiva e não vítima do preconceito social. Nem tudo é problema da família, assim como nem tudo é problema da escola, e muito menos da criança.
    Reforço meu pensamento na condição de hiperativa, disléxica e também escritora e terapeuta.
    Atenciosamente

    Prof.Ms.Maria das Graças Razera
    Psicóloga UFRJ – 2000.
    Formação em TCC – autodidata em TDAH há 20 anos (comecei em 1991)
    Autora do livro “HIPERATIVIDADE EFICAZ ; UMA ESCOLHA CONSCIENTE” (2001, 2008).
    Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

  22. Jorge Luís disse:

    Só sabe o que é TDAH quem sofre na pele. Eu sou portador deste transtorno, na época de colégio, aprender para mim sempre foi difícil. Tudo para mim era fantasia, eu era muito desatento, inquieto, por mais que eu me esforçava o resultado era ruim. Para mim, tudo sempre foi um desafio atrás do outro..manter a atenção e a concentração era uma tortura. Hoje com 21 anos, faço o uso de Ritalina 60 mg por dia, e eu recuperei 21 anos perdidos em apenas 1 mês. Não faço o uso à apologia do medicamento e sou contra o uso recreativo do mesmo, porém, procurar um BOM Professional, preferencialmente um neurologista, para descartar ou não o TDAH é válido. O tratamento varia de paciente para paciente e às vezes nem precisa administrar o metilfenidato (Ritalina ou Concerta), infelizmente no nosso país o que falta é a informação para os educadores e a sociedade em geral sobre o TDAH. Em países, existem leis severas que ‘protegem’ o portador, como por exemplo, se uma criança é diagnosticada com DDA e os pais não procurarem tratamentos, os pais podem ser PRESOS por isso. Aqui no Brasil faltam profissionais ESPECIALIZADOS em TDAH. Eu espero um dia que essa página seja virada e que o DDA não seja visto como “modinha”, enquanto isso o que tem de crianças e adultos sofrendo com o TDAH, não é fácil. Ser o mais para trás, atrasado, desconcertado, agitado, ser taxado de burro, incompetente, dói e muito.

  23. salete disse:

    não, sou a favor de uma estruturação social, familiar,psicológica dos pais ou responsaveis,na maioria das vezes a rebeldia nada mais é do que a dor que de alguma forma tem que sair.

  24. Jussara disse:

    Eu sempre fui uma criança que não precisou ir ao psicólogo. Amigos, notas boas e ruins, pais presentes quase sempre. Passei em jornalismo em faculdade pública, tudo certo até uma depressão me perturbar. Tomei fluxene, pamelor e muitos outros… troquei de médico e para ele o problema era TDAH, tomei ritalina e confesso que ela me ajudou a ficar acordada para estudar para provas, mas a depressão vinha muito pior, taquicardia e irritação eram outros sintomas. Hoje tomo remédios para bipolaridade e sou muito feliz.
    Era evidente que o diagnóstico estava errado no meu caso e mesmo assim o médico insistiu nisso, imagine para crianças que agora gastam suas energias na frente de vídeo games e computadores a quantidade de erros.
    Mas é necessário conversa, qualquer pai e mãe sabe quando as coisas estão erradas, mas não dá pra aceitar o que qualquer médico diz, eles nem sempre são os donos da razão.

  25. frambell disse:

    MONÓLOGO DA CONSCIÊNCIA
    Eu sou executiva de uma grande empresa; alcancei o sucesso; como posso ter tempo para os filhos?
    Meu marido nem fica mais em casa; eu não posso ter intimidade com ele; não tenho tempo.
    Eu não suportaria ser censurada pelas amigas por me comportar de forma tão antiquada; fora do meu tempo; já tive pudor; que vergonha, meu Deus.
    Meus filhos estão muito bem com a babá; ela é carinhosa com eles,
    O tempo em que ficam sozinhos é bem curto; às vezes eu saio para me divertir um pouco,
    A escola vem buscá-las e trazê-las; não tenho preocupação, quanto a isso,
    A babá as leva ao psicólogo; quando estão muito agitadas,
    Talvez, eu me separe do meu marido; acho que eu não o amo,
    Ele ainda não sabe da minha intenção; eu quero ser livre,
    Certamente, ele tem outra pessoa; eu também tenho direito de ser feliz,
    Eu estou saindo com um cara; ele é casado; tem dois filhos,
    Ele acha que a esposa não cuida bem das crianças,
    Eu não consigo ficar presa a filhos e marido; eu vou ser promovida,
    Comprei o meu segundo carro; é importado; agora, tenho dois,
    Vou fazer uma festa; quero comemorar com os amigos… O meu sucesso,
    O meio a que pertenço me cobra muito; tenho de antecipar tudo,
    Talvez, eu comece a namorar um jovem que poderia ser meu filho.
    Não sei porque, mas, de repente, bateu uma culpa…
    Ponha mais um pouco de vodca; em que andar estamos? Vigésimo?
    Fique com o troco; eu não vou mais necessitar dele.

