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São Francisco tenta proibir a circuncisão

Grupo conhecido como ‘intactivistas’ compara prática a amputação e tortura

São Francisco tenta proibir a circuncisão
A circuncisão chegou aos Estados Unidos como uma tendência entre os britânicos da era vitoriana

“Homens precisam de proteção assim como as mulheres”, diz Lloyd Schofield, o principal divulgador de uma iniciativa popular em São Francisco que, se aprovada pelos eleitores, tornará ilegal a circuncisão de bebês na cidade. Uma lei federal e várias equivalentes estaduais proíbem a circuncisão feminina, seja ela praticada em um ritual religioso ou não. Os chamados “intactivistas”, como Schofield, portanto perguntam por que a extração do prepúcio de um bebê masculino seria diferente.

A circuncisão chegou aos Estados Unidos não com imigrantes judeus, mas como uma tendência entre os britânicos da era vitoriana, na qual o objetivo original era desencorajar a prática da masturbação e as poluções noturnas. A prática se espalhou durante o século XX, e se tornou quase universal nos anos ’60. Mas nas últimas décadas, a prática tem diminuído, e, em 2008, apenas metade dos bebês era circuncidado.  

A cultura da área da Baía de São Francisco costuma exaltar qualquer atividade natural, do parto à alimentação. Logo, não é coincidência que Marylin Milos, uma ex-enfermeira que foi chamada de “mãe do movimento norte-americano de integração genital”, viva no condado de Marin, ao norte de São Francisco. Muitos pediatras na região aconselham os pais a não realizarem a circuncisão em seus filhos.

Na questão médica da polêmica, as antigas afirmações de benefícios (como a diminuição da “espermatorréia”) já foram amplamente desmentidas. Outros, como uma diminuição na incidência de câncer peniano, permanecem polêmicos. Mas estudos recentes da África Subsaariana indicaram que a circuncisão pode reduzir os índices masculinos de infecção por HIV. Intactivistas rebatem esses dados afirmando que isso não justificaria o que eles chamam de amputação de uma parte do corpo de bebês que podem nunca correr risco de contaminação por HIV. Milos relembra uma circuncisão particularmente terrível em 1979, que ela assistiu como parteira. “Você nunca esquece aquele gritos. Assisti à tortura e à mutilação de um bebê”, diz ela.

As questões constitucionais envolvendo uma possível proibição prometem ser ainda mais polêmicas. Os judeus, é claro, poderão argumentar que a promessa firmada entre Deus e Abraão exige que eles circuncidem seus meninos, tornando a prática uma questão de foro religioso.

Mas o precedente da Suprema Corte é confuso. Muitas práticas religiosas (como a poligamia, praticada no passado pelos mórmons) são claramente ilegais. Em um caso, de 1944, envolvendo uma testemunha de Jeová que tinha a custódia de uma menina de nove anos, o tribunal estipulou que “pais podem ser livres para tornarem-se mártires, mas isso não faz deles livres para tornarem mártires seus filhos, antes que estes atinjam a maioridade legal”. No entanto, em 1972, o tribunal garantiu os direitos de pais amish de se recusarem, com base na religião, a mandar seus filhos à escola após a oitava série.

Qualquer que seja o destino da proposta de lei, Schofield parece mais interessado em mudar mentes. Ele está animado com o fato de vários judeus terem assinado sua petição. Alguns deles começaram a praticar uma cerimônia alternativa, o brit shalom, a “promessa de paz”, que não envolve qualquer espécie de corte.

Fontes:
Economist - Against the cut

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5 Opiniões

  1. jaderdavila the small shareholder disse:

    vasectomia.
    ja que o povo adora cortar pedaço,
    que corte um que faz resultado.
    só de nao encher o mundo de mais gente,
    ja era super,
    mas ainda tem a alegria de brincar sem medo.

  2. Dorival Silva disse:

    Chamar a mutilação genital feminina, uma barbárie, de circumcisão, é uma grande mentira. A circumcisão, chamada pelos nossos pediatras de “operar a fimose”, é uma medida profilática. Se a medicina mudar de ideia tudo bem, mas essa campanha, que não é baseada em medicina, é uma idiotice.

  3. Roberto Henry Ebelt disse:

    Marylin Milos está certa. Os pais não tem direito de sair por aí mutilando os seus filhos. A própria Igreja Mórmon, da qual me desliguei há muitos anos, nem batisa as crianças antes de elas comprenderem o que isso significa. E isso que batismo não tira pedaço de ninguém.
    Está mais do que na hora de proibir esta violência contra recém nascidos. Esta é uma prática que vai totalmente contra os direitos humanos.
    Roberto Henry Ebelt

  4. jayme endebo disse:

    Besteira pura, a circuncisão peniana é um simbolo religioso e tambem um ato higienico.
    Os circuncisados não ficam “coçando o saco” como se fala na giria mas é justamente coçando o prepucio que não está devidamente higienizado. O excesso de pele dificulta a sua limpeza diaria e o proprio organismo produz secreção que por sua vez em alguns casos pode ocasionar mau cheiro.
    O mundo hoje está cheio de palpiteiros interferindo na forma como as pessoas devem educar e criar seus filhos. A verdade simples é se fosse nocivo ou ruim os proprios pais já não fariam nos seus filhos e obviamente a pratica não duraria mais de dois mil anos.
    Os judeus e os muçulmanos vão continuar fazendo por dever religioso e por higiene e quem não quiser fazer que não o faça.

  5. Paulo G. S. Nascimento disse:

    A cada dia surgem mais pessoas querendo chamar atenção do mundo. Já foi comprovado que a prática é mais benéfica do que prejudicial ao homem e aqui não se discute se é por religião ou por saúde. O próprio nascimento já é um trauma e mutilações muito piores tem que ser executadas pelos mais diversos motivos e em várias partes do corpo. Estaria hoje menos feliz se a minha família não tivesse permitido esta “mutilação”!

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