    Frambell Carvalho.

  26. WANDERLEY FONSECA SILVA disse:

    ESTA NÃO É UMA QUESTÃO PLEBICITÁRIA POIS ATÉ OS ESPECIALISTAS SE CONTRADIZEM.
    O ASSUNTO POIS COMPLEXO DEMAIS PARA SE PEDIR A OPINIÃO DE LEIGOS. A DROGA É DE ÚLTIMA GERAÇÃO E APESAR DE ESTAR EM USO GENERALISADO NÃO FOI EXAURIDO O LEQUE DE EFEITOS COLATERAIS QUE PODE GERAR.
    O ARTIGO EXPOSTO CRIA MAIS DÚVIDAS DO QUE CERTEZA.
    O COMPORTAMENTO INQUIETO DA CRIANÇA É MULTIFATORIAL

  27. Markut disse:

    Confirma-se , pelos depoimentos, que a educação pública competente e psicólogos não picaretas devolveriam os casos de verdadeiro TDAH a índices estatísticos
    realistas.
    O comovente depoimento de Maria S. Neves mostra que, quando há família consciente, atrás disso, até esse problema pode ser superado.
    O trágico dilema da nossa falida educação são os dois extremos: ou a família ignorante e esgarçada pela miséria, ou a família ,tambem ignorante, embora por outras questões, que delega toda a responsabilidade da educação do filho ao mestre, ou à escola, já que ele tem con dições de contratar a prestação desse “serviço”, dispensando-se da sua corresponsabilidade.
    Falta o Estadista capaz de se motivar por essa tragédia nacional.

  28. Maria das Graças Razera disse:

    O TDAH não é um distúrbio de aprendizagem, considerando a Medicina do Comportamento Mental (tratados CID-10 e o DSM-IV-TR). Os transtornos de aprendizagem/TA são Dislexia, discalculia, disgrafia, dentre outros. O TDAH é um transtorno do desenvolvimento infantil. O “bom psicólogo” sabe disso. Porém, há cerca de 25% dos casos de TDAH que são comórbidos com TA. Dado o desenvolvimento das funções executivas, o processo atencional é mais difuso que focal. Logo, o interesse surge quando motivados (hiperfoco). É importante ressaltar também que o TDAH é um diagnóstico de exclusão, into é, o “bom” psicólogo, ou seja competente, precisa excluir as comorbidades. Como evidenciou uma leitora, o Psicólogo ajuda a dar suporte para a família, de modo que possa ser mais assertiva e não vítima do preconceito social. Nem tudo é problema da família, assim como nem tudo é problema da escola, e muito menos da criança.
    Reforço meu pensamento na condição de hiperativa, disléxica e também escritora e terapeuta.
    Atenciosamente
    Prof.Ms.Maria das Graças Razera
    Psicóloga UFRJ – 2000.
    Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC).

  29. Peter Pablo Delfim disse:

    Realmente está sendo banalizado. A grande maioria desses diagnosticos são equivocados por conta da solução mais facil. O problema todo reside na cultura familiar, no nucleo familiar hoje resumido e estraçalhado no que tange a educação correta e a atenção que a criânça merece em casa. Tudo é deixado por conta da escola. É mais uma das desculpas dos pais irresponsáveis e incompetentes que para eximir-se do compromisso de educar enfiam os filhos em gabinetes dos iguais incompetentes e irresponsaveis psicologos. A partir daí, então, não tem mais volta. E pobre das escolas, ou melhor, dos professores que tem de arcar com todo tipo de desvios vindos de casa. A industria farmaceutica, que agora tambem fornecem aos professores que estão “pirando” agradece assim como o gabinete dos psicologos que não estão dando conta de tanto inventar “meninos maluquinhos”. Isso ninguém quer ver e tenho certeza, que nesse sentido, providencia alguma será tomada. E fala-se em melhorar a educação! Primeiro tem que ser feito um acerto com o pessoal de casa. Todo mundo tem de saber que escola é para estudar. Professor para ser respeitado. Educação é em casa, na escola somente se complementa em diversos níveis. Remedios somente em ultimo caso e recomendado por profissionais realmente competentes. Pobres criânças!

  30. Isabel Hassert disse:

    Tomo a ritalina há um ano. Fui diagnosticada, já adulta e recentemente como TDAH. O TDAH não é um transtorno de aprendizagem, mas a dificuldade de aprendizagem é secundária à dificuldade de atenção; ou seja as pessoas não vão conseguir realizar atividades como qualquer outra sem o transtorno por conta da falta de concentração e atenção. Além disso, existem as Funções Executivas, que são as funções mestras na vida de qualquer ser vivente e são elas que estão em prejuíjo no TDAH. Em resumo, sou a favor do uso da ritalina, sim, pois ela vai ajudar nessa concentração, isto é a manter o foco da atenção para poder a pessoa poder realizar suas tarefas sem prejuízos maiores. O que é necessário apenas é um bom diagnóstico e ajuda com terapia cognitivo-comportamental.

  31. Lucas Ferrari disse:

    Tomei Ritalina durante um bom tempo, até percebermos, eu e a minha familia, de que o problema não era hormonal, e sim educacional. Vulgo “falta de limite”. Nada que não pudesse ser resolvido com uma reeducação comportamental.

    Me preocupo pelas outras pessoas cujo problema é idêntico ao meu e que ainda assim são medicadas com esse remédio. Mais preocupante ainda é a postura dos pais que perceberam na droga uma “ferramenta pedagógica” mais “eficiente” no processo educacional de uma criança.

  32. Mária S. Neves disse:

    Tenho um filho de 16 anos diagnosticado com TDAH e sei o quanto isso pode ser um sofrimento para toda a família. Lembro de ter ouvido dele uma vez,diante de um problema de matemática: – Mãe, eu quero aprender, mas não consigo. Em outra ocasião, ele disse: – Hoje eu consegui ouvir, lá longe, a voz do professor (no burburinho da sala).
    Costumo dizer que ele não tem falta de atenção, mas atenção em excesso. Tudo o que acontece ao seu redor o distrai, portanto, não se concentra em quase nada, a não ser em assuntos que realmente lhe interessem.
    A questão é que no mundo de hoje, a cada dia aumenta a quantidade e a velocidade de acesso a informações (muitas, completamente desnecessárias). E isso, para o cérebro de uma pessoa com Transtorno do Déficit de Atenção (criança, jovem, ou adulto), chega a ser exasperante.
    Até concordo que há uma banalização do diagnóstico, mas discordo da forma como o assunto é colocado. Nem toda criança agitada teria TDAH, mas isso não quer dizer que não exista o Transtorno.
    Fico triste quando dizem que esse diagnóstico encobre uma preguiça, desinteresse ou rebeldia da criança ou mesmo uma falha dos pais. Já sofri muito ouvindo comentários a respeito de uma “falta de limites” na educação . Minha resposta foi procurar especialistas até chegar a uma resposta, que, embora explique, não resolve, nem ameniza a situação.
    Durante anos, a solução foi estudar com meu filho até de madrugada, para cobrir o conteúdo da escola, pois o sistema de educação hoje não motiva o aluno. Atualmente, ele estuda com professor de reforço e vamos levando, na medida do possível, com o apoio das escolas (muita boa-vontade, mas pouca ação).
    Quanto à Ritalina, meu filho tomou por pouco tempo e tivemos que parar, pois ele teve depressão na época e o medicamento foi suspenso. Voltaria a dar o remédio, com acompanhamento médico, mas no caso, ele preferiu não usar e respeitamos sua vontade.

  33. Markut disse:

    Quem precisa mais de tratamento psicológico são os gestores públicos que não querem , ou não podem atentar para a verdadeira raiz do problema.
    Cultura familiar que, ora não existe, ora canaliza suas iniciativas esperando o milagre dos medicamentos é que tem que ser encarada com atenção, como problema social que ele é.
    A criança é o resultado disso tudo e o TDAH infantil , quando confirmado, não chega a ser estisticamente preocupante.
    O buraco está muito mais embaixo.

